Roma usa celebração para ecumenismo

Roma usa celebração para ecumenismoEntendemos, à luz da Bíblia, tendo em vista as profecias sobre um futuro governo mundial, que terá também um aspecto religioso (Apocalipse 13.4-8,11-17), que o avanço do ecumenismo é um dos sinais claros da proximidade da Vinda de Jesus. Ora, nunca o ecumenismo religioso esteve mais em alta no Ocidente do que em nossos dias, tendo como um de seus principais promotores o Vaticano.

O atual papa é um forte entusiasta do ecumenismo inter-religioso. Logo que assumiu como bispo de Roma, uma de suas primeiras medidas foi escrever cartas a líderes religiosos de todo o mundo saudando-lhes como “Sumo Pontífice”. Desde então, ele tem se dedicado avidamente a esse assunto. E como 2017 é o ano de comemoração dos 500 anos da Reforma, o líder de Roma tem se reunido desde 2015 com líderes protestantes para costurar uma “unidade sem uniformidade” com as igrejas protestantes, promovendo o ecumenismo religioso.

Na manhã de 22 de junho de 2015, o papa Francisco visitou a Igreja Valdense de Turim, na primeira visita de um papa a uma igreja protestante valdense. Receberam o papa os pastores Eugenio Bernardini, Paolo Ribet (líder da igreja de Turim) e Sérgio Velluto. Na ocasião, o líder católico beijou uma Bíblia valdense e pediu perdão pelos comportamentos e atitudes do passado: “Da parte da Igreja Católica, peço-vos perdão pelas atitudes e comportamentos não cristãos, por vezes não humanos, que tivemos contra vós na história. Em nome do Senhor Jesus Cristo, perdoai-nos”.

No ano seguinte, as aproximações continuaram, e ainda mais intensas. Em 13 de outubro de 2016, o papa falou a um grupo de peregrinos luteranos no Vaticano, pregando a unidade entre católicos e protestantes. Na ocasião, cerca de mil luteranos foram recebidos em festa no Salão Pablo 6 no Vaticano. Para o evento, o líder católico ordenou que uma estátua de Martinho Lutero fosse erguida no palco em um lugar de preeminência. Durante o evento, o papa recebeu dos luteranos uma cópia encadernada das 95 teses com as quais Lutero iniciou seu afastamento de Roma; e durante toda a reunião, ele usava dois cachecóis no pescoço: um amarelo, simbolizando o papado e um azul claro, representando o luteranismo. Os dois estavam amarrados para significar a união entre a Igreja Católica e o Protestantismo.

Ainda no final de outubro do ano passado, o líder católico viajou à cidade de Lund, na Suécia, para uma conferência especial da Federação Luterana Mundial para inauguração do ano de celebração dos 500 anos da Reforma Protestante; e no mês seguinte, visitou uma igreja luterana em Roma. E não para por aí. O ano de 2017 começou com o Vaticano assumidamente focado no propósito de usar as comemorações pelos 500 anos da Reforma para promover o ecumenismo. Já nos dias 18 a 25 de janeiro, o Vaticano promoveu a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos no Mundo, tendo como foco de suas orações exatamente o protestantismo. O líder católico passou então a defender uma “unidade mesmo sem uniformidade” entre católicos e protestantes. Na ocasião, o Escritório Filatélico e Numismático do Vaticano anunciou que lançaria ainda neste ano um novo selo postal que conteria a imagem de Lutero. O escritório é encarregado de anualmente aprovar e expedir selos, moedas e outras medalhas comemorativas do Vaticano. A Igreja de Roma emite regularmente tais memoriais para eventos especiais, e honrar Lutero e a Reforma Protestante é uma escolha improvável, ainda mais que se indivíduos são comemorados em selos, é porque a Igreja Católica os considera “santos”, como foi o caso de Madre Teresa de Calcutá, o papa João Paulo 2º e o papa João 23, que mais recentemente foram honrados com selos.

O documento de reflexão lido durante a Semana de Oração deste ano foi preparado e publicado em conjunto pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos do Vaticano e pela Comissão de Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas, famosa entidade ecumenista. O tema do documento foi “Reconciliação: o amor de Cristo nos obriga”. O documento afirma que “pessoas e igrejas devem ser impelidas pelo amor de Cristo a se reconciliarem e a derrubar as paredes da divisão”; que “os cristãos luteranos e católicos, pela primeira vez, comemoram juntos o começo da Reforma”; e que “os católicos agora podem ouvir o desafio de Lutero para a Igreja de hoje, reconhecendo-o como um testemunho do evangelho” (sic).

Ainda no início deste ano, o Pontifício Comitê de Ciências Históricas do Vaticano realizou uma conferência intitulada “Lutero: 500 anos mais tarde, uma releitura da Reforma Luterana em seu contexto histórico eclesial”, que contou com a presença de pastores luteranos e protestantes em geral, e se realizou em Roma nos dias 29 a 31 de março. No último dia do encontro, o papa expressou sua gratidão a Deus pelo evento, chamando-o de “trabalho do Espírito Santo”. Ele chamou a iniciativa de “digna de louvor” e disse que “não há muito tempo, uma reunião como essa teria sido impensável. Verdadeiramente, estamos experimentando os resultados do trabalho do Espírito Santo, que supera todos os obstáculos e transforma os conflitos em ocasiões para o crescimento da comunhão”. Ele ainda destacou que o título do documento conjunto apresentado ao final da conferência em comemoração ao quinto centenário da Reforma de Lutero é “Do Conflito à Comunhão”.

Finalmente, há apenas três meses, de 29 de junho a 7 de julho, o Vaticano celebrou aquilo que chamou de grande “marco nas relações ecumênicas”: na cidade alemã de Wittenberg, a Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas (WCRC, na sigla em inglês), uma das principais entidades do mundo a reunir comunidades reformadas espalhadas pelo planeta, assinou a Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação, elaborada originalmente em 1999. A cerimônia de assinatura ocorreu durante uma reunião de oração ecumênica, no contexto do Concílio Geral da WCRC, que representa cerca de 80 milhões de cristãos em igrejas congregacionais, presbiterianas, reformadas, unidas e valdenses em mais de uma centena de países ao redor do mundo. Isso representa cerca de 10% dos protestantes do mundo e no mínimo metade das igrejas protestantes históricas.

O bispo católico Brian Farrell, secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, dirigiu a delegação do Vaticano em Wittenberg para a cerimônia de assinatura. A Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação, rechaçada pela maioria dos protestantes pelo mundo, foi assinado por luteranos e católicos em 1999, com metodistas inscrevendo-a em 2006 e os anglicanos devendo formalizar sua adesão ao documento ainda no final deste ano, segundo informações da própria Rádio do Vaticano. O bispo Farrell observa que isso significa que “os católicos e a maioria das igrejas protestantes históricas concordam agora com a essência da justificação, por isso temos uma base muito mais forte para construir nossa relação espiritual e eclesial”. Bento 16, que na época ainda era o cardeal alemão Joseph Ratzinger, foi um dos arquitetos do documento de 1999, definido por Roma como “um marco nas relações ecumênicas”. Lembrando que em 11 de dezembro de 1983, por ocasião das comemorações dos 500 anos de nascimento de Martinho Lutero, o então papa João Paulo 2º visitou a Igreja Luterana de Roma e teceu elogios a Lutero. E em 1999, por ocasião da assinatura da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação pela Fé, ele ainda chegou a chamar Lutero de “Doutor da Igreja”. O que Roma não estaria disposta a fazer para intensificar o ecumenismo religioso?

Devido a todos esses acontecimentos, surgiram boatos de que o líder católico anunciaria a canonização de Lutero em 31 de outubro, mas a notícia, por enquanto, parece ser só boato. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para despertar a indignação tanto de católicos tradicionalistas quanto de muitos evangélicos pelo mundo.

A melhor forma de honrar a memória de Lutero e da Reforma Protestante é sendo fiel aos seus princípios fundamentais, que unem evangélicos em todo o mundo: Somente as Escrituras, Somente a Graça, Somente a Fé, Somente Cristo, Somente a Deus a Glória e o Sacerdócio Universal dos Santos. Enquanto Roma continuar Roma, firme com seus postulados, não haverá nem uniformidade e nem unidade.

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