Tema do bom pregador: o Calvário

Tema do bom pregador - o CalvárioO tema central da fé cristã é a morte expiatória do Senhor Jesus Cristo, metaforicamente mencionada por piedosos cristãos como a Cruz de Cristo ou, simplesmente, a Cruz.

O sacrifício peremptório suficiente e glorioso de Jesus Cristo pelo pecador perdido é o maior acontecimento da história. Tem ordem expressa do Senhor para ser lembrado em celebração: “fazei isto em memória de mim” (1 Coríntios 11.24). O apóstolo Paulo descreve a Cruz de Cristo como meio reconciliação do homem com Deus, como também de integração e comunhão entre os irmãos (Efésios 2.16). Aqueles que verdadeiramente estão aos pés da Cruz vivem em amizade, pois inimizade foi morta pela Cruz.

A Cruz sempre exerceu função essencial no Plano de Deus para o homem, porque mesmo antes de se criar o mundo e tudo que nele há, na eternidade, Deus concebeu a ideia da Cruz e o sacrifício de Cristo pelo mundo perdido. Jesus Cristo é o Cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo (Apocalipse 13.8), “o qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós” (1 Pedro 1.20). Destarte, antes de Deus dizer haja luz, Ele disse: haja Cruz! A centralidade da Cruz é reconhecida na pregação do Apóstolo Paulo. Ele diz aos Coríntios: “porque nada me propus saber entre vós senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Coríntios 2.2). Expressamente ele afirma: “nós pregamos a Cristo crucificado” (1 Coríntios 1.23). Por sua vez, o apóstolo Pedro faz menção do sangue de Jesus Cristo em suas cartas reconhecendo na Cruz o preço do nosso resgate. Ele eleva o sangue de Jesus acima de qualquer valor, não encontrando nenhum bem que possa servir de comparação a tão sublime sacrifício (1 Pedro 1.18-20). Semelhante comportamento tiveram os demais apóstolos. A Bíblia está inteiramente voltada para esse espetáculo imortalizado nas letras do hino: “Como emblema de vergonha e dor”. Poderemos escrever toneladas de papel sobre a relevância da Cruz e ainda assim não chegaremos a descrever o quanto ela é fundamental.

A despeito de tudo isso, nos dias atuais, estamos acometidos por uma onda que, sorrateiramente, subtrai a Cruz das pregações, dos cânticos e do viver cristão. Trata-se de um sintoma maior que tenta colocar o cristianismo em coma induzido, para viver uma espiritualidade irreal, alucinante e esquizofrênica. Esse coma induzido retira a consciência do Cristianismo e a racionalidade do culto cristão. Produz alucinações nas mentes desprovidas do conhecimento da Palavra levando-os a pensar que pode haver Cristianismo sem Cruz. Os sintomas são pregações e canções que são verdadeiros mantras que levam multidões ao delírio, fazendo pensarem serem “super seres humanos”, que, num dado momento, enquanto em“transe”, vivem uma irrealidade de que podem todas as coisas sem a Cruz. E há até quem se gloria, mas não na Cruz de Cristo. É evangelho falsificado, sem cruz e sem renúncia. Evangelho sem salvação.

A mensagem da salvação, tão presente nos hinos antigos e na boa homilia, está ausente dos cânticos triunfalista e das pregações de auto-estima bem frequente nos dias atuais. Muitos pregadores hoje se preocupam mais com sua popularidade do que com a eficácia da mensagem no tocante a conversão do pecador. Pela ausência do tema do Calvário, nenhuma palavra vinda do púlpito vai despertar no ouvinte sua condição de perdido e miserável pecador, que precisa se arrepender e crer no Evangelho. Muitos não levam a sério os dois fundamentos da pregação ensinados pelo Senhor Jesus Cristo: o arrependimento e a remissão de pecados (Lucas 24.47).

É triste perceber que, ao invés de se transmitir a mensagem da Cruz, muitos preferem massagear o ego do ouvinte com mensagens de autoestima e promessas que Deus não fez. Utiliza-se muitas vezes em vão o nome do Senhor para promover alteração no estado emocional das pessoas. Prefere-se esse desvio a simples e eficaz mensagem da Cruz. Mas por quê? Porque a Cruz exige renúncia. A cruz exige uma identificação com Cristo e seu vitupério (Hebreus 13.13). Exige um compromisso de caminhar no sentido contrário ao “eu”, à autossuficiência e ao amor próprio. A palavra da Cruz é loucura para os homens naturais, homens psíquicos, guiados pelas emoções. De fato, pode parecer loucura para muitos que fogem da mensagem da Cruz, porque este tema não lhe garante popularidade e dividendos. A mensagem da Cruz é a voz e Deus que arranca as cascas das árvores (Salmos 29.9). A Cruz nos faz entender que todo mérito é do Senhor Jesus. Nenhum homem, por mais eloquente que seja, pode propor novo centro da mensagem.

Numa época onde os homens buscam o prazer acima de tudo, onde queimam etapas e se desconsideram princípios e valores fundamentais os quais o Senhor nos ordenou a estrita observância, a mensagem da Cruz parece caminhar no sentido contrário do senso que informam muitos oradores. Isso porque eles preferem seguir os caminhos da popularidade ao invés da senda verdadeira da ignomínia da Cruz. Assim, é preferível falar de sucesso humano, da aquisição de riquezas e do prazer acima de tudo. Entretanto, Jesus Cristo falou: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me” (Lucas 9.23).

Ao invés de loucura, a mensagem da Cruz é Poder de Deus. É sabedoria de Deus (1 Coríntios 1.24). A esquizofrenia reside mesmo na mensagem sem Cruz. Os bons pregadores pregam o Calvário.

Por, Jossy Soares.

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