Um nome sobre a fronte de Israel

Um nome sobre a fronte de Israel“Um nome que está na boca de todos e ainda assim nunca houve uma exposição dedicada a seu material”. Com essas palavras, James Snyder, do Museu de Israel, justificou a iniciativa de realizar a exposição de “Herodes, o Grande: A Jornada Final do Rei”, o mais custoso projeto arqueológico realizado pela instituição até hoje. Os objetos poderão ser vistos de 12 de fevereiro a 5 de outubro, e têm sido motivo de acirrada disputa com lideranças palestinas, que reclamam a posse do material. Desde 2007, quando o arqueólogo israelense Ehud Netzer anunciou ter encontrado o túmulo do monarca em escavações em Herodium, o nome do sanguinário idumeu não era objeto de tantos comentários. A exposição quer dar-lhe notoriedade, destacando-o como realizador, incompreendido pelos seus contemporâneos, e procurando amenizar a marca de sua figura como infanticida cruel.

Embora alguns céticos contestem a veracidade do relato de Mateus 2, a história do soberano confirma suas dificuldades familiares, em especial a desconfiança de que alguém dentre os seus pudesse tirar-lhe o trono, o que o levou a matar dois filhos. Alexandre e Aristóbulo, acusados de conspiração pelo meio-irmão Antípatre, sendo este igualmente executado três anos mais tarde por ordem do pai, sob a mesma acusação. A suspeita desproporcional que o levou a tais gestos justifica plenamente a loucura que o tomou ao saber do nascimento de um Rei ‘rival’, segundo seu tortuoso entendimento das palavras dos magos. Morreu no ano 4 a.C, dias depois de haver mandado executar Antípatre. Sucedeu-o Herodes, o Etnarca, ou Arquelau, considerado o filho de Herodes, o Grande, de pior reputação. Deposto por Roma, vem à tona, nos relatos bíblicos, a presença de Herodes, o tetrarca, ou Antipas, responsável pela morte de João Batista o que, segundo o historiador Flávio Josefo, deu-se pelo temor nutrido por Antipas ao grande apoio popular ao profeta, o que poderia provocar uma rebelião. Foi ele também um grande edificador. Jesus, porém, chamou-o de ‘raposa’ (Lucas 13.31 ss.). Alguns estudiosos, tomando esse atributo como válido para toda a sua casa, considera que é a eles que o Senhor se refere quando declara que ‘as raposas têm seus covis’. Ou seja, a expressão serviria para deixar claro aos interlocutores que a casa de Herodes vivia de suas maquinações suspeitas, de seu caminhar obscuro, entre covas e fendas de rochas, enquanto os romanos, no caso, ‘as aves do céu’, referência à águia, símbolo de de sua dominação, ‘têm seus ninhos’, ou seja, territórios ocupados pela força. Jesus, no entanto, nem seguiria o caminho das conspirações políticas, nem o caminho da força militar. Se alguém o quisesse seguir, soubesse que ardis ou violências não eram suas estratégias; pelo contrário, Ele não possuía ao menos lugar para descansar a cabeça.

Uma vez que Jesus não possuía lugar para repousar a fronte cansada, três conclusões tiramos de imediato: a primeira, de que sua vida terrena fora simples, destituída de riquezas e confortos; a segunda, de que proclamava um Reino que não é deste mundo, regendo-se por outros padrões de conduta e, terceiro, de que ele não necessita de apoio, pois sendo O Cabeça do corpo que é a Igreja, não a tem como substrato, mas está estabelecido sobre ela para regê-la, guiá-la, instruí-la e dar a ela identidade. Seu nome coroa o edifício espiritual, conferindo-lhe glória que, de outra maneira, não poderia obter. O nome do Cordeiro tem a supremacia, mesmo diante das raposas e das aves.

Apesar disso, a organização israelense Yad L’Achim, comandada por ultra ortodoxos está em campanha para impedir que o nome de Jesus apareça nos mantos de oração, ‘talidot’ (plural de talid), que vêm sendo vendidos em Jerusalém. Alguns deles, que podem ser encontrados na famosa rua Ben Yehuda, importante centro comercial da cidade, trazem a seguinte oração bordada: “Bem-aventurado és tu, rei do Universo, que encheu toda a Torah com Jesus, o Messias, e cobriu a todos nós com sua justiça”. Os opositores do judaísmo messiânico que consideram seus integrantes um grupo de “cristãos vestidos de judeus”, agora cobram da Yad L’Achim providências quanto ao que consideram uma afronta aos seus costumes e tradição. A iniciativa foge à condição pacificadora de apenas pedir para que fossem devidamente identificados os ‘talidot’ messiânicos e não messiânicos, e parte para uma perigosa atitude de proibição e de discriminação. Trata-se de uma questão bastante séria, afinal, que nome deve ser posto sobre a fronte de cada filho de Abraão? Ou não lhes é ordenado colocar sobre a fronte dos filhos O Nome do Eterno e assim abençoá-los?

Por motivos diversos, o Nome deixará de ser ministrado sobre aqueles que descem às águas do Jordão. Não por perseguição religiosa, mas devido aos altos índices de contaminação das águas do tradicional sítio de batismos, próximo a Jordânia, o Ministério da Saúde de Israel emitiu decreto proibindo sua realização. A poluição das águas está quatro vezes maior do que os índices aceitáveis e deve-se ao esgoto doméstico. O local será alvo de novos estudos e somente será liberado se houver significativa melhora, devidamente aprovada pelos ambientalistas. Os peregrinos que desejarem descer às águas do batismo, tornando pública a sua fé, precisarão entender as dificuldades de manutenção de um bem hídrico partilhado por diversas populações. Certamente isso não afetará a escolha espiritual que fizeram.

Assim, enquanto os 5.659.560 israelenses votam a 19ª. Knesset nos 10.235 centros de votação espalhados pelo país, pessoas lutam pela possibilidade de escolher o Nome que desejam pôr no governo de seus corações. Na boca de alguns está o nome de Herodes. Em outros lábios e outras frontes brilha o nome de Jesus.

POr, Sara Alice Cavalcante.

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