Uma pequena pedra no Vale do Carvalho

Uma pequena pedra no Vale do CarvalhoContam que Alexandre, o Grande, certo dia foi informado da covardia de um de seus subordinados. O jovem soldado foi levado à presença de seu líder, que passou a inquiri-lo. Procurando provocar uma aproximação que, quem sabe, redimisse o neófito e estimulasse nele a contagem esperada de um combatente. Alexandre perguntou-lhe o nome. “Alexandre, senhor”, foi a resposta. Diante disso, o general atirou-se-lhe ao pescoço, furioso, enquanto repetia: “Mude seu nome ou mude sua conduta, soldado!”

Quem combate necessita saber da validade da causa em que está envolvido e do compromisso, exemplo e felicidade daquele que o alistou, razões pelas quais é sempre motivo de espanto lembrar da passividade e, talvez mais acertadamente, da covardia de Saul diante de um só homem, no impasse ocorrido no Vale do Carvalho. A afronta do gigante em nome dos filisteus durava já 40 dias, em dois episódios diários, somando, portanto, 80 ataques ao Deus de Israel. Os exércitos representavam, àquela época, não só nações ou fronteiras, mas o deus a quem adoravam. Golias atemorizou não apenas o rei, mas os filhos mais velhos de Jessé, cujos nomes podem, sem qualquer intenção determinista, simbolizar algumas posturas comuns àqueles que, mesmo aliados à guerra, omitem-se no dia do confronto com justificativas mentais que lhes servem de correntes e impedimentos.

O primeiro, Eliabe, cujo nome pode ser precipitadamente entendido como “Meu Deus é pai”, mas cuja tradução mais acertada é “Deus de meu pai”, representa o saudosismo cessacionista. Para “eliabes”, as ações sobrenaturais do Senhor habitam no passado. Deus parou, cessou, retirou-se do meio de Seu povo, sendo apenas lembrado pela glória dos dias antigos. O segundo, Abinadabe, cujo nome significa “Meu pai é generoso”, carrega consigo um entendimento equivocado dessa generosidade divina, crendo que Deus nunca permitirá que o mal suceda a Seu povo. Para Abinadabe, não importa cuidar para que o filho não se detenha no caminho dos pecadores, pois o amor de Deus não permitirá que mal algum suceda. Para ele, crises financeiras, conjugais, comportamentais e espirituais são todas impedidas pela crença de que a vida cristã é uma vida em redoma e não em campo de batalha. Abinadabe é negacionista do mal e que está sujeita toda carne. Também Semaías – “Jeová ouviu” – equivoca-se ao pensar segundo uma lógica fatalista. Para ele, uma vez que Deus sabe e está no controle de todas as coisas, o que é verdade, não há mais nada a fazer, o que é falso. Semaías crê no conceito de destino, e consola-se apenas crendo que aquilo que tiver de acontecer acontecerá. Para ele, batalhas já tem seu fim determinado. Orações, jejuns, busca, conselho, mudança de atitude, nada tem efeito. A guerra vira sepulcro de sonhos antes mesmo de iniciada.

Davi é o oitavo filho. Só sete filhos de Jessé são listados na genealogia, o que nos leva a crer que um veio a falecer sem deixar descendentes. Davi é o mais novo, é o amado, “Meu amado”, amado de Deus. Os que amam ao Senhor não procurarão justificativas para a omissão ou a inatividade. Não repousarão nas belas histórias do passado, não negarão o tamanho dos gigantes nem se prostrarão fatalisticamente. Levantar-se-ão sempre contra toda a ofensa ao Deus de Israel, ainda que as palavras, as leis e a retórica humana façam parecer, por instantes ou repetidos dias, que o mal venceu, que a batalha está perdida, que o Senhor não age mais sobre a Terra. Em tempos de decretos humanos contra a palavra e o nome do Deus Todo-Poderoso, Ele espera que Seus pequeninos “davis” prossigam. Ele sempre proporcionará o fluir das águas e das pequenas pedras-estratégicas, ferramentas do nosso combate. Sabendo que a luta não é contra carne ou sangue, mas contra principados e potestades, o povo santo prossegue proclamando as verdades do Altíssimo.

Incluído está, em nossas batalhas, o clamor por Israel. Para uma rápida ideia dos atuais conflitos, basta saber que, de julho ao início de agosto de 2014, 2.303 foguetes atingiram Israel; 115 atingiram áreas povoadas; 585 foram interceptadas pelo Domo de Ferro (proteção aérea antimísseis); 475, lançados com falhas ou imperícia, caíram dentro da própria Faixa de Gaza, 119 lançamentos de foguetes contra Israel falharam; 32 túneis foram neutralizados. Os foguetes disparados de Gaza partiram de escolas, locais religiosos, incluindo mesquitas, cemitérios e até hospitais, onde também estão fincadas estruturas do Hamas, de forma a promover um disfarce para fazer frente à mídia internacional, mesmo que tal medida exponha vítimas inocentes, inclusive crianças, mulheres e idosos. As palavras do comandante Ofer Winter, manchete nos jornais por causa do documento que enviou às tropas, ainda que alvo de severas críticas, refletem a postura e fé de um soldado de Israel que crê no Deus de Seu povo. “Eu confio que vocês, cada um de vocês, agirão com esse espírito, no espírito de guerreiros israelenses que estão na linha de frente. O Deus de Israel prospere nosso caminho, neste momento em que estamos prestes a lutar por seu povo Israel, contra o inimigo que difama Seu nome. Que suceda-nos como está escrito: ‘Porque o Senhor vosso Deus é o que vai convosco, a pelejar por vós contra os vossos inimigos, para salvá-lo’”. E responderam “Amém”.

O comandante Winter narrou uma experiência recente: um ataque havia sido planejado e a execução ocorreria ao amanhecer, valendo-se da escuridão noturna; tal não sucedeu, pois o ataque precisou ser adiado e, dessa forma, nada protegeria as tropas de serem vistas pelo inimigo. “De repente”, disse ele, “uma nuvem nos protegeu”. Segundo o oficial, um forte nevoeiro desceu e os encobriu até que alcançassem o alvo previsto. “Realmente foi um cumprimento do versículo ‘Porque o Senhor vosso Deus é quem vai convosco para dar-lhe vitória’”, disse Winter. Se um soldado de Israel ainda se crê amado de Deus e ama a Deus o suficiente para pôr-se de pé em favor de Seu nome, que diremos diante dessa fé e desse exemplo? Quem ainda está de pé? Ou carregamos esse Nome com dignidade ou mudemos de nome, pois Deus não mudou. Ainda é possível guerrear Suas guerras, com as armas não carnais de nossa milícia, e vencê-las em Seu Nome Eterno.

Por, Sara Alice Cavalcante.

One Response to Uma pequena pedra no Vale do Carvalho

  1. Alex disse:

    Muito bom. Gostei do contexto e a descrição individual de cade ser descrito.

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