Verdadeiros apóstolos do Senhor

Verdadeiros apóstolos do SenhorA palavra apóstolo vem do grego (apostellein) dizia respeito ao servo de alguém com uma autoridade maior que os outros servos, para executar determinadas tarefas específicas, ao ponto de ser enviado para cumprir determinada missão. O apóstolo estava sempre debaixo da autoridade de alguém para executar determinada ordem ou trabalho. Daí o fato de os doze homens escolhidos por Jesus para o representarem serem chamados de apóstolos. Reparem que Jesus não chamou um único representante para substituí-lo ou representá-lo, mas doze homens, um grupo, que mais tarde, seriam milhares.

No início da Igreja Primitiva o título ficava restrito somente aos que viram, andaram com Jesus e foram escolhidos diretamente por Ele: Os doze, como eram chamados (Marcos 3.14-19). Porém, depois do suicídio de Judas Iscariotes, os onze apóstolos se reuniram e de uma forma bem democrática e ao mesmo tempo teocrática, escolheram Matias (Atos 1.12-26). Democrática, porque escolheram dentre os demais com o apoio de toda a igreja, e teocrática, porque a escolha final coube ao próprio Deus quando escolheram o método da sorte.

Com o tempo, a palavra “apóstolo” foi usualmente sendo modificada para (“apostelo”), que significa alguém incumbido de levar algo de muita importância para outra pessoa. Daí sua utilização no caso eclesiástico: aquele que leva a mensagem do Evangelho. Hoje, o termo “missionário” corresponde exatamente ao sentido real de apóstolo.

Embora a Igreja Católica tenha colocado sobre Pedro uma espécie de papado dando-lhe maior autoridade sobre a igreja da época, os textos bíblicos revelam que a igreja primitiva tomava suas decisões sempre em assembleias chamadas de concílios. Vejam, por exemplo, Atos 15.

Jesus nunca formou um super apóstolo que estivesse sobre os outros, com toda a autoridade, mas formou um corpo de apóstolos para que decidissem juntos. Ele não deixou um substituto único com superpoderes infalíveis.

Nesse início, era bem difícil para alguém entrar nesse circulo fechado. Notem que o apóstolo Paulo teve sérios problemas para ser aceito nesse quadro, pois para alguns, seu contato com Jesus foi através de uma visão pessoal e não de um chamado com testemunho público, mas depois que todos entenderam a verdadeira função de um apóstolo, tudo ficou resolvido.

Embora o termo “apóstolo” continuasse a ser uma espécie de honra maior dada aos que andaram pessoalmente com Jesus, outros apóstolos foram escolhidos para executarem a obra na função que o nome determinava: enviados com a missão de pregar. Por exemplo: Barnabé e Saulo (nome hebraico de Paulo) – (Atos 14.14); Judas e Silas (Atos 15.22); Andrônico a Júnias (Romanos 16.7), etc.

Os novos apóstolos iamde cidade em cidade levando a mensagem e passando as informações da liderança em Jerusalém (At 16.4).

É bom que observemos que quando o apóstolo Paulo escreveu aos Romanos (1.1; 11.13) e aos Coríntios (1 Coríntios 1.1), ele está se referindo a sua consagração por imposição de mãos recebida pelo corpo de líderes da Igreja, composta de apóstolos, presbíteros e a própria Igreja reunida. Repare que o texto é claro: “Os discípulos decidiram, então, mandar uma ajuda, cada qual segundo suas possibilidades, aos irmãos que viviam na Judéia. Assim o fizeram. E enviaram a ajuda aos anciãos por meio de Saulo e Barnabé” (Atos 11.29,30).

Notem que Paulo, ainda chamado de Saulo, junto com Barnabé, são enviados por uma autoridade maior: a Igreja. Eles não se auto intitulam apóstolos ou qualquer outro título, a escolha é feita pelo Corpo de Cristo: a Igreja reunida. Paulo e Barnabé são separados para o ministério apostólico somente depois de comprovado valor demonstrado por obras e não por imposições ou guerrinhas pessoais. Reparemos no texto a seguir: “Havia profetas e mestres na igreja de Antioquia. Eram eles: Barnabé, Simeão, chamado o Negro, Lúcio, da cidade de Cirene, Manaém, companheiro de infância do governador Herodes, e Saulo. Certo dia, eles estavam fazendo uma reunião litúrgica com jejum, e o Espírito Santo disse: ‘Separem para mim Barnabé e Saulo, a fim de fazerem o trabalho para o qual eu os chamei’. Então eles jejuaram e oraram; depois impuseram as mãos sobre Barnabé e Saulo, e se despediram deles. Enviados pelo Espírito Santo, Barnabé e Saulo desceram a Selêucia e daí navegaram para Chipre” (Atos 13.1-4).

O texto acima é muito esclarecedor. Como já disse, Paulo e Barnabé não se auto proclamaram bispos ou apóstolos, eles foram separados, consagrados com a imposição de mãos e enviados (daí o nome apóstolo) pela Igreja. O que significa que toda a linda obra realizada por suas mãos, as igrejas fundadas, os obreiros consagrados e separados, as Cartas valiosíssimas; tudo estava devidamente debaixo de uma autoridade constituída.

Como comentado anteriormente, essa autoridade era formada dos apóstolos, dos presbíteros e da própria Igreja reunida. O próprio texto em referência (Atos 15. 2) nos mostra que a decisão era tomada pelos apóstolos (reunidos e não um sobre todos), os presbíteros (anciãos) e a igreja (todos os membros).

Quando Jesus ensinou (Mateus 16.16-18) que as portas do inferno não prevaleceria contra a Igreja, Ele estava falando de Sua Igreja, fundada por Ele. Portanto, devemos entender que o poder está sobre a Igreja e não sobre os homens. Quem separa, consagra e envia é a igreja. Qualquer grupo que queira sobreviver separado da Igreja não terá vitória verdadeira. Jesus ensinou que os que a Igreja ligasse na terra, seriam ligados no céu e os desligados na terra seriam também, consequentemente, desligados na terra. Quando um grupo se rebela e acaba desligado na terra, automaticamente, é desligado no céu. Qualquer igreja que Paulo fundasse não estando debaixo da autoridade da Igreja, não seria recebida no céu. Essa lei é de uma importância extraordinária, mas tem sido esquecida em muitos lugares.

Reparem a autoridade da Igreja em sua assembleia reunida; quando alguns problemas surgem por causa dos judaizantes, todos são chamados a Jerusalém para discutirem em uma assembleia geral, um concílio, para que as coisas se ajeitassem. Não havia um soberano, um“papa”, ou um único e soberano “apóstolo” sobre todos, tudo era discutido de forma democrática e teocrática (Atos 15).

Mais tarde, o próprio Paulo, que sofreu na carne esse problema, esclarece como essa função importante na igreja deveria ser observada: “Foi ele quem estabeleceu alguns como apóstolos, outros como profetas, outros como evangelistas e outros como pastores e mestres. Assim, ele preparou os cristãos para o trabalho do ministério que constrói o Corpo de Cristo” (Ef 4.11,12).

Notem que o cargo de apóstolo é colocado em pé de igualdade com o de pastor e os outros. Não há nenhuma distinção hierárquica. Então, um apóstolo é aquele que recebe autoridade para desenvolver um trabalho específico, debaixo de uma autoridade constituída e sempre com a imposição de mãos de seus superiores hierárquicos. O apóstolo deve relatórios, informações, obediência, ele não é soberano. Com o tempo e depois da morte dos apóstolos que andaram com Cristo, esse termo, “apóstolo”, foi caindo em desuso e o seu valor real, “missionário”, passou a ser mais usado pela igreja. Chamar alguém de missionário é o mesmo que chamá-lo de apóstolo.

Por, Jorge Videira.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Google Translate »