Uma tão grande salvação

Uma tão grande salvaçãoQuando pequeno, recordo-me das visitas periódicas ao médico. Para mim, tal qual a qualquer criança, eram chatas e dispensáveis. Mas por alguma razão, elas interessavam minha mãe, que tudo escutava e anotava. Quando aos 8 anos, porém, senti alguns incômodos no estômago, decidi escutar o que o médico tinha a dizer, porque de dor ninguém gosta: “Dona Marta, seu filho tem princípio de gastrite e não pode mais beber refrigerantes!” “Eu sabia! A gente vai ouvir os médicos e só escuta bobagem”, pensei. Eu perdi o refrigerante, e o médico a minha atenção, pois me era mais valioso o degustar que o bem estar. Deste período, trouxe uma lição: a atenção que damos às coisas que nos afetam é proporcional a importância que damos a nós mesmos.

Em Hebreus 2.1-3a, lemos: “Por isso é preciso que prestemos maior atenção ao que temos ouvido […] Porque se a mensagem transmitida por anjos provou a sua firmeza, e toda transgressão e desobediência recebeu a devida punição, como escaparemos se negligenciarmos uma tão grande salvação?”. O escritor sagrado está muito preocupado como a salvação está sendo cuidada por seus leitores. Importa a ele que os crentes hebreus não negligenciem aquilo que de Deus receberam, pois o que receberam é superior a tudo o que já tiveram um dia. E se não houvesse neles atenção, perderiam este algo precioso, aquela uma tão grande salvação.

Desejando demonstrar o valor inigualável da salvação, o escritor apela para algumas referências bem conhecidas dos hebreus, propositadamente comparando-as à salvação, e enaltecendo o maior preço que tem a obra redentora de Cristo, não importa como a comparemos.

Para começar, o valor que damos à salvação é o mesmo que damos à nossa alma. Quando as Escrituras pedem por maior atenção à salvação, apelam à certeza de que nos importamos realmente com nossas vidas e com as consequências eternas de nossas escolhas. Há quem julgue a satisfação de seus desejos e vontades como demonstração de amor próprio, quando na verdade é um exemplo de imprevidência e desmando. Quem ama a si cuida diligentemente de sua salvação e de seu estado eterno futuro.

O autor sagrado diz “tão grande salvação”. Afinal, a salvação é mesmo superior a tudo o que o homem conhece.

1. Quem anunciou é superior. O texto de Hebreus 2 alerta as palavras e as sentenças proferidas por anjos (algo muito corrente em toda a História Sagrada) sempre se cumpriram cabalmente. Se assim foi, imagina o que foi pregado pelo próprio Senhor: “esta salvação, primeiramente anunciada pelo Senhor” (Hebreus 2.3). Logo, a necessidade de salvação que todos não é invenção da Igreja evangélica ou das instituições cristãs históricas, mas é testemunho vivo e milenar proferido por Deus desde a fundação do mundo! Desde nossos primeiros pais, o Senhor já providenciaria a libertação do pecado por meio de Cristo Jesus, um tão grande salvador!

2. Ela foi superiormente confirmada por sinais. Vejamos com que simplicidade e pertinência o texto explica: “Deus também deu testemunho dela por meio de sinais, maravilhas, diversos milagres e dons do Espírito Santo distribuídos de acordo com a sua vontade” (Hebreus 2.4). Se a Salvação é mesmo algo tão bom, é claro que o é pelos bons resultados que produz, pelos sinais que a evidenciam!

Medite sobre nosso país por alguns instantes: a frustração geral que se abate sobre os brasileiros é provocada pela total ausência de sinais que confirmem a tão decantada superioridade do Brasil. Se fosse verdade que esse é um país sem pobreza, não veríamos nosso povo sofrendo com problemas que o mundo desenvolvido já superou há pelo menos 100 anos! Concluímos que não há superioridade em nada, pois os sinais nos mostram inferioridade em tudo!

Mas não é assim com a tão grande salvação outorgada por Deus. Ela tem sido confirmada pelos sinais: “E isso vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura” (Lucas 2.12). Eis ai um texto que pode confundir a muitos: se a salvação é superior, maior e mais forte que tudo, como pode ser que um recém-nascido deitado em uma manjedoura seja o sinal maior da salvação? A resposta é fácil: a salvação é superior, mas não é complexa! Ela é fácil de identificar como seria fácil aos pastores reconhecer um bebê descansando em uma cocheira – e quem o visse saberia que só poderia ser ele, e que como ele não haverá outro. A salvação é simples e pode ser recebida por qualquer pessoa. Simples assim!

3. Ela é completa e definitiva. Em Cristo fomos libertados de todos os pecados, para sempre e de uma só vez: “[…] ele fez isso de uma vez por todas quando a si mesmo se ofereceu” [Hebreus 7.27]. O Cristo era tão perfeito e puro, sem erros ou pecados, que uma só vez foi preciso que morresse por nós e nossos delitos. Logo, é superior a nossa salvação porque não pecado há pecado que a ela resista. Não há!

A superioridade de tão grande salvação está demonstrada na gravidade do perigo do qual nos liberta. O termo grego empunhado para expressar a dimensão desta salvação é menor que seu tamanho e poder! É uma salvação poderosa, muito superior a tudo o que se opuser a ela! Uma única coisa é capaz de resistir a esta tão grande salvação: o coração do homem que decidir-se por resistir a Cristo. Mas, como o próprio autor da Epístola aos Hebreus disse: “Se hoje ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações” (Hebreus 3.7 e 8).

Por, Gunnar Berg de Andrade.

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