Tempus fugit: o tempo foge

Tempus fugit - o tempo foge“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora, tenho mais passado que futuro” – essa afirmação foi feita por alguém que já viveu um certo tempo, alguém experiente, “maduro”.

Durante todo o desenvolvimento da história da humanidade o homem tem criado formas de medir o tempo utilizando-se desde a sombra que a posição da luz solar emitia em algum objeto na superfície terrestre para se localizar em qual faze do dia ele estava, até o relógio atômico que mede as trocas de energias no interior do átomo (forma mais precisa de medir o tempo já criada pela mente humana).

Nessa busca por instrumentos que pudessem marcar o tempo, o relógio de sol é o mais antigo instrumento de medição. Foi inventado há pelo menos 3.500 anos. Nele, as horas são indicadas pela sombra que o gnomon (objeto que, pela direção ou comprimento de sua sombra, indica a hora do dia numa superfície horizontal). Essa sombra se move conforme a Terra gira em torno do Sol, mostrando a passagem do tempo.

Depois dele, vem o relógio de areia, também conhecido como ampulheta – um instrumento construído de dois recipientes em forma de cone que estão interligados por uma pequena passagem – nele, o tempo é marcado pela passagem da areia do recipiente de cima para baixo.

E o que dizer da Clepsidra, relógio de areia? Ele era utilizado principalmente durante a noite, quando não era possível se basear no horário por intermédio do sol. Formado por dois recipientes, colocados em níveis diferentes, sendo uma na parte superior, contendo água, e o outro na parte inferior, com a marcação das horas na parte interna. Por meio de uma abertura no recipiente de cima, o líquido escorre, gradualmente, para o de baixo, ou seja, utilizando-se da força da gravidade. A clepsidra mais antiga foi encontrada no Egito.

Foi somente por volta de 1504, que Peter Henlein, na cidade de Nuremberg, fabricou o primeiro relógio de bolso, denominado pela forma, tamanho e procedência, de Ovo de Nuremberg. Foi construído basicamente de ferro, com corda para quarenta horas, e um precursor da “mola espiral”. Era constituído por um indicador e por um complexo mecanismo para badalar. Foi sem dúvida, em muitos países, o acelerador para diversas invenções e melhorias, principalmente na Europa, engatilhando, de maneira vertiginosa, a indústria relojoeira.

Do relógio de bolso para os de pulso, não levou muito tempo. A Primeira Guerra Mundial foi o marco definitivo no uso do relógio de pulso, já que os soldados precisavam de uma forma prática de saber as horas.

Além desses pequenos e essenciais acessórios, talvez tenhamos em nossa memória a lembrança de um grande e belo relógio de pêndulo, não somente como um imponente objeto de decoração, mas como um grande vilão a nos avisar que o tempo não para e não espera, ele foge sem que possamos alcançá-lo. A invenção do relógio de pêndulo é atribuída ao holandês Christiaan Huygens no ano de 1656. Utiliza pesos para fornecer a energia necessária para mover os ponteiros.

A partir do século XX, este instrumento foi superado em precisão pelo relógio de quartzo e depois pelo relógio atômico, mas continua a ter certo emprego pelo valor estético e artístico.

Recentemente, na década de 1970, foi criado o relógio digital que, para funcionar, utiliza a energia elétrica, geralmente de uma bateria. É pequeno, preciso e relativamente barato, por isso tornou-se popular. Hoje está integrado a outros equipamentos eletrônicos, como aparelho de som, forno de micro-ondas, telefone celular.

De todos esses instrumentos medidores do tempo, o Relógio Atômico (criado em 1955), é o mais preciso. Seu funcionamento depende das propriedades do átomo. Desde 1967, a definição internacional do tempo baseia-se num relógio atômico, assim como os relógios, satélites e aparelhos de última geração.

Ampulheta, relógio analógico, digital – invenções humanas que podem medir o tempo, mas jamais pará-lo. Antigos ou modernos, simples ou requintados, o homem precisa deles para situar-se no tempo.

As invenções para medir o tempo são fruto da mente humana, mas apesar das mudanças e aperfeiçoamentos, o homem não tem poder sobre o tempo. Ao voltarmos nossos olhos para as Escrituras Sagradas, percebemos que Deus é o único que determina os tempos (Atos 17.26). O salmista reconhece isso quando afirma: “os meus tempos estão nas tuas mãos” (Salmos 31.90). “Do Senhor é o dia e a noite” (Salmos 74.16).

Moisés, no Salmo 90 metaforiza o tempo da nossa vida comparando-o a um conto ligeiro. O conto é o gênero literário conhecido por sua curta extensão. Além de comparar a vida a um conto, este é ligeiro, mostrando ao homem a fragilidade e brevidade da vida. Ora, se a vida é tão curta como contar nossos dias, já que não dominamos o tempo? (Eclesiastes 9.12). Aquele que estabelece os tempos e as estações é o mesmo que nos ensina: “tendo um coração sábio” (Salmos 90). Um homem que conduziu uma nação pelo deserto durante 40 anos, pode falar sobre o tempo com propriedade.

O tempo – essa incógnita que o homem não consegue decifrar, pertence a todos: sábios e entendidos, indoutos, jovens, velhos, ricos e pobres, famosos e anônimos. E há tempo para todo propósito debaixo do sol (Eclesiastes 3).

Dependendo da situação, o tempo pode, para alguns, passar relativamente rápido; é o caso de quem tem, por exemplo, de entregar um trabalho dentro de um determinado prazo. As horas parecem voar e os ponteiros do relógio correm desenfreadamente. Em contrapartida, uma mãe grávida pode achar os últimos dias de uma gestação, intermináveis, uma eternidade; o desejo de ver o rosto do bebê, a vontade de tê-lo nos braços, podem fazer com que tenha a sensação do tempo não estar passando ou ainda, estar andando muito lentamente. Para Deus não há diferença, pois, um dia é como mil anos e mil anos como um dia (2 Pedro 3.8).

Nas Santas Escrituras encontramos o tempo favorável em Isaías 49.8, o tempo oportuno (2 Coríntios 6.2), mas também o tempo de angústias (Salmos 37.39), o mau tempo ao qual estamos todos sujeitos – ambos feitos pelo próprio Senhor (Eclesiastes 7.14). Em tempos de um evangelho de facilidades constantes, os verdadeiros cristãos precisam compreender que viver para Cristo é padecer perseguições e, portanto, estar sujeito ao tempo de desventura com a esperança de que o tempo de cantar chegará: “Porque eis que passou o inverno: a chuva cessou e se foi. Aparecem as flores na terra, o tempo de cantar chega, e a voz da rola ouve-se em nossa terra” (Cantares 2.11-12).

Por ocasião de uma conversa com os fariseus e saduceus Jesus os repreendeu por conhecerem apenas os aspectos aparentes do tempo e não as circunstâncias que o determinam. Isso nos leva a uma reflexão no mínimo interessante: que tempo é esse que estamos vivendo?

O apóstolo Paulo nos alerta: O tempo é já (Romanos 13.11) e precisamos aprender a aproveitá-lo da melhor forma possível. Em tempos de “falta de tempo” de “perda de tempo”, é preciso remir o tempo (Efésios 5.15-17), é preciso guardá-lo e isso, exige esforço e planejamento.

Voltando a questão de conhecermos o tempo presente, mais uma vez é preciso atentar-se ao que nos ensina o apóstolo Paulo:

  • São tempos difíceis, trabalhosos (2 Timóteo 3.1).
  • Tempos em que as pessoas querem, a todo custo, desviar-se da verdade (2 Timóteo 4.3), por isso é preciso buscar ao Senhor enquanto se pode achar (Isaías 55.6).

O tempo está se tornando cada vez mais escasso, já não há tempo para discussões inúteis, para tratar de assuntos que não nos dizem respeito (especialmente sobre a vida alheia), para melindres, futilidades e mediocridades.

Outra questão que se impõe, diante dessa temática é: O que fazer com o tempo que o Senhor tem nos dado?

  • Fazer o bem o tempo todo e o tempo todo fazer o bem (Gálatas 6.9-10).
  • O tempo é precioso e por isso passá-lo na presença de Deus deve ser nosso alvo (Salmos 84.10).

“Porque vale mais um dia nos teus átrios do que, em outra parte, mil” (Salmos 84.10).

Por, Edna de Moraes Reis Lourenço.

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