Sumo sacerdote designado em Israel

Arqueólogos descobrem e reconstroem parte do piso do Segundo Templo

Sumo sacerdote designado em IsraelDois importantes acontecimentos recentes em Israel chamaram a atenção dos estudiosos da Bíblia Sagrada, especialmente aqueles que se dedicam ao estudo da Escatologia Bíblica (ramificação da Teologia que estuda os eventos futuros): a reconstrução de sete partes originais do piso do Segundo Templo, edificado por Herodes, no alto do monte Moriá e que foi destruído no ano 70 d.C. (tal acontecimento contribui no esforço da reconstrução do santuário em Jerusalém) e a escolha do sumo sacerdote para o futuro Templo. Segundo estudiosos, esses acontecimentos servem como alerta para a proximidade do Arrebatamento da Igreja, evento que vai anteceder o período da Grande Tribulação (Jeremias 30.5-7; Daniel 12,1; Mateus 24.21, 33; 1 Tessalonicenses 4.13-18; Apocalipse 7.13-14, 19.7,8,14).

Aqueles que anseiam pela reconstrução do Templo no alto do Monte Moriá animaram-se com a notícia de que, após 12 anos de escrupulosa pesquisa de arqueólogos israelenses, foram reconstruídas sete partes originais do piso que pertencia ao santuário erguido pelo rei Herodes Magno, no alto do monte Moriá. Os especialistas depararam-se com um verdadeiro “quebra-cabeças”. Foram coletados 600 pedaços da cerâmica levantada dos escombros que a administração palestina do Monte do Templo tentou ocultar dos pesquisadores. Os muçulmanos tentam há anos destruir provas da história judaica na região.

Para salvar relíquias da história israelense, o projeto “Peneirar o Monte do Templo” tem se dedicado a resgatar moedas, potes e cerâmicas antes de serem descartados de maneira ilegal, em meio a toneladas de terra escavadas e lançadas fora como aterro. Esses fragmentos do piso, semelhantes aos ladrilhos modernos, fazem parte do trabalho supervisionado por Gabriel Barkay e Yitzhak Dvira. “O material reconstruído é de uma beleza excepcional, e provavelmente foi utilizado nos pórticos, na entrada do acesso ao Templo. O historiador judeu Flávio Josefo descreveu em seus escritos que esses materiais eram coloridos. Temos aqui pela primeira vez um vislumbre da beleza do lugar”, comemora Barkai.

Jesus pode ter caminhado no piso encontrado

O material encontrado pelos arqueólogos foi, originalmente, importado de Roma, Ásia Menor, Tunísia e Egito, o piso é formado por mosaicos que foram cortados em formas geométricas distintas. Provavelmente artesãos estrangeiros foram os responsáveis pelo trabalho e enviaram para Herodes, pelo imperador Augusto.

As peças foram reconstruídas graças ao esforço de Frankie Snyder, especialista em pisos decorativos antigos e que trabalha com o projeto Peneirar. Snyder afirma que o estilo conhecido por Opus Sectile, era distinto de pisos exclusivos fabricados naqueles tempos. O material era composto por pedras multicoloridas polidas e cortadas para formar uma diversidade de formatos geométricos. Esta decoração de pisos foi encontrada tanto em outras construções de Herodes como também nas ruínas dos palácios erguidos por ele em Massada, Herodium e Jericó. Os arqueólogos explicam que uma característica-chave desses mosaicos da época de Herodes é o seu tamanho, correspondente à medida de um pé romano: 29,6 centímetros. “Este provavelmente é o piso por onde as moedas rolaram quando Jesus virou as mesas dos cambistas!”, acredita o doutor Barkay.

Os estudiosos afirmam que tal achado é a mais forte evidência física e arqueológica que havia um santuário judaico instalado no Monte do Templo há mais de 2 mil anos atrás. “É a primeira vez em que arqueólogos foram capazes de restaurar com sucesso um elemento do complexo que formava o Segundo Templo”, comemora Zachi Dvira, co-fundador e diretor do projeto Peneirar. Até então os artefatos catalogados pelos arqueólogos eram moedas, selos, pedaços de argila e cerâmica da época.

Escolhido o sumo sacerdote de Israel

Na antiga Israel, a figura do sumo sacerdote era, sem dúvida, uma das mais requisitadas e importantes do contexto religioso e político. A sua emblemática presença entre os cidadãos israelitas significava não somente o dever do cumprimento da Lei Mosaica, mas também a figura do homem por Deus escolhido para representá-lo diante do povo eleito. Segundo comentário do pastor Donald Stamps na Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD), cabia a ele fazer expiação, uma vez por ano, pelos pecados do povo eleito, supervisão geral do santuário, e as demais atividades sacerdotais. Oferecia sacrifícios nos dias de repouso, e presidia o Sinédrio (suprema corte legislativa e judicial judaica), quando se tratava de questões religiosas. Embora o sacerdócio tenha sido interrompido com a Diáspora (ocasionada pela destruição de Jerusalém e a dispersão do povo hebreu), agora o Estado de Israel elegeu um sumo sacerdote para conduzir o judaísmo na Terra Santa, após um hiato de mais de 2 mil anos.

Em sintonia com o ambiente gerado na reconstrução do Templo na capital de Israel, surge a pessoa do rabino Baruch Kahane, ligado ao Instituto Berurá Halacha, como o escolhido para exercer tal função. No círculo religioso, Kahane é considerado um erudito no que diz respeito às leis relacionadas ao serviço no templo. O novo sumo sacerdote foi criado pelo rabino Avraham Isaac HaCohen Kook, e especialista na elucidação da lei judaica a partir de suas fontes talmúdicas (Lei Oral) e comentários. Os preparativos da reconstrução do Templo ganhou tamanha magnitude que Kahane foi o nome apropriado para exercer tal função no panorama religioso hebreu, uma vez que ele o seu desempenho tem sido importante na reorganização dos serviços do Templo já realizadas até hoje. O Instituto do Templo promove essas cerimônias pois servem como um “ensaio” para que a logística funcione após o término da construção do novo prédio.

A escolha do novo sumo sacerdote foi de responsabilidade do novo Sinédrio. O porta-voz da entidade, o rabino Hillel Weiss, explicou que, embora ainda não haja um Templo erguido, contudo, existia a necessidade da presença do sumo sacerdote. “Para tomar esta decisão relevante não precisamos de um acontecimento milagroso, como o aparecimento repentino de um templo descendo do céu”, declarou ao site de notícias Breaking Israel News.

“O que podemos observar nesses dois eventos é o prenúncio do restabelecimento das funções sacerdotais ligadas ao Templo em Israel. A Palavra de Deus afirma que vai acontecer uma restauração que resultará na construção do santuário e que estará de pé nos dias da Grande Tribulação, e será em seu interior que o iníquo mencionado pelo profeta Daniel em seu livro, pretenderá ser adorado. Veja, não estamos falando do período milenial e nem da qualificação de sacerdotes para esse tempo, pois a qualificação desses sacerdotes será realizada pelo próprio Senhor Jesus Cristo, após o seu retorno para o remanescente que sobreviverá em Israel. Também o santuário que vai funcionar no Milênio segundo os moldes descritos pelo profeta Ezequiel, não será o mesmo que se pretende erguer em Jerusalém”, explica a professora de Língua e Literatura Hebraicas, mestre em Literatura Brasileira e doutora em Literatura Comparada e membro da Assembleia de Deus em Bonsucesso (RJ), Sara Alice Cavalcanti.

Por, Eduardo Araújo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Google Translate »