A dúvida sobre a sepultura do patriarca Jacó

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Jacó foi sepultado em Macpela ou em Siquém? E quem comprou a sepultura de Siquém? Ele ou seu avô Abraão? Como entender os textos de Atos 7.16 e Gênesis 23.16,17; 33.19?”

A dúvida sobre a sepultura do patriarca JacóA Bíblia é inerrante. Há evidências internas e externas que atestam e corroboram sua infalibilidade. Ao analisar textos desse escopo, é preciso obedecer às regras da interpretação bíblica. Assim, devemos ser norteados por princípios hermenêuticos, “lapidando” os textos sem deixar de respeitar seus respectivos contextos, para que não se transformem em pretextos.

Teólogos adeptos do liberalismo teológico vêem, em textos como esses, embasamento para colocar em descrédito as Sagradas Escrituras, ideia inválida que, de antemão, queremos rebater. A Bíblia é infalível, cremos na sua total inspiração (2 Timóteo 3.16), nela não há contradição.

Com essas prerrogativas em mente, vamos analisar os textos citados. A autoria de Atos dos Apóstolos é atribuída a Lucas. Embora não seja consensual entre os estudiosos, a maioria esmagadora ratifica Lucas como o autor. Destarte, Lucas era médico e acompanhava o apóstolo Paulo em suas viagens missionárias. Em muitos dos relatos, sua presença era evidente, pois o mesmo incluía sua participação nos eventos (cf. Atos 16.10,16, 17). Quanto à escrita do livro de Gênesis e de todo o Pentateuco, é quase uma unanimidade entre os intérpretes da Bíblia atribuir a Moisés a sua autoria, haja vista haver várias citações ao longo do Antigo e Novo Testamentos que alegam que fora ele o escritor dos livros da Lei (Êxodo 17.14; Deuteronômio 28.58,61; Josué 23.6; 1 Crônicas 16.40; Lucas 24.27,44; Atos 13.39).

Uma leitura superficial dos textos de Atos 7.16 e Gênesis 23.16, 17; 33.18,19 levanta dúvidas, todavia, devemos olhar para os textos citados com os olhos contextuais. Há intérpretes que chegam a zombar de Estevão ou de Lucas por um deles haver cometido tamanho equívoco ao citar a aquisição do sepulcro de Siquém, porém, ao verificarmos o discurso de Estevão, registrado em Atos 7, constatamos que ele era hábil pregador e profundo conhecedor da tradição judaica, e temos provas cabais da fidedignidade historiográfica de Lucas.

Diante disto, depreendemos dos textos que Estevão cita Abraão como comprador da sepultura de Siquém porque a tradição oral, baseada em Gênesis 12.6,7, nos diz que quando da sua estadia nessa localidade Abraão adquiriu ali propriedades, após sua saída da cidade de Siquém suas terras passaram a pertencer a outros donos, como acontecera com seus poços em Gerar (cf. Gênesis 26.15,18), quando Jacó chega a Siquém, muitos anos depois, ele teve que readquirir as terras que foram de seu avô – uma visão menos plausível diz que Jacó comprara aquelas terras em nome de Abraão, seu progenitor.

Há de se registrar que Jacó foi sepultado na cova do campo de Macpela (cf. Gênesis 50.13), quem foi sepultado em Siquém fora José, e à luz do texto de Atos, os demais filhos de Jacó (cf. Josué 24.32, Atos 7.16), dessa forma, os descendentes do patriarca, e não ele propriamente dito, foram sepultados em Siquém.

Referências

CHAMPLIM. Russel Norman. O Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo – Gênesis, Êxodo, Levítico e Números. São Paulo: Candeia, 2000.
COX, Leo G. Comentário Bíblico Beacon – Gênesis a Deuteronômio – vol 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
STOTT, John. A Mensagem de Atos: Até os confins da Terra. 2.ed. São Paulo: ABU Editora, 2008.
WIERSBE, Warren. Comentário Bíblico Expositivo – Novo Testamento – vol 1. Santo André: Editora Geográfica, 2011.

Por, Geovane Leite.

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