“Shamaym”: o poder controlador das águas

“Shamaym” - o poder controlador das águasIsrael é uma escola. Estar lá significa uma chamada diária e constante às páginas das Escrituras. A Palavra está nas ruas, nas placas das esquinas, nos nomes dos transeuntes, nos velhos e moços carregando seus livros em direção às sinagogas ou ao Kotel (Muro das Lamentações). É possível ouvir, no mercado, alguém perguntar ao seu companheiro qual a Parashah (porção da Torah) da semana, pois todos fazem uma mesma leitura bíblica, não apenas no país, mas também na Dispersão. Os textos são discutidos com ardor e o iniciante é estimulado a prosseguir em seus estudos. Sebos e livrarias são comuns nas cidades, e não é raro encontrar um agradável espaço para leituras, próximos a convidativos cafés.

Israel lê e tem por natural ler a Palavra de Deus, o que ressalta no visitante uma postura necessária e humilde diante das páginas exaustivamente pesquisadas do Livro que jamais se esgota em seu conteúdo de sabedoria, mistérios, em peso de revelação e de glória. A grande identificação que ocorre hoje entre Israel e o povo evangélico, da-se sobretudo, por se saberem estudantes da mesma Escritura, crentes no mesmo Deus, e curiosos acerca da mesma geografia onde o passado registrou tantos eventos e o futuro aguarda outros mais.

A existência de tantos simultâneos pesquisadores acaba por exigir de cada um uma postura singela e humilde diante do objetivo pesquisado. Ora, uma vez que a bem aventurança está ligada à postura, o que sabemos por serem as palavras bênção e joelhos, frutos da mesma raiz hebraica, qualquer que reserve uma santa atitude diante do texto bíblico haverá de alcançar sua particular colheita. Por vezes, a firmação de um conceito é justamente o alimento necessário à alma nesses momentos em que o mundo tenta relativizar e minimizar os valores celestiais, num presente celestial de verdade e de certeza. A Bíblia continua a ser um mar de conhecimento que chama ao mergulho em suas águas cristalinas. Assim, requer-se ao leitor o reconhecimento devido à tamanha riqueza.

Pois foi dessa forma, por desejar o conhecimento que, na última temporada em Israel, numa das primeiras aulas com o historiador, professor na Universidade de Jerusalém, ative-me à palavra “shamaym”, uma das primeiras do livro de Gênesis, comumente traduzida por “céus”. Vim, então a saber aquilo que estava à vista, mas o costume não me permitia discernir: “shamaym” não se trata de uma palavra isolada, mas da composição de duas palavras, bem distintas e ‘claramente’ perceptíveis. “Sham” é o termo para uma localização distante, ou seja, “lá”, enquanto “maym” é a palavra hebraica “águas”. Dessa forma, em lugar de céus, temos que o Senhor, no princípio, criou as “águas de lá” e a Terra. Ora, da mesma forma, Ele abriu as comportas das “águas de lá”. Igualmente, Seu trono está estabelecido sobre as “águas de lá”, o que dá a dimensão de modelar do trono do Messias durante o milênio, com as águas jorrando abaixo dele, sarando e dando vida à Terra.

O governo de Israel espera a cada ano a vinda das chuvas que mantenham o volume adequado no mar da Galileia – que não é um reservatório de águas doces, mas cuja grande quantidade de sais é mantida em decantação sob o peso das águas de sua superfície, se isso não ocorre, se o volume não é suficiente, o substrato movimenta-se e as águas revelam-se salobras. O país então, reserva um tempo para que seus cidadãos orem pela descida das chuvas, tão essenciais a sua sobrevivência. Sabem as autoridades que a solução vem de Deus e não dos avanços tecnológicos. Daí o agradecimento público feito pelo presidente Shimon Peres a todos os que oraram por chuvas em Israel. O Eterno ouviu, as águas foram derramadas sobre a terra, os minerais descansam dominados sob o peso das águas no Kinneret e a possibilidade está garantida.

Saber que, mesmo os substratos mais nefastos à vida estejam sob o controle divino certamente é remédio para a alma. Quem navega sob o piscoso mar, considerado uma cisterna natural, não supõe o que ele oculta em sua profundidade. Mas tudo está debaixo do peso, sujeito à força, sob o domínio de quem o submete. Israel depende desse controle, diante daquilo que não pode solucionar. Em sua soberania, decidiu o Eterno colocar termo alguns de nossos desafios e, a outros, decidiu manter em convivência próxima, mas em Suas mãos. Seria de todo perigoso aos homens entenderem que está em suas mãos o poder contra o inimigo. Há coisas que somente as forças dos céus podem conter. As “águas de lá”, mais uma vez, abasteceram e mantiveram as águas da terra de Israel, alimentando as fontes e nutrindo a vida. Israel permanece sob o controle das “águas de lá”.

Por, Sara Alice Cavalcante.

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