Relacionamento incestuoso

O que a Bíblia diz a respeito de relacionamento incestuoso? O casamento entre primos pode ser considerado impróprio?

Relacionamento incestuosoDe acordo com Levítico 18, e o princípio que norteia a sacralidade do matrimônio à luz da Escritura, é impróprio e inapropriado. O erudito alemão August Heinrich Klostermann (1837-1915) denominou os textos de Levítico 17 – 26 de “Lei da Santidade” devido à repetição da fórmula “Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” (Levíticos 19.2; 20.7-8, 26; 21.6; 22.9). O conceito precípuo é de que a Santidade do Senhor deve configurar-se na vida do povo e, por meio do povo santo, a todo o mundo (Levítico 22.31-33).

A ideia da santidade extrai-se inicialmente da “saída”, do “êxodo”, cuja intencionalidade teológica são expressas pelos verbos “tirar”, “livrar” e “resgatar” (Êxodo 6.6). A raiz do adjetivo qādhôš (santo) significa “apartar”, “separar um objeto ou pessoa do uso profano para levá-lo à proximidade do Senhor”. Deste conceito advém o sentido de “consagrar”, “santificar”. O êxodo assim é a separação-libertação da servidão para a dedicação a Adonay.

Apartar-se do Egito não implicava apenas na libertação da servidão, mas na rejeição de suas práticas sexuais condenáveis e no combate à licenciosidade de Canaã. A prescrição lembra o passado, o Egito (de onde vieram), e adverte a respeito do futuro, Canaã (para onde iriam). É isto o que a lei apodítica de Levítico 18 anuncia: “Não fareis segundo as obras da terra do Egito […] nem segundo […] Canaã” (v.3; Levítico 19.914).

Os faraós tinham por hábito o casamento entre familiares consanguíneos, e os cananeus de cometerem uniões sexuais abomináveis. A partir dessas duas cidades podemos estabelecer um programa para o capítulo 18: Pecados egípcios (v.6-18) e cananitas (19-23) condenados, e exortação final (24-30). As transgressões tratadas são de natureza sexual, que proíbem uniões conjugais ou sexuais entre parentes consanguíneos e de afinidades, isto é, de estreito relacionamento (v.6-18).

No versículo 6, o termo “parenta” é bāšār (corpo), literalmente “carne”, referindo-se à carne interna, junto aos ossos, e, por extensão, “pessoa”; e o vocábulo “carne” é še’ēr, a carne próxima da pele, mas que se traduz por “parente de sangue” (vv.6,12, 13, 17; 20.19; 21.2; 25.49; Números 27.11). O versículo esclarece que unir-se sexual ou conjugalmente com um parente equivale a unir-se à própria carne: “carne da sua carne”, literalmente. A expressão “descobrir a nudez” é um eufemismo para relações sexuais.

Assim são proibidas uniões entre os parentes consanguíneos e por afinidades: pai, mãe (v.7), madrasta, padrasto (v.8) irmão e irmã (v.9), filho, filha, avô e neta (v.10), irmão e meia-irmã (v.11), sobrinho e tia (12-13), sogro e nora (v.15), cunhado e cunhada (v.16), com a filha ou neta com quem a pessoa teve relações sexuais (v.17), e casamento simultâneos com duas irmãs (v.18). A lista não é exaustiva mas ilustra a proibição divina de todo e qualquer casamento consanguíneo ou por afinidade.

O versículo 11, por exemplo, ensina que o casamento com meia-irmã ou irmã natural é proibido. Deste modo, o casamento entre Abraão e Sara (Gênesis 20.12), e o de Jacó com Lia e Raquel (Gênesis 29.30 cf. Levítico.18.16), não seriam permitidos à luz do Código de Santidade. Nisto reside a diferença entre os que servem a Deus e os que não servem: os que não servem ao Senhor fundamentam suas práticas nos costumes sociais à parte da Escritura, mas os que servem, à luz dos mandamentos divinos (v.5).

Por, Esdras Costa Bentho.

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