Saída da Grã-Bretanha da Europa leva a especulações escatológicas

Decisão dos britânicos causou “terremoto” na União Europeia, levando estudiosos de Escatologia a refletirem nas profecias a partir desse novo fato

Saída da Grã-Bretanha da Europa leva a especulações escatológicasA saída da Grã-Bretanha da União Europeia, decidida pela maioria dos britânicos (52%) em plebiscito realizado em 23 de junho, provocou um “terremoto” na geopolítica europeia e um clima inicial de instabilidade econômica no mundo. Quanto aos efeitos negativos na economia, estes devem desaparecer brevemente (o que, aliás, parece já ter começado a acontecer), principalmente depois que os britânicos concluírem a renegociação de todos os seus contratos comerciais internacionais vigentes, pactuados anteriormente sob as regras da União Europeia. Já os efeitos políticos da decisão britânica ainda são imprevisíveis.

Mas, não só na economia e na política internacionais a decisão da Grã-Bretanha provocou reações. Imediatamente após a divulgação da decisão britânica, muitos estudiosos de Escatologia bíblica começaram a refletir novamente sobre as profecias relativas ao final dos tempos, desta feita sob o prisma desse novo acontecimento de grande impacto geopolítico. Afinal de contas, a saída da Grã-Bretanha significará o fim da União Europeia? Se sim, o que dizer daqueles que interpretavam, à luz da profecia de Daniel 2.31-45, que a União Europeia seria “os pés e artelhos em parte de ferro e em parte de barro”, uma espécie de Império Romano reconstituído, que teria um papel importante na elevação do reino do Anticristo? E se não, uma União Europeia diminuída ainda poderá ter, eventualmente, um papel importante na formação do reino do Anticristo? E quanto às outras teorias concorrentes sobre o que seriam “os pés e artelhos em parte de ferro e em parte de barro” de Daniel 2? Elas deveriam ser reconsideradas agora?

Esses questionamentos têm levado alguns estudiosos de Escatologia a quatro teorias, as quais veremos a seguir.

1ª teoria: União Europeia será ainda importante

A primeira teoria, que está sendo levantada por sites de vários países pertencentes a grupos voltados para a Escatologia bíblica, é que o enfraquecimento da União Europeia não implicaria negar que esse bloco supranacional seja o Império Romano restaurado, descrito na revelação dada a Nabucodonosor como “os pés e artelhos em parte de ferro e em parte de barro”, interpretados por Daniel como sendo referência a “um reino dividido”, com “alguma firmeza do ferro”; um reino que “será forte em parte e por outra será frágil”, formado por povos que “não se ligarão um ao outro como o ferro não se mistura com o barro” (Daniel 2.41-43).

Lembrando que, segundo essa teoria, que é a mais popular de todas entre os escatologistas evangélicos, esse último grande reino humano seria formado por nações que vieram a surgir posteriormente na área onde se encontrava antigamente o Império Romano – daí a referência ao “ferro”, que é símbolo do “quarto reino” da profecia de Daniel, que, por sua vez, é, sem dúvida alguma, o Império Romano (Daniel 2.39,40). A referência a “ferro misturado com barro de lodo” (Daniel 2.41) seria uma alusão ao fato de que algumas das nações que formam esse quinto e último reino são fortes (“ferro”) enquanto outras são frágeis, inclusive com muitas delas tendo sido fragmentadas seguidamente pelos seus conflitos internos (“barro”). Mas, essa expressão pode ser também uma referência ao fato de que embora essas nações que formam esse quinto reino tenham se unido formando um grande e forte bloco (“ferro”), este não tem a mesma firmeza (“barro”) do Império Romano, porque esse reino é formado por Estados-nações ou Estados nacionalistas independentes, com seus próprios governos internos, que apenas submetem parte de sua soberania nacional a uma entidade supranacional. Daí ser um “reino dividido” (Daniel 2.41), sem a mesma consistência ou unidade perfeita dos antigos impérios do passado.

Segundo esse entendimento, a União Europeia, mesmo enfraquecida pela saída do Reino Unido e pela possível saída de outras nações-membro, ainda deveria ser vista como a base desse quinto reino e a plataforma política do Anticristo, por dois motivos: primeiro, a referência à mistura de “ferro” com “barro” já apontava as fragilidades da União Europeia, só confirmadas pela saída da Grã-Bretanha do bloco; e segundo, a profecia de Apocalipse 13.1 diz que “a besta que subia do mar” – numa referência clara ao Anticristo – tinha “dez chifres”, o que pode significar ou dez nações poderosas ou dez blocos políticos e econômicos. Até mesmo dez nações poderosas se encaixariam, pois o atual projeto da União Europeia é de, caso a debandada dentro do bloco comum aumente, levar o bloco a evoluir para uma zona menor, mas muito mais integrada e forte, com dez países apenas.

Dessa forma, a profecia de Apocalipse 17.12, que fala de “dez reis” que “entregarão o seu poder e autoridade à besta (o Anticristo)” pode se referir a líderes de dez nações, provavelmente do bloco europeu, que exercerão grande poder político e darão apoio e suporte ao governo mundial do Anticristo. Ou seja, a União Europeia ainda seria importante no final dos tempos no que diz respeito à formação do governo do Anticristo.

2ª teoria: os dez chifres não são a União Europeia

Uma segunda teoria entende que “os pés e artelhos em parte de ferro e em parte de barro” não seriam necessariamente uma referência ao Império Romano restaurado (União Europeia) como base para o governo mundial, mas, muito provavelmente, apenas e somente ao governo mundial. Ou seja, os países da Europa não exerceriam nenhum papel primordial na ascensão do governo do Anticristo, mas apenas um papel tão importante quanto o de outras nações poderosas do mundo, as quais também apoiarão o Anticristo.

Não haveria a necessidade de ver na figura do “ferro” reaparecendo na imagem do quinto reino (Daniel 2.41-43) uma “restauração” do Império Romano só porque este é representado pelo “ferro” em Daniel 2.40. O “ferro” em Daniel 2.41-43 seria tão somente uma forma de dizer que o quinto e último império teria um poder e uma autoridade parecida com a do “quarto reino” (Império Romano), mas não com a mesma consistência. Nada mais que isso. “Haverá nele alguma coisa da firmeza do ferro”, uma força parecida com aquela que o Império Romano teve, mas esse governo mundial será “um reino dividido” (Daniel 2.41). Isto é, será “um reino em parte forte e em parte frágil” (Daniel 2.42), porque será formado por blocos de nações, em vez de ser um império totalmente coeso como o romano.

Segundo essa interpretação, os “dez chifres” que o apóstolo João viu darem “poder e autoridade” ao Anticristo (Apocalipse 17.12) seriam os líderes das dez nações mais poderosas ou representativas do mundo, e estariam entre elas, obviamente, as principais nações da Europa, mas não só do continente europeu; países poderosos do continente americano, como os EUA, e da Ásia (China e Japão, por exemplo), e até mesmo, eventualmente, algum da África podem estar representados entre os “dez chifres”.

3ª teoria: o Norte versus o Sul e a oposição de Társis

Segundo uma terceira teoria, a qual é a menos aceita de todas, haveria, no final dos tempos, um reino ou aliança do Norte e outro do Sul. Seriam dois blocos de países que entrariam em conflito no final dos tempos. O “Reino do Norte” seria formado pela União Europeia, Rússia e alguns países muçulmanos. Já o Sul teria Israel e alguns países que fariam aliança com ele. Segundo essa teoria, Israel teria o apoio de alguns países do norte – no caso, a Inglaterra e talvez Estados Unidos. Essa suposta batalha entre o Norte e o Sul e seus apoiadores estaria registrada em Daniel 11.40-45 – lembrando que muitos especialistas acreditam que o texto de Daniel 11.36-45 não se refere apenas a Antíoco Epifânio, mas ao Anticristo também, tipificado por Antíoco. Nessa teoria, o Anticristo lideraria o tal “Reino do Norte” contra Israel após vencer os apoiadores de Israel, o que estaria previsto em Daniel 11.40,41.

Nessa teoria, “Társis e todos os seus leões”, que protestam contra a invasão do Norte a Israel em Ezequiel 38.13 (que fala da invasão a Israel no final dos tempos), seriam uma referência ao Reino Unido e suas ex-colônias. Por quê? É que essa teoria lembra que há três hipóteses sobre Társis: uma que a coloca em algum ponto da região banhada pelo Oceano Índico até a região da antiga Cartago; outra que acredita que ela seja a antiga Tartessus, um porto marítimo no sul da Espanha, perto de Gibraltar; e uma última que a identifica com a Inglaterra, uma vez que as embarcações marítimas dos fenícios operavam “Navios de Társis” perto de Cades e navegavam para o norte até a Inglaterra em busca de estanho, um metal utilizado na fabricação de bronze e outras ligas, as quais eles mineravam em Cornwall (Inglaterra). Inclusive, alguns crêem que o nome “Britânia” é, na verdade, derivado de uma palavra fenícia que significa “fonte de estanho”. Se essa última hipótese for verdadeira, uma vez que os “Navios de Társis” traziam estanho para o velho mundo, a expressão “Társis e todos os seus leões” poderia ser uma referência à Grã-Bretanha com suas ex-colônias, até porque o símbolo do Império britânico tem leões.

4ª teoria: Califado Universal, não globalismo ocidental

Uma quarta e última teoria, que tem crescido muito nos últimos anos, é a de que o futuro governo mundial poderia ter alguma coisa a ver com o Califado Universal muçulmano. O crescimento do islamismo no mundo, sobretudo na Europa e África, tem levado muitos a considerarem essa teoria, embora ela ainda sofra resistências.

O principal divulgador dessa teoria é o evangelista norte-americano Joel Richardson, que durante anos trabalhou na evangelização de muçulmanos. Há poucos anos, ele lançou uma obra intitulada “O Anticristo – O Messias Esperado pelo Islã”, que se tornou um best-seller. A obra estuda e compara as escatologias cristã e islâmica, e defende que o Mahdi, o messias esperado pelo islamismo, é o mesmo Anticristo profetizado na Bíblia; que o Jesus do islamismo, que assessorará o Mahdi em seu governo mundial no final dos tempos, é exatamente o falso profeta do Apocalipse; e que o Anticristo do islã, chamado Dajjal, será, na verdade, Jesus, que voltará à Terra em sua Segunda Vinda.

Curiosamente, os próprios escritos islâmicos citam as profecias bíblicas referentes ao Anticristo em Apocalipse, dizendo que, na verdade, elas distorcem a figura do Mahdi, que será do bem; e citam os textos sobre a Volta de Jesus em Apocalipse, dizendo que, na verdade, aquele que virá se dizendo Jesus é o Dajjal, o qual será do mal. Ou seja, para o islã, o Apocalipse inverte o que acontecerá no final dos tempos, quando, na verdade, são os escritos islâmicos que invertem o que diz o Apocalipse, escrito bem antes do surgimento da religião islâmica.

Essa teoria defende também que as nações que invadirão Israel sob o comando do Anticristo no final dos tempos, citadas em Ezequiel 38, são todas elas, sem exceção, nações islâmicas; e ainda lembra em seu favor que alguns dos primeiros teólogos protestantes defenderam a mesma coisa séculos atrás.

O mais importante

Qual dessas quatro teorias está correta? Não podemos fechar questão, apesar de a segunda e a primeira correntes parecerem as mais coerentes. O que sabemos é que, com o passar dos anos, “a ciência se multiplicará” (Daniel 12.4), isto é, o conhecimento profético irá aumentar, deixando claras algumas coisas sobre as quais não tínhamos certeza antes.

Hoje, há três movimentos globalizadores lutando entre si para dominar o mundo: o capitaneado pelo Ocidente, chamado de Nova Ordem Mundial; o russo-chinês, chamado de Movimento Eurasiano; e o muçulmano, denominado Califado Universal. Qual desses três movimentos vai vencer? Talvez um deles, talvez a junção de dois deles ou nenhum dos três. Pode até acontecer de surgir uma outra opção que “engula” todas as três. Mas, aconteça o que tiver de acontecer, sabemos que Deus, que governa a história, afirma, pela Sua Palavra, que haverá um governo mundial no final dos tempos, que culminará na ascensão do Anticristo. Quanto a qual será o movimento globalista que dará origem a esse governo mundial ou quem serão os dez reis ou dez nações de Apocalipse 17.12 são questões menos importantes e que só serão respondidas no desenrolar da história.

Além disso, há uma outra coisa também certa e essencial que não devemos esquecer: Jesus vem! Do monte será cortada uma pedra que destruirá a grande estátua nos seus pés de ferro e barro (Daniel 2.34,44, 45). “O Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e esse reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos e será estabelecido para sempre” (Daniel 2.44). Não serão homens que farão isso; Deus mesmo o fará (Daniel 2.44). Estejamos, pois, preparados para estarmos com Cristo nesse grande dia!

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