Verdades esquecidas sobre Mandela

Mandela não foi nenhum “santo”, mas a influência cristã o levou a virtudes

Verdades esquecidas sobre MandelaNelson Mandela foi, sem sombra de dúvida, uma das maiores personalidades do século 20 por ter sido um dos principais nomes da derrubada do regime do “apartheid”, um sistema no qual o governo sul-africano, liderado pela minoria branca, discriminava a majoritária população negra da região. A derrubada desse sistema de segregação foi costurada em 1990 pelo então presidente da África do Sul, Frederick de Klerk, e Mandela, que ainda estava na cadeia quando começou as conversações com o governo. Por esse feito, ambos ganharam juntos o Prêmio Nobel da Paz. E com a maioria negra podendo votar pela primeira vez nas eleições nacionais, Mandela, já liberto, seria também eleito o primeiro presidente negro da África do Sul.

As duas maiores virtudes de Mandela, pelas quais ele ganhou a fama mundial de pacifista, foram não ter instalado uma ditadura após sua eleição, o que era temido por muitos em seus país devido ao passado de Mandela; e o fato de não ter praticado pelo menos alguma espécie de revide ou vingança quando assumiu o poder. Ao contrário, Mandela procurou reconciliar sua nação, criando a Comissão da Verdade e Reconciliação, que reconheceu erros de ambos os lados; e também promoveu iniciativas públicas para unir brancos e negros. Por essas razões, ele ganhou e tem ganhado homenagens justas em todo o mundo. Porém, chama a atenção duas falhas graves na cobertura da midiática sobre a vida de Mandela: primeiro, a distorção de sua história para canonizá-lo como uma espécie de “santo”; e em segundo lugar, a omissão sobre a influência da fé cristã na transformação política decisiva pela qual Mandela passou.

Mandela teve virtudes, mas não foi “santo”

Muitas das homenagens a Mandela exageraram ao ponto de ignorar ou mesmo distorcer os fatos. A maioria – ignorantemente ou por simpatias ideológicas equivocadas – chegou a tratar Nelson Mandela como “santo” e até mesmo “o último santo da Terra”, quando o que há de belo na vida de Mandela é justamente o oposto dessa ideia: é a transformação pela qual passou do radicalismo para a construção pacífica de uma democracia que incluísse negros.

A verdade é que Mandela foi antes um homem extremamente violento, que, depois de se contaminar com a ideologia comunista na juventude (no início dos anos 50), passou a acreditar que o horroroso regime do “apartheid” só poderia ser derrubado pela violência. Essa crença o levou a criar e liderar um grupo de guerrilha através do qual praticou e autorizou atos terroristas que ceifaram a vida de dezenas de pessoas, até que, na cadeia, condenado de forma mais do que justa pelos crimes que cometera (e confessara sem remorsos), ele se arrependeria posteriormente de ter tomado esse caminho e passaria a trabalhar, ao lado do governo sul-africano, em favor de uma saída pacífica.

É por essa transformação no final de sua vida que Mandela deve ser elogiado, e não por ter sido uma espécie de “santo”, o que nunca foi. Mandela nunca foi, por exemplo, um “preso político” ou “preso de consciência”. O bispo anglicano Desmond Tutu foi uma constante voz pública contra o regime, mas nunca foi preso por se opor ao “apartheid”. Já Mandela foi preso e condenado pelos crimes de terrorismo que cometera e admitiu até o final de sua vida, e não por simplesmente se opor ao regime. Na época de seu julgamento, até a Anistia Internacional se recusou a defendê-lo. Inclusive, pelo caráter hediondo de seus crimes, sua pena era perpétua, mas foi diminuída no início dos anos 90 como parte das negociações de paz com o governo sul-africano para o fim do regime de segregação, já que Mandela era o principal símbolo do movimento dos negros sul-africanos contra o “apartheid”.

E mesmo depois de sua louvável e impressionante mudança, Mandela ainda cometeu erros, quando emprestou seu apoio à ditadura dos irmãos Castro em Cuba e ao terrorista líbio Muamar Kadafi; quando defendeu – e conseguiu – a descriminalização do aborto em seu governo; quando fez alguns ataques injustos contra Israel; e quando acobertou a exploração de escravos negros na extração de diamantes na África do Sul, denunciada pelo filme “Diamantes de Sangue”, o qual Mandela surpreendeu o mundo tratando como uma denúncia “falsa”.

A história da influência cristã sobre Mandela

O economista, escritor e filósofo francês Guy Sorman, colunista dos jornais “Le Figaro”, “Wall Street Journal” e “City Journal”, destacou em um artigo na edição de 9 de dezembro do “City Journal” (e reproduzido em português no mesmo dia pelo site do jornal paulista “Diário do Comércio”) que os últimos anos de Mandela na cadeia foram marcados pela influência da fé cristã sobre seu pensamento e que “a sua fé cristã” foi “o caminho que o levou da violência a redenção”. Lembra Sorman que “os guardas prisionais” de Mandela e “os africâneres [bancos sul-africanos] que com ele negociaram o fim do ‘apartheid’” confirmam que foi a influência da fé cristã sobre ele que o fez converter-se de “comunista militante” a “encarcerado pacifista”.

Na prisão, Mandela refletiu sobre os erros da sua vida e voltou-se para fé, abandonado o radicalismo, o que foi logo percebido pela maneira como passou a se relacionar com seus guardas prisionais, que testemunharam sua mudança na prisão.

Sormen declara: “A reconciliação entre o Movimento Nacional Africano (ANC), uma organização inspirada e liderada por Mandela, e o governo de Frederik de Klerk (presidente da África do Sul até 1991), foi sem dúvida um ato de fé compartilhado entre dois homens que pertenciam à mesma confissão cristã. O bloqueio econômico do Ocidente contribuiu para o fim do ‘apartheid’, mas não provocou seu fim; não foi o boicote aos produtos sul-africanos por parte dos consumidores europeus e norte-americanos que superou o ‘apartheid’, mas, sim, Cristo, ou melhor, a crença em Deus”.

Prossegue Soman: “A fé também explica e esclarece o caminho que levou Mandela do comunismo para a democracia liberal e das ações violentas para as reconciliações pacíficas. […] Em 1962, Mandela foi condenado à prisão perpétua por ter organizado atentados a delegacias, deixando uma série de vítimas. Mandela estava na prisão por um crime muito real”.

“No tempo em que Mandela desempenhou um papel significativo – mas não de liderança –, o ANC era um ramo do Partido Comunista Internacional; com o apoio da União Soviética, que pregava uma revolução violenta. A prisão de Mandela […] estava juridicamente bem fundamentada, como o próprio Mandela nunca negou. Enquanto estava na prisão, ele perdeu a fé na revolução e no comunismo. Isso teria sido por causa do colapso da União Soviética, como seus adversários acreditavam na época? Ou foi o resultado de uma meditação pessoal? A última alternativa parece mais provável: a cela da prisão de Mandela em Robben Island, cheia de seus livros e manuscritos, tinha um espírito monástico”.

A fé [cristã] de Mandela tornou possível não só a reconciliação de brancos e negros sob a mesma bandeira nacional, mas também – e isso é muitas vezes esquecido na Europa e na América – a reconciliação entre grupos inimigos formados por negros. Na era do ‘apartheid’, a hostilidade entre os Xhosas (grupo étnico de Mandela) e os Zulus (do atual presidente, Jacob Zuma) foi pelo menos tão intensa como aquela entre negros e brancos; naqueles dias, os Zulus se uniram aos brancos contra os Xhosas, bem como as minorias de indianos e mestiços. A África do Sul era então, e continua a ser, uma nação híbrida de etnias, que inclui uma miríade de grupos adversários”.

“O que poderia ser mais cristão, afinal, do que a Comissão da Verdade e Reconciliação, criada pelo presidente Mandela e liderada por Desmond Tutu? Em vez de vingança e represálias, que se esperava e se temia depois de anos de violência interracional, essa Comissão foi baseada na confissão e no perdão: a maioria daqueles que admitiram seus erros e até mesmo seus crimes, fossem eles cometidos em nome de ou em oposição ao ‘apartheid’, negros e brancos, receberam a anistia. Muitos retornaram à vida civil exonerados por sua admissão de culpa, excetuando-se apenas os culpados por crimes mais graves”.

“Ao contemplarmos a História do século 20, vemos que aqueles poucos estadistas que melhoraram nosso mundo, e cujos nomes merecem ser lembrados, foram movidos por uma fé que era religiosa ou quase religiosa, e não uma ideologia. […] Esse é o paradoxo de uma idade que chamamos secular, mas que é, na verdade, assombrada pela transcendência”, encerra Sorman.

Enfim, Mandela está muito longe de ser um “santo”; mas, por outro lado, é inegável que a influência do cristianismo sobre sua vida nos últimos anos o levou a algumas atitudes virtuosas que foram bênção para o seu país e o fazem merecer muitas das honras que se prestam à sua memória hoje. Essa influência, porém, não o impediu de ainda cometer alguns erros graves quando já era presidente da África do Sul, o que mostra que quando não entregamos a nossa vida totalmente a Jesus, a nossa visão de mundo ainda está sujeita a muitas distorções e decisões erradas.

Por, Mensageiro da Paz.

One Response to Verdades esquecidas sobre Mandela

  1. mazize disse:

    Correccoes:o anc nunca foi um ramo do partido comunista mundial,como referencia o texto acima mencionado,o q aconteceu e que em algum momento do trajecto historico do anc,quando mandela entendeu que a via pacifista para lutar contra o apartheid, ja nao era uma estrategia viavel na luta contra o apartheid!que nao nos esquecamos q difetentemente da filosofia de mahatmha ghandi que presava o principio da nao-violencia como um principio de contestacao e nao uma estrategia.e mandela o principio da nao violencia era uma estrategia de luta e q se podia abdicar se necessario!nesta senda,mandela num primeiro momento sem aval dos seus camaradas do anc,solicita ao seu amigo e mentor walter sizulu,que participasse de uma reuniao em bucareste,de movimentos socialistas,para atraves disso viajar para a china em russia em busca de apoio material para a sua luta armada,uma vez que eram paises que pudessem apoiar nesse desiderato!! E por outro lado e preciso lembrar que num primeiro momento,mandela e uma ala importante do movimento,nao se sentiam confortados com a presenca de comunistas e mesticos dentro do movimento!mais tarde e q anc e o movimento comunista e que andaram de maos dadas!

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