Resistência pentecostal na Europa

Tradicionais fecham templos, mas pentecostais crescem no continente

Resistência pentecostal na EuropaApesar do secularismo e do processo paulatino e constante de islamização que varrem a Europa, fazendo estragos entre as igrejas tradicionais no continente, os cristãos de orientação pentecostal experimentam um vertiginoso crescimento em seus países em solo europeu. Pesquisas revelam que o pentecostalismo tem feito a diferença no que tange à manutenção da fé cristã no continente e também no cumprimento do dever de anunciar o Evangelho aos europeus. O jornal Mensageiro da Paz, em sua edição nº 1532 (janeiro de 2013), nas páginas 4 e 5, já havia publicado uma matéria intitulada “Pentecostalismo manterá o protestantismo vivo em todo o mundo”, na qual especialistas já apontavam para essa tendência no mundo: a intensa pentecostalização dos protestantes, que já são a esmagadora maioria dos evangélicos no mundo. O mais recente estudo em torno do assunto em âmbito global, publicado na referida matéria, remonta ao ano de 2011. Segundo um levantamento efetuado naquela ocasião pela organização Pew Research Center, a quantidade de protestantes espalhados pelo planeta em 2011 era de cerca de 850 milhões, sendo 600 milhões de pentecostais. O Pew Research Center também informou à época que, depois do Oriente Médio e do Norte da África, o continente mais carente do Evangelho era a Europa, seguida da região da Ásia e do Pacífico.

Se depender das informações divulgadas pelos veículos de informação, o cristianismo do ramo não-pentecostal está com os dias contados no continente europeu. Na Alemanha, o islamismo se desenvolve a olhos vistos, tomando espaços do protestantismo histórico. A associação Al-Nour, fundada em 1993, agrega grande parte dos muçulmanos que moram na cidade de Hamburgo, um dos berços da Reforma Protestante. A instituição comprou um prédio que outrora serviu como templo para os luteranos. Mas, o que chama a atenção é que os muçulmanos compraram o imóvel e os nativos concordaram com a presença dos inusitados vizinhos.

Há uma pesquisa do Instituto Hudson, divulgada em 2011, que afirma que o islamismo será a religião predominante no mundo em um futuro próximo. Inclusive, na Europa. Na Holanda, país natal da Igreja Reformada, foram fechadas mais de 900 igrejas reformadas desde 1970. Diversas A delas foram transformadas em mesquitas.

Para Silantiev Romano, professor da Universidade Estatal de Moscovo e estudioso do Islã, esses números revelam um cenário sombrio para a religião cristã tradicional na Europa, com vistas à sua erradicação na região como uma das consequências da rápida mudança que ocorre no mundo. O professor Romano explica que essa é uma derrota real para o Ocidente, que perde espaço para o Islã dentro de um fenômeno de “ocupação cultural”. “A negação dos valores cristãos pelos europeus secularizados pelo liberalismo teológico mostra que, em algumas décadas, o Velho Continente poderá estar dividido principalmente entre ateus (ou sem-religião) e os muçulmanos”, acrescenta o professor Romano.

Mas, apesar da investida muçulmana no continente, um dos exemplos mais marcantes do surgimento de um novo cenário evangélico, envolvendo os pentecostais, é o fenômeno que ocorre da Inglaterra. Por lá, as igrejas mais antigas e tradicionais sucumbem pela falta de assistência, e pelo fato de as pessoas não mais frequentarem os cultos nas igrejas inglesas, as lideranças acabam por aceitar propostas de compra do imóvel. Mas os grupos pentecostais e carismáticos na Inglaterra não seguem por esse caminho. Elas têm crescido, pois têm trabalhado arduamente para atrair pessoas para a fé cristã.

As estatísticas revelam que, nos últimos seis anos, 168 templos da Igreja da Inglaterra (também denominada como Igreja Anglicana) tiveram que fechar suas portas. Segundo informações publicadas pelo site Religion News Service, 500 templos da Igreja Metodista e 100 templos da Igreja Católica seguiram o mesmo caminho. Enquanto isso, o jornal e Times, de Londres, publicou a informação de que para cada templo anglicano fechado nos últimos seis anos, surgiram mais de três igrejas pentecostais para ocupar o lugar. Os pentecostais são a classe religiosa do cristianismo que mais cresce no mundo. Seguindo na contramão das igrejas tradicionais europeias, os pentecostais são conhecidos também por atrair às reuniões pessoas de diversas faixas etárias e de todas as etnias.

“Estou otimista em ver esta nação voltando para Deus”, disse o pastor Agu Irukwu, da igreja Redeemed Christian Church of God. A instituição pentecostal, que teve início na Nigéria, administra cerca de 600 congregações em toda a Inglaterra. “Há um século, a face do cristianismo europeu poderia ter sido rotulada como branca, mas agora ela está cada vez mais colorida”, disse Israel Olofinjana, um ministro de origem nigeriana nascido em Londres.

O que chama a atenção das pessoas para a liturgia pentecostal é sua atmosfera mais “fervorosa”. Um exemplo é a liturgia da Hillsong Church (Assembleia de Deus australiana) na capital inglesa. Os pentecostais realizam quatro cultos todos os domingos, contando com um público de 8 mil pessoas no Teatro Dominion. E as instituições pentecostais também abrem as portas para recolher os imigrantes cristãos do leste europeu, principalmente na Polônia, nação onde a religião católica é a predominante.

“Houve uma mudança sísmica”, disse Robert Beckford, professor de Teologia na Canterbury Christ Church University. “O cristianismo na Grã-Bretanha se tornou muito mais etnicamente diverso, como resultado da migração da África Ocidental, Europa Oriental e, até certo ponto, da América Latina”, e quem tem atraído e abraçado esses imigrantes em peso são as igrejas pentecostais.

Por, Eduardo Araújo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Google Translate »