Sementes plantadas nos anos 1960

Sementes plantadas nos anos 1960O apóstolo Paulo afirmou que o mistério da injustiça já opera no mundo. Uma de suas atividades é entorpecer as mentes das pessoas de nossa época de forma que não enxerguem a verdade, por mais palpável ou lógica que seja.

Muitos estão a perguntar qual a lógica em vigor no mundo em que vivemos, quando vemos atos e posições de órgãos governamentais sobre temas do cotidiano da sociedade civil tangenciarem a inconsequência generalizada?

A maioria dos líderes de nossa época viveu como jovem os anos 60. Muitos deles têm caminhado a passos largos em busca da implantação de uma sociedade igualitária, pluralista, tolerante, mas invariavelmente anticristã.

O cristianismo não se opõe às liberdades civis, até porque ele é o grande, senão o único valor que fundamentou a liberdade das nações democráticas do Ocidente. Todavia, estamos vendo claramente a colheita dos obscuros movimentos pela liberalização geral da década de 1960, onde se pregava contra toda a ordem estabelecida, bem como pelo fim da civilização ocidental. É esta colheita nefasta que informa o pensamento do ativismo de plantão, bem como a mídia secular e muitos do meio artístico, em direção a uma sociedade sem Cristo e seus valores.

Muitos ignoram que os movimentos da contracultura dos anos 1960 eram na verdade um único movimento: um movimento pela nova espiritualidade. As comunidades hippies buscaram no Oriente toda uma forma alternativa de vida. Pessoas como John Lenon, influenciaram milhares de pessoas em torno de uma espiritualidade esotérica e anticristã. A ordem era buscar no sexo, na música e nas drogas uma forma de vida diversa da sociedade ocidental. A “liberdade” para esses consistia na busca do prazer acima de tudo. Livre das “amarras” da civilização judaico-cristã traduzida por conceitos de família, respeito, casamento e civismo, dentre outros.

A derrocada dos valores cristãos era o objetivo espiritual daquela onda de liberalização. O ateísmo foi um componente mínimo, quase imperceptível no movimento. Na verdade, o movimento não era uma conspiração contra a religião em si, mas sim, a luta espiritual por uma nova religião global que promovesse a mudança geral na visão de mundo da sociedade de então, de forma que as artes, a política, a medicina, a educação, a filosofia e a própria religião fossem informadas por fundamentos hindus, pela Nova Era, como Raul Seixas cantava: “viva a sociedade alternativa”.

O espírito que estava por trás daquele movimento trabalhou de forma planejada visando galgar resultados a curto, médio e longo prazo. Os resultados imediatos foram colhidos nas artes, nas drogas e nos estilos de músicas que influenciaram gerações nas três últimas décadas. A partir da década de 1990 começamos a colher os frutos políticos daquele movimento.

Hoje, como diz Peter Jones, os hippies não estão mais com cabelos compridos, mal vestidos e morando em barracas ou em ambientes coletivos. Muitos deles estão de cabelos cortados, vestidos de ternos e despachando nos palácios, nas casas legislativas e nos tribunais. Aparentemente romperam com aquele estilo rebelde e aventureiro de ser, mas a ideologia daquela época continua a exercer influência sobre seus pensamentos e decisões. Até mesmo sobre decisões daqueles que não viveram a ideologia do movimento, mas, de certa forma, foram por ela atingidos.

Estamos assistindo governos, independentes de partidos, adotando leis e decisões contrárias aos princípios cristãos. Esta onda é forte. Biblicamente ela é chamada de “mistério da injustiça”.

Por mais ilógicas que sejam as justificativas dadas a essas leis e decisões, elas adentram na ordem do dia como a cristalina vontade da democracia, apesar de subverter o direito e os fundamentos da justiça e da razoabilidade. O mistério da injustiça (2 Tessalonicenses 2.7), o responsável por toda essa dissimulação, é um espírito de engano que tolda as mentes, entorpecendo-as, fazendo os homens não enxergarem a verdade dos fatos e a incoerência da nova ordem que o anticristo está estabelecendo neste mundo. O profeta Daniel falou que o anticristo cuidaria em mudar os tempos e as leis (Daniel 7.25).

O discurso ou pensamento dessa nova ordem reflete o próprio discurso do anticristo, alguém que a Bíblia descreve como dono de uma oratória que impressionará em termos de convencimento (Apocalipse 13.5; Daniel 7.8). O espírito de grandeza traduzido por arrogância retrata bem a falsa tolerância desse movimento. Tolerância é exigida somente de quem pensa contrário a eles.

Na verdade esse movimento tem uma grande carga de intolerância que despeja contra quem pensa diferente. Qualquer que pensa contrário é hostilizado, tido por fanático, fundamentalista, intolerante, ou até mesmo anormal. Assim foi a resposta da mídia contra o juiz Jeronymo Villas Boas, de Goiás, que ousou, em 2011, defender a Constituição da República face a ideológica decisão do Supremo Tribunal Federal que estabeleceu a juridicidade da União Estável entre homossexuais, equiparando-a à entidade familiar em clara colisão com o artigo 226 da Carta Magna e inovando no ordenamento jurídico.

O convencimento do discurso do movimento anticristão tem levado homens cultos e de mentes brilhantes a uma completa obscuridade e irracionalidade lógica. Muitos vêem na marcha da maconha apenas uma liberdade de expressão em torno de uma ideia. Todavia, tendem a subtrair a mesma liberdade que os cristãos têm de dizer a verdade bíblica acerca do pecado do homossexualismo. É uma lógica ilógica e entorpecida.

Na mesma linha, homens cultos têm invertido a ordem das coisas e colocado a exceção como regra. Eles ignoram que o homossexualismo é uma exceção ao padrão de normalidade estabelecido por Deus na natureza. Nesta, a união do homem com a mulher tem, dentre outros, o propósito da perpetuação da espécie, da educação dos filhos e convivência familiar. Cada criança deve ter direito a um pai e uma mãe. É claro que muitas não têm por motivos diversos, mas isto não é a regra, deve ser a exceção, ainda que respeitada.

Estamos assistindo uma ditadura de minorias minando as concepções de normalidade e se firmando contra a razoabilidade de forma tal que um jurista chega a dizer que o Supremo Tribunal Federal ao liberar a marcha da maconha, defende as minorias contra excessos da maioria. Pasmem!

Este fenômeno que estamos a assistir não é privilégio do Brasil ou de uma nação em particular. Trata-se de mais uma fase do plano do anticristo na implantação de uma nova ordem mundial, a ordem do pós-cristianismo. É mais uma fase daquilo que se semeou nos anos 1960. É o mistério da injustiça em franca operação invertendo a ordem e subvertendo a coerência e promovendo todo tipo de iniquidade. Esse mistério de iniquidade age secreta e dissimuladamente, mas com articulação tal que a Bíblia chama de eficácia de Satanás.

O Espírito Santo é quem resiste e impede a instalação total desse sistema de iniquidade. Por isto alguma decência ainda existe tão somente em respeito à Noiva do Cordeiro, protegida pela bandeira do Espírito de Senhor. Tão logo formos arrebatados ao encontro do Senhor Jesus, este mundo vai experimentar as consequências da nova ordem espiritual, sem Cristo. Que seja nosso pensamento e desejo constante: ora vem Senhor Jesus!

Por, Jossy Soares.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Google Translate »