Sinais no céu: meteoros iluminam céus da Rússia, Cuba e Califórnia

Renúncia do papa seguida de fenômenos provoca teorias equivocadas sobre a identidade do “sétimo rei” mencionado em Apocalipse 17.10

Sinais no céu - meteoros iluminam céus da Rússia, Cuba e CalifórniaCerca de 1,5 mil ficaram feridas na região dos Urais, na Rússia, devido à explosão do meteorito que singrou e iluminou de forma impressionante os céus russos em 15 de fevereiro. A explosão, ocorrida a quilômetros do solo, foi o suficiente para provocar uma pressão no ar equivalente a uma explosão de 20 bombas atômicas do mesmo tipo daquela que caiu em Hiroshima em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial. A NASA – a Agência Espacial Norte-Americana – ressaltou que o meteorito que atingiu os Urais é o maior desde o que caiu em Toungouska, na Sibéria, em 1908, derrubando e queimando árvores num raio de pelo menos 20 quilômetros. Os prejuízos do meteorito na Rússia chegaram a 30 milhões de dólares.

Dois dias antes, na noite de 13 de fevereiro, os moradores da cidade de Rodas, na província de Cienfuegos, em Cuba, disseram ter presenciado a queda e a explosão de um corpo celeste, segundo noticiou uma emissora de televisão local. O cubanos afirmam que o corpo celeste explodiu no céu, provocando uma luz intensa e fazendo as casas tremerem. O feixe de luz teria o tamanho de um ônibus, relatou a emissora. Um morador de Rodas disse que “por volta das 20h locais de quarta-feira, uma luz se movia no céu e se converteu em uma chama muito grande”. Depois de três minutos, segundo ele, pôde-se ouvir uma explosão.

Em 15 de fevereiro, mesmo dia da aparição do meteoro no céu da Rússia, o asteroide 2012 DA14 se tornou o que mais próximo já passou da Terra, a uma distância de 27 mil quilômetros; e nos Estados Unidos, a queda de outro corpo celeste iluminou a noite da Califórnia.

Diante da coincidência da manifestação de tantos fenômenos celestes no mesmo dia, surge a pergunta: afinal de contas, existe alguma relação entre esses fenômenos e as profecias bíblicas?

Não podemos afirmar com certeza, mas é fato que Jesus, em seu Sermão Profético, ao falar dos sinais da proximidade de Sua Segunda Vinda, mencionou dentre eles “grandes sinais do céu”, que Ele não descreveu quais seriam.

Sinais dos tempos

Ao mencionar os sinais da Sua Segunda Vinda, Jesus fala primeiro de grandes  guerras e revoluções: “Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não vos assusteis; pois é necessário que primeiro aconteçam essas coisas, mas o fim não será logo” (Lucas 21.9). Ora, tivemos nos últimos séculos grandes revoluções sangrentas, como, por exemplo, a Revolução Francesa, em 1789, e a Revolução Russa, em 1917. Também tivemos duas grandes guerras mundiais. Mas, diz Jesus: “Não vos assusteis; pois é que primeiro aconteçam essas coisas, mas o fim não será logo”. Ou seja, isso seria só o início. Ainda haveria muita coisa pela frente. E Ele prossegue listando-as: “Levantar-se-á nação contra nação, e reino contra reino [o que vemos ainda hoje]; haverá grandes terremotos [o que temos visto bastante], epidemias e fome em vários lugares [o que também é uma realidade, e Ele conclui acrescentando], e coisas espantosas e também grandes sinais do céu” (Lucas 21.9-11).

Grandes sinais do céu fazem parte dos vaticínios de Jesus. Portanto, é algo para se esperar. Além do mais, é verdade que meteoritos como o que explodiu no céu da Rússia caem na Terra com certa frequência, como afirmam os especialistas, só que sempre em desertos e no mar. Este, não. Ele explodiu em uma região povoada. Logo, é algo para refletir. Refletir, pelo menos, na nossa pequenez diante desse imenso universo criado por Deus. E refletir como poderá ser o juízo divino da Grande Tribulação, quando um asteroide, chamado Absinto, cairá sobre a Terra, segundo Apocalipse 8.10 e 11.

Renúncia do papa causa “escatomania”

Na mesma semana desses eventos, mais precisamente no dia 10 de fevereiro, o papa Bento 16 anunciou que iria renunciar ao papado em 28 de fevereiro. Como esses eventos celestes ocorreram logo após o anúncio, foram imediatamente interpretados por muitos no mundo como relacionados à renúncia papal. Uma onda de “escatomia” logo se instalou em círculos tanto católicos quanto evangélicos, mas com interpretações totalmente diferentes sobre o caso.

Entre os católicos, surgiram as teorias de que o próximo papa será aquele que trará a apostasia à Igreja Católica. A base para essas teorias são três profecias católicas: a de São Malaquias, a do papa Leão 13 e a de Pio 10.

Malaquias foi um abade católico que viveu de 1094 a 1148, tendo sido canonizado em 1199 pelo papa Clemente 2º. A ele são atribuídas várias profecias, sendo a mais famosa a “Profecia dos Papas”, que alguns especialistas acreditam que foi forjada no século 16 (época em que foi encontrado o escrito) por um homem que se apresentava como “Monge de Pádua”. Nessa suposta profecia, é afirmado que a Igreja Católica Romana teria só mais 111 papas, a contar do papa Celestino 2º (1085 a 1144), e o 112º seria chamado “Pedro, o romano”, o qual iria “alimentar as ovelhas através de muitas tribulações, após as quais a cidade de sete colinas [o Vaticano] será destruída e o juiz tremendo julgará o seu povo”. Como alguns fortes candidatos a sucederem Bento 16 tinham o nome de Pedro, muitos católicos ficaram alvoraçados.

Outra suposta profecia é do papa Leão 13 (1810-1903). Conta-se que este papa teria tido uma visão, no dia 13 de outubro de 1884, durante a celebração da eucaristia, que o deixara fortemente abalado. Ela diria respeito ao futuro da Igreja Católica. Teria visto Leão 13 que, após 100 anos, Satanás chegaria ao cume de seu poder sobre a humanidade e começaria um processo de destruição da Igreja Católica. Leão 13 teria dito também que vira a Basílica de São Pedro assediada por demônios que a fizeram tremer.

Por fim, há a suposta profecia do papa Pio 10, que, em 1909 e 1914, próximo à sua morte, teria tido uma visão, na qual, conforme suas próprias palavras, um papa haveria de “fugir do Vaticano entre os cadáveres de seus padres. Irá refugiar-se em algum lugar, incógnito e depois morrerá de morte violenta”. Pio 10 teria dito ainda sobre esse papa: “Será um de meus sucessores com nome igual ao meu”. O nome de Pio 10 era Giuseppe Sarto. Giuseppe é José em italiano. Bento 16 chama-se, na verdade, Joseph Ratzinger, e Joseph é, em português, José. Ou seja, para os que creem nessa profecia, Bento 16 seria esse papa da profecia, que teria de renunciar, fugir do Vaticano, viver isolado, mas, mesmo assim, será morto violentamente.

Ora, como evangélicos, não nos deixamos levar por essas supostas profecias escatológicas romanistas, mas nos apoiamos apenas no que é claramente vaticinado pela Palavra de Deus, a nossa única regra de fé e prática. E ainda que acontecesse que de novo o papa, Jorge Mario Bergoglio, o Francisco 1º, se tornar alguém que trará apostasia ao catolicismo, como creem muitos católicos que valorizam essa “visões”, esse acontecimento não nos afetará diretamente, mas apenas indiretamente. Não nos afetará diretamente porque não temos nada a ver com Roma. Como movimento, saímos dela há 500 anos justamente porque o catolicismo se paganizou, afastando-se da Palavra de Deus. A apostasia romana só nos poderá afetar indiretamente, porque a queda total de Roma diante do espírito do nosso tempo aceleraria ainda mais a chegada da apostasia sobre a qual Paulo profetizou (2 Tessalonicenses 2.3), levando o “mistério da iniquidade” (2 Tessalonicenses 2.7) a um nível mais poderoso ainda sobre o mundo, apertando a Igreja de Cristo de forma geral no Ocidente.

E é nesse sentido que a renúncia do papa levou muitos evangélicos a também serem tomados por uma onda de “escatomania”, tendo como foco o texto de Apocalipse 17.10. Para muitos evangélicos, a “Grande Babilônia” de Apocalipse 17 é a Igreja Católica, e a base para essa crença está no fato de que o texto joanino se refere à “Grande Babilônia” como uma cidade assentada sobre sete montes (Apocalipse 17.9), e a cidade-Estado do Vaticano se encontra exatamente assentada sobre sete montes.

Interpretação equivocada de Apocalipse 17.10

Pois bem, muitos evangélicos, logo após a renúncia do papa, associaram o sétimo rei da “Grande Babilônia”, cujo reinado duraria “um pouco de tempo”, a Bento 16, porque desde que o Vaticano se tornou cidade-Estado durante o governo de Benito Mussolini, seguiram-se seis papas, sendo Bento 16 o sétimo. Logo, o oitavo “rei” – ou papa – seria “a besta”, isto é, o Anticristo, já que a profecia de Apocalipse diz que “a besta que era e já não é, é ela também o oitavo [rei]” (Apocalipse 17.11).

Ocorre que tal interpretação não faz o menor sentido, já que, por exemplo, o texto de Apocalipse afirma que esse oitavo rei teria de ser “dos sete” (Apocalipse 17.11), ou seja, teria de ser um dos sete anteriores. Isso significa o que? Que João Paulo 2º teria que reviver dos mortos para reassumir o Vaticano após o pontificado de Bento 16? Como se vê, a teoria não se sustenta nem em uma primeira abordagem.

O verdadeiro significado do texto de Apocalipse 17, como tem sido aceito, inclusive, pela maioria dos expositores bíblicos ortodoxos, é que a “Grande Babilônia” é uma referência aos grandes sistemas imperiais pagãos que se sucederam na História. Os primeiros seis reis seriam uma representação do império egípcio, assírio, babilônico, medo-persa, greco-macedônico e romano. O “sétimo rei” seria o governo mundial futuro e o “oitavo rei” seria esse mesmo governo (“…e é dos sete…”), mas sob a gestão do Anticristo. O texto bíblico afirma que o “oitavo rei” é “a besta”, e ele é também “um dos sete” porque surgirá do sétimo reino (o governo mundial), que será formado por “dez reis” (Apocalipse 17.12). O Anticristo será um desses dez reis que “têm o mesmo intento” (Apocalipse 17.13) e receberá deles o poder para reinar – “…entregarão o seu poder e autoridade à besta” (Apocalipse 17.13).

Destaca o pastor Antonio Gilberto, consultor doutrinário da CPAD, em sua obra Calendário da Profecia Bíblica (CPAD), sobre essa passagem: “Em Apocalipse 17.10, temos sete reinos ou impérios mundiais. Cinco eram passados e um existia no tempo de João [o Império Romano]. O sétimo é futuro. Será ele uma forma do antigo Império Romano, constituído de dez nações confederadas, equivalente aos dez chifres da Besta. São também os dedos dos pés da estátua de Daniel, capítulo 2, cujas pernas simbolizam o Império Romano ao desaparecer (Daniel 2.42-44). A área geográfica desses dez países será a do antigo Império Romano, pois Daniel 7.24 diz: ‘Os dez chifres correspondem a dez reis que se levantarão daquele mesmo reino’. Esse ‘mesmo reino’ é o referido em Daniel 7.23 – o Império Romano. É, pois, uma forma do antigo Império Romano, e não o próprio império restaurado. É claro que não pode ser o mesmíssimo império, porque aquele era regido por um único soberano, e esse futuro de que estamos tratando sê-lo-á por dez governantes”.

O pastor e teólogo norte-americano Stanley Horton declara sobre o mesmo texto, em sua obra A Vitória Final (CPAD): “A besta, vista na visão profética [de Apocalipse 17], é mais um sistema político que existiu em forma de impérios mundiais no passado. Mas não tem subsistido exatamente dessa forma desde a queda do Império Romano. Ele tem sido o ferro e o barro dos estados nacionalistas descritos em Daniel 2.41-43. Durante a Tribulação, reaparecerá como um império mundial governado pelo Anticristo, dominado e possuído por Satanás. O império da besta durante a Tribulação é descrito como algo que sobe do abismo, das profundezas do inferno”.

Todas as vezes que grandes eventos da história se desenrolarem diante dos nossos olhos, em vez de embarcarmos à primeira teoria de plantão, devemos sempre nos debruçar em um estudo sério do texto sagrado para entendermos corretamente os vaticínios bíblicos e em que medida eles se encaixam, de alguma forma, com os grandes acontecimentos do nosso tempo.

Por, Mensageiro da Paz.

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