Relacionamento avós e netos

Relacionamento avós e netosQuando Paulo escreveu a segunda carta a Timóteo, fez questão de lembrar-se de seu filho na fé e da influência espiritual que havia recebido daquelas que foram as suas principais mentoras, todavia destaca em primeira instância a sua avó Lóide, porém isto não exime os deveres maternos de sua mãe Eunice (2 Timóteo 1.5). No tocante a isso, Paulo tem como objetivo realçar a influência do amor que procede de um coração puro e de uma boa consciência equilibrada firmada numa fé verdadeira, ao qual conduziu o neto Timóteo à maturidade espiritual e ao sucesso ministerial sob orientação de seu tutor. Nesta ordem, Paulo é enfático quanto aos princípios da paternidade que são influenciados pelo bom relacionamento entre avó e neto.

Ao longo da história dos hebreus, Deus sempre prezou a referência da fé dos avós em relação aos filhos e netos, percebemos isto com maior ênfase na história dos patriarcas quando é destacado o modelo de família patriarcal. Os princípios de fé estabelecidos por esses ícones são decididos terminantemente através da adoração ao mesmo Deus, sendo assim, Abraão, Isaque e Jacó invocaram a Yahweh, dando ênfase ao legado de fé deixado por cada um deles, permitindo com que o Senhor seja reconhecido na vida deles como: O Deus de Abrão (avô); o Deus de Isaque (pai) e o Deus de Israel ou Jacó (neto).

No mundo multicultural de hoje, é um grande desafio para os avós administrar o relacionamento com os netos sem interferir nos princípios estabelecidos pelos pais. Tornar-se avô ou avó é uma fase difícil, porém maravilhosa da vida adulta. É um tempo de muitas alegrias, de prazer e oportunidades que dos pais foram omitidos por questões involuntárias, talvez ocasionadas pelas necessidades, circunstancias e/ou, em alguns casos, por inexperiência paterna que no decorrer dos anos são superados através da maturidade.

Os netos reavivam um tipo de intimidade que pode ter ficado perdido no caminho, e promovem uma riqueza de relacionamento entre as três gerações. O relacionamento entre os netos e avós tradicionais parece diferir dos modernos, hoje com a maternidade precoce os avós não aparentam mais a fisionomia envelhecida, enrugada como em tempos remotos, a imagem de avô velhinho de cabeça branca, com as mãos calejadas pelo trabalho duro e corpo marcado pelo tempo e labuta da vida deu lugar a avós com semblantes rejuvenescidos, alguns deles alcançam a posteridade ainda na segunda idade. Hoje os avós são mais saudáveis e ativos.

A mente dos netos hoje gira em torno do seguinte pensamento: “Os avós são as únicas pessoas grandes que tem tempo para nós”. Este pensamento reflete a realidade do dano social que transfere o papel paterno para os avós que criam seus netos como se fossem seus próprios filhos, tirando de ação a responsabilidade primária de sobre os ombros paternos. Sem duvida este é um tempo em que o relacionamento entre estas três gerações apresentam na mesma esfera vantagens e desvantagens, uma vez que a paternidade ocorre precocemente a posteridade é uma consequência desta realidade que tem como objetivo gerar do conflito entre as gerações estabelecidas pela sociedade moderna, fazendo que os netos vejam seus avós como pais. Em alguns casos a imaturidade de pais seguida pela carência de afeto dos avós, vai produzir atitudes possessivas sobre os netos, talvez intencionem dedicar a eles o que não puderam oferecer aos filhos. Todavia, existem circunstâncias que proporcionam situações mais confortantes para as famílias do nosso tempo, com o aumento da longevidade a convivência mais prolongada de três ou mais gerações estão levando os idosos a participarem mais ativamente da vida de seus familiares. Os avós são testemunhas da passagem do tempo e possuem a trajetória de vida contornadas pelo meio sociocultural, onde cada um de acordo com sua experiência, imprime diferentes significados à nova fase de ser avô ou avó. Esta temática carrega em si uma multiplicidade de fatores a serem refletidos. As mulheres idosas, em especial, assumem papel importante frente as novos modelos de família. A princípio ser avô ou avó é estar inserido em uma terceira geração no contexto das relações familiares. Alguns pais e mães, diante das responsabilidades referentes aos cuidados dos filhos, encontram sérias dificuldades para conciliar as atribuições profissionais pessoais e parentais, dessa forma, muitas vezes são os avós que participam afetivamente da criação dos netos para que a mãe e o pai possam desempenhar suas funções profissionais.

O texto de Provérbios 17.6 revela-nos que Salomão conhecia bem os lados entre os progenitores e rebentos, isto não exime a ideia de que a nossa geração apresenta, pais e avós que se envergonham de seus descendentes devido a escolhas e atitudes egoístas e vergonhosas que tomam. “Os filhos dos filhos são uma coroa para os idosos, e os pais são o orgulho dos seus filhos” (Provérbios 17.6); “assim como os avós se orgulham dos netos, os filhos se orgulham dos pais” (NTLH).

A ideia de Salomão neste texto é produzir alegria aos avós cujas cãs estão embranquecidas, o sentimento que deve fluir neles é de honra e justiça pelo tempo e dedicação em favor de seus filhos e netos. A relação avós e netos devem ser pautados na palavra de Deus, no equilíbrio emocional e sensatez, isso trará mais alegria e satisfação relacional. Segundo algumas pesquisas a convivência entre crianças e idosos é considerada benéfica para ambos os lados. A ciência certifica que os idosos contribuem muito com a sobrevivência dos mais novos, porque com suas experiências e conhecimentos ajudam a cuidar das novas gerações. Não é preciso muito esforço para notar como a interação entre netos e avós é positiva. Essa convivência fortalece o relacionamento entre ambos, especialmente porque os avós estão, na maioria das vezes, numa fase da vida que proporciona um aproveitamento maior dos netos que não tiveram para com os filhos como, por exemplo, levar para passear e brincar. Para os avós, isso não é uma obrigação ou forma de gastar a energias de seus netos, mas uma oportunidade prazerosa de se divertir de verdade com eles.

Segundo a psicóloga Rita Calegari, do Hospital S. Camilo (SP), alguns avós participam de forma ativa dos cuidados enquanto os pais trabalham e, nesses casos , a história tem certa diferença: “Esses avós precisam ser mais disciplinados com horários e regras, o que tira boa parte da diversão. Eles precisam de descanso e rodízio com outros familiares, em razão do desgaste natural que cuidar de crianças traz”.

Apesar da complexidade atribuída na fase da posteridade, ser avô ou avó é muito mais que uma dádiva, é uma promessa àqueles que temem ao Senhor como declara o autor na canção do salmo de número 128. “Aquele que teme ao Senhor será abençoado na sua família, pois comerás do trabalho das tuas mãos, serás feliz e próspero, a tua esposa será como a videira frutífera em tua casa e teus filhos serão como brotos de oliveira ao redor da tua mesa… e verás os filhos de teus filhos…”.

Assim como a avó Loide, os avós cristãos de nossa geração não devem abdicar do direito de ensinar a Palavra e falar do amor de Deus. Os avós cristãos devem ser portadores de uma fé genuína e transmitir aos netos as grandes verdades espirituais. Quão grande foi o empenho de Lóide para ensinar a Palavra de Deus ao neto. Nisto cumpre-se a palavra: “Educa a criança no caminho em que se deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Provérbios 22.6).

Por, José Carlos dos Santos.

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