Sob escarlata em tempo de neve

Sob escarlata em tempo de neveVivemos em dias onde, infelizmente, encontramos em nosso meio um grande número de irmãos desanimados, frustrados, estagnados ministerialmente, e também um grande número de pessoas que outrora serviam a Deus com afinco, porém com o decorrer do tempo deixaram a chama do Evangelho se apagar. Uma grande “nevasca” espiritual tem assolado tais vidas. Quando estudamos a Palavra do Senhor, mas precisamente em Provérbios 31.21, vemos o escritor afirmar: “Não teme a neve em sua casa, porque toda a sua família está vestida de escarlata.” Quando falamos da escarlata, não há como não se lembrar do sangue de Jesus que nos purifica de todo pecado (1 João 1.7). Também não há como não se lembrar da história de Raabe (Josué 2), uma prostituta que morava em Jericó, que faz um pacto com os espias, no qual um fio de escarlata deveria ser colocado por ela na janela de sua casa; esta seria a garantia de segurança e proteção de sua família. Tendo o sangue de Cristo aspergido sobre nossas vidas temos a certeza que as potentes mãos do Senhor estão a nos guardar todos os dias.

Meditemos nos males que uma “nevasca” pode causar:

Perda da visibilidade – Durante uma nevasca a visão fica limitada, tornando-se impossível ver ao longe. Quando nossos olhos espirituais não estão abertos começamos a ver mais os problemas e dificuldades à nossa volta do que a providência da parte de Deus. Vemos apenas o exercito inimigo nos cercando, porém não conseguimos ver os cavalos e carros de fogo ao nosso redor (2 Reis 6). Quando perdemos o foco, passamos a viver sem motivação, sem saber onde iremos chegar. Porém todo servo de Deus não pode perder a visão da cruz. Temos que estar com os pés na terra, mas com os olhos nos céus de onde o nosso Senhor virá para nos buscar.

Dificuldade de mover-se – A muita neve dificulta a locomoção; até mesmo uma caminhada exige muito esforço físico. Muitos têm parado no meio da caminhada, desistindo do projeto de Deus em suas vidas, abandonando a chamada do Senhor. Porém “ninguém que lança a mão ao arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus” (Lucas 9.62). Se nós ansiamos o Céu não podemos parar, é hora de marchar, é hora de prosseguirmos avante porque “as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que nos há de ser revelada” (Romanos 8.18). Em nós mesmos não encontramos forças para passar pelos obstáculos, mas “nele [o Senhor] vivemos, e nos movemos e existimos” (Atos 17.28). Caro leitor, você pode estar pensando que sua jornada está acabando, mas quero que saibas que é ainda apenas o começo de uma caminhada vitoriosa para a glória de Deus.

Lábios se racham – Ocasionando dificuldade para sorrir e falar. Nosso Deus está à procura de verdadeiros adoradores que O adorem em espírito e em verdade. Temos que sentir prazer em adorar ao Senhor e jamais perder o que temos de mais precioso em nossas vidas: a alegria da salvação. Quem sabe você está dizendo que as dificuldades estão tão grandes que o impossibilita alegrar-se, porém Paulo afirma que porque fomos comprados por bom preço devemos glorificar ao Senhor em nosso corpo e espírito (1 Coríntios 6.20). Façamos como Paulo e Silas na prisão, cantemos hinos de louvor a Deus durante as aflições.

Sentimos frio –Logicamente a neve nos faz sentir frio, levando o nosso corpo à hipotermia (queda da temperatura normal do organismo que é de 36,5 a 37,5). Esta perda de temperatura ocasiona algumas reações no corpo, que quando fazemos um paralelo à vida espiritual aprendemos coisas profundas. Vejamos:

1) 35 graus – O individuo sente cansaço, apatia e fadiga e tem capacidade de julgamento afetada: por isso que quando começamos a esfriar na fé, ir a Casa do Senhor é pesaroso; fazer algo para Jesus é cansativo e não sabemos mais discernir o santo e o profano.

2) 30 graus – Fluxo sanguíneo diminui e sua frequência cardíaca pode chegar a 1 ou 2 batimentos por minuto; indivíduo parece morto e fica insensível: esfriando na fé um pouco mais perdemos totalmente a sensibilidade à presença e voz do nosso Deus.

3) 20 graus – O coração para, o indivíduo morre: o salário do pecado é a morte (Romanos 6.23).

Mediante tais afirmações alguns procedimentos devem ser tomados para mudar tal estado:

1º – Retirar o indivíduo do ambiente frio – Não existe lugar mais quente que a Casa de Deus, a qual é aquecida pela Sua glória. Somente lá podemos ser restaurados e fortalecidos.

2º – Abraçar o indivíduo para que sua temperatura corporal o ajude – Um dos alicerces da Igreja do Senhor é a comunhão e o amor. Quando amamos não nos conformamos em ver um irmão naufragar na fé, mas estendemos a mão a ele e não abrimos mão de tal vida.

Querido leitor, fomos chamados por Deus para sermos brasas vivas, para incendiarmos nossa nação com o poder de Deus. É tempo de estarmos transbordantes da presença de Deus para que através dos nossos lábios vidas sejam transformadas pelo poder da Palavra do Senhor. Se você se encontra em uma situação de frieza espiritual, saiba que Cristo é aquele que não apaga o pavil que fumega (Isaías 42.3), então seja renovado pelo Senhor, pois Ele não desistiu de você, e o sangue dEle te purifica de todo pecado e te livra de toda “nevasca espiritual”.

Por, Lincoln Alves de Fontes.

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