Terra de Israel, a Terra de Diversidade

Terra de Israel, a Terra de DiversidadeA pergunta mais recorrente nesses dias tem sido: “Há preconceito em Israel?”, para a qual somente pode ser dada uma resposta – em qualquer lugar onde existam filhos de Adão não tratados pelo toque transformador do Eterno já existiu, existe e, infelizmente, vai existir o preconceito. Pessoas amam pessoas e pessoas odeiam pessoas pelos mais diversos motivos. Quando não chegam ao ódio, transitam entre o distanciamento, o desprezo, a desconfiança e o desinteresse, e isso não é, repito, exclusividade de Israel, mas espalha-se pelas nações do continente africano, pelos países da Europa, contamina a Ásia, está presente nas Américas, quer seja no sul dos Estados Unidos ou no Brasil. O preconceito está democraticamente distribuído nas mais diferentes etnias e classes sociais.

O que não se pode pretender é transferir desvios comportamentais ou mesmo de caráter para atribuí-los a uma nação e considerá-los agentes motores da política nacional. Voltando à pergunta: “Há preconceito em Israel?”, alguns exemplos podem ajudar a melhor situar e dimensionar tal sentimento.

Durante um período de estadia em Jerusalém, o Senhor moveu o coração de um empresário para que me fizesse ofertas regulares por três meses. Os valores das ofertas foram, por ordem de Deus, direcionados a uma jovem irmã que dirige, com seu marido, um trabalho de oração na Cidade Santa. Aquele casal, que mal conhecia, sofria uma grande dor. Casados há sete anos, ainda não tinham filhos. As famílias de ambos acusavam sua conversão a Cristo como responsável pela esterilidade. Para aquelas famílias judias, o casal estava sendo punido por sua traição ao Deus de Israel. No entanto, quando as ofertas chegaram, o Senhor as designou para as crianças que estavam para chegar. Eles ainda não sabiam, mas o Deus vivo a quem serviam fielmente, abençoara o ventre materno e já os presenteara com duas lindas meninas, hoje o casal agradece ao Senhor pelas duas crianças que vieram somar em seu ministério.

Em Israel há preconceito entre judeus não messiânicos e messiânicos; há um forte distanciamento entre árabes cristãos e não cristãos, os russos ou egressos dos países da antiga União Soviética, são vistos com estranhamento por serem hermeticamente discretos, enquanto os indianos causam estranheza pela colorida maneira de vestir. Os drusos buscam marcar suas delimitações culturais e os beduínos são… beduínos, e isso há milhares de anos. As marcas que diferenciam os grupos não necessariamente traduzem-se em preconceito, mas, algumas vezes, sim. Outras vezes, manifestam-se em intolerâncias quase infantis, como o caso recorrente do motorista judeu não ortodoxo ou árabe, que decide atravessar as ruas de um bairro ortodoxo em pleno Shabath, fazendo soar bem alto a buzina. Enquanto isso católicos romanos e ortodoxos disputam acirradamente os espaços devidos a cada um na chamada Igreja do Santo Sepulcro, tolerando com dificuldade a presença do outro grupo, fato que obriga a polícia de Israel a fazer-se presente nas datas de maior movimento para evitar conflitos.

A pergunta persiste e exige resposta: o preconceito em Israel, presente entre alguns indivíduos e grupos, não caracteriza a política nacional. Se há, em contrapartida, algo que o Estado não tolera é a ilegalidade. Compreendamos: para manter a ordem e a paz numa área cercada de inimigos e em ‘estado de guerra’ (atenção, não é guerra, é estado de) precisa-se de todo o cuidado nas questões de segurança, e a presença de pessoas sem visto apropriado franqueia a penetração de opositores perigosos. Existe, ainda, o risco de que empresários inescrupulosos queiram cooptar trabalhadores africanos, especialmente de países marcados pela fome e pela guerra, para conduzi-los a executar tarefas perigosas ou estafantes, mediante baixos salários, o que caracterizaria trabalho escravo. Por não aceitar tais abusos, sejam eles à segurança local ou ao respeito humanitário, o governo decidiu pela saída de migrantes ilegais, oferecendo a cada um, como medida também humanitária, mais de 3 mil dólares, para cobertura de suas despesas imediatas. É esse um costume entre as nações?

O apelo da mídia antissemita, ainda marcada pela decisão manifesta pelos Estados Unidos desde 1995 e, enfim, divulgada, de transferir sua embaixada para Jerusalém reflete um esforço de colocar Israel como centro e causa dos problemas mundiais e é uma tentativa de, mais uma vez, levantar acusações por crimes contra a humanidade. Há uma sugestão pertinente nesse momento de esquecimento histórico, a saber, fazer uma revisão das operações para levar os judeus falashas (etíopes negros) de volta à terra de seus ancestrais, ocasiões em que foram requisitados recursos em inteligência estratégica, recursos materiais em transporte e adaptação, recursos médicos e assistenciais das mais diferentes formas para que os filhos de Sião, independentemente da cor de sua pele, fossem recebidos com dignidade. Com os filhos de Manassés, vindos da Índia e trazendo as cores de suas roupas e peles, outros e semelhantes esforços estão sendo feitos. A ilegalidade, porém, não será bem recebida.

Devolvamos, portanto, a pergunta com outra pergunta, uma que já tem percorrido os séculos e deve encontrar corações atentos, a saber: “Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o Senhor e contra o seu Ungido” (Salmo 2.1-2).

A perseguição contra Aquele a quem não conhecemos não é nova e, por vezes, é feita de forma indireta. Assim, se não podemos atingir o Criador, procuramos atacar aqueles ou aquilo que Lhe é caro. A atitude tem seu melhor caminho de mudança quando o verdadeiro alvo de nossas perseguições nos encontra, lança sobre nós sua gloriosa luz e identifica-se – “Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (Atos 9.5).

Por, Sara Alice Cavalcanti.

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