Salvação no último minuto da vida

Salvação no último minuto da vidaDesde que o homem desobedeceu a Deus no Éden (Gênesis 3), a sombra do pecado foi posta sobre cada aspecto de sua existência. Bruce R. Marino diz que: “Fora de nós, o pecado é um inimigo que seduz; por dentro, compele-nos ao mal. […] [Ele] promete a liberdade, mas escraviza, produzindo desejos que não podem ser satisfeitos”. Para que se compreenda a salvação, é necessário compreender as consequências que o pecado gerou na vida humana. O pecado distorceu não apenas a compreensão de Deus, mas até de nós mesmos. A desobediência humana afrontou a Deus e afetou toda a criação. A Bíblia nos diz que o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte. Assim, todos nos tornamos pecadores (Romanos 5.12). A única alternativa de salvação foi a morte de Cristo (Romanos 5.25).

Daniel B. Pecota comenta que “a despeito de tudo que tinha visto e experimentado, Anne Frank chega à seguinte conclusão, no seu diário: ‘Continuo crendo que as pessoas realmente têm bom coração’. Boa parte do pensamento moderno parece acreditar que necessitamos de educação, e não de salvação; de um campus, e não de uma cruz; de um planejador social, e não da propiciação de um Salvador. Todos esses pensamentos otimistas colocam-se em contradição direta contra o ensino das Escrituras”.

Não podemos inventar a nossa própria forma de encontrar a Deus. Ele mesmo estabeleceu o caminho a ser seguido e as condições necessárias. Deus é Santo e nós pecadores por natureza. Há um abismo, um muro entre nós e Deus (Isaías 59.2). No entanto, Ele enviou Jesus para se colocar como ponte no meio do abismo, como porta junto à parede de separação (João 10.9), como o caminho que nos leva a Deus (João 14.6). A Bíblia diz que todos pecaram (Romanos 3.23), mas Deus prova o seu amor para conosco, morrendo por nós, sendo nós ainda pecadores (Romanos 5.8). Jesus morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras (1 Coríntios 15.3). Cristo padeceu uma vez pelos pecados (1 Pedro 3.18). Assim sendo, não há nenhuma outra maneira de sermos salvos a não ser através de Cristo (Atos 4.12).

Em Deus, a santidade e o amor, a retidão e a bondade não se colocam em oposição entre si. O amor de Deus não está acima de sua justiça. Em toda a Bíblia temos um Deus de santidade (Levíticos 11.45; 19.2; Josué 24.19; Isaías 6.3; Lucas 1.49); um Deus de justiça (SaImos 119.142; Oséias 2.19; João 17.25; Apocalipse 16.5). Deus não tolera nem desculpa a impiedade (Habacuque 1.13). O homem não pode imaginar que sendo impenitente vai experimentar a bondade de Deus (Romanos 2.5). A cruz de Cristo e todo o seu significado só podem ser compreendidos diante de um Deus reto, que exige julgamento. Caso contrário, todo sofrimento de Jesus no Jardim do Getsêmani e seu sacrifício seriam apenas uma encenação. Se Deus não fosse justo e amoroso, não estaria exigindo justiça através da cobrança de nossos pecados, condenando a Cristo em nosso lugar. Deus, que é amor, enviou Jesus para que cumprisse nEle toda sua justiça (Mateus 3.15).

Deus é bom (SaImos 34.8; 100.5; 119.68). Nada pode influenciá-lO a deixar de ser bom, mas não podemos abusar de sua paciência e tolerância, pois Ele é justo (2 Pedro 3.14,15). Deus é misericordioso, e a condição da misericórdia é que quem a recebe não tem mérito. Fomos alcançados por Deus não pelos nossos méritos, mas pelos méritos de Cristo (2 Pedro 1.3,4). Como pastor, já batizei em águas pessoas idosas, algumas com mais de 90 anos; e, ao batizá-las, disse: “Deus esperou por você 90 anos. Deus foi misericordioso com você”. Deus pode esperar alguém por toda sua vida e encontrá-la até no leito de morte, mas esta não é a regra. A regra é buscar o Senhor enquanto se pode achar (Isaías 55.6). No cemitério, há túmulos de pessoas de todas as idades. Não é possível saber quando partiremos. Jesus nos adverte a estarmos atentos e preparados (Mateus 25.13).

O caso mais emblemático de salvação no último minuto da vida se deu na crucificação de Jesus. Ali Ele estava entre dois malfeitores. O primeiro falou como muitos hoje: “Se tu és o Cristo, faz algo por nós”. São aqueles que apenas querem as coisas e os benefícios do Senhor no mundo presente. Já o segundo disse: “Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino” (Lucas 23.42). Aquele era o último minuto de sua vida, a última oportunidade, mas ele não pediu para descer da cruz. Ele reconheceu seus erros, reconheceu merecer a punição, mas apelou para sua salvação eterna em Cristo. Ele creu que Jesus o poderia salvar. Ellicottt diz que “existe algo de singularmente tocante na confiança subentendida na forma desse apelo. Ele não pediu qualquer vantagem especial, nenhum lugar à mão direita ou à mão esquerda; nenhum lugar no palácio do rei. Contentava-se em não ser esquecido, certo de que, se o Rei viesse a lembra-se dele, de alguma maneira, fá-lo-ia com pensamentos de ternura e de compaixão”.

Estejamos atentos à Volta do Senhor. O hino 312 da Harpa Cristã diz: “Com muita prudência eu quero estar, esperando por meu Senhor. E sempre alerta aqui vigiar, té que venha o meu Salvador”. Uma certeza temos: vamos partir para eternidade com ou sem Jesus. Uma pergunta fazemos: você deseja estar em Cristo hoje ou vai arriscar tudo para o último minuto?

Por, Roberto José dos Santos.

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