Redes Sociais: uma perspectiva cristã

Redes Sociais - uma perspectiva cristãQuais serão as últimas atualizações de meus amigos? Quantas pessoas curtiram minha publicação? O que comentaram a respeito do que coloquei? Perguntas assim levam milhões de pessoas a verificar seus perfis no Facebook repetidamente durante o dia, seja em horário de trabalho ou nos horários livres.

Quando Mark Zuckenberg fundou o Facebook em 2004 com alguns colegas da faculdade, ele não tinha ideia de que isso seria um fenômeno mundial. Naqueles dias, a intenção era somente se conectar com alguns amigos na Universidade de Harvard. Hoje, com mais de um bilhão de usuários, o Facebook se tornou o maior site de rede social do mundo, que também conta com outras menores, mas com muitos usuários, como Youtube, Twitter, Linkedin, MySpace, dentre outras.

Graças as mídias sociais e tecnologias móveis, estamos incrivelmente bem conectados. Podemos ver as notícias do dia, nossos e-mails, conversar com amigos, mandar mensagens, receber informações sobre eventos em nossas igrejas por meio de nossos celulares, notebooks ou tablets. Basta estarmos conectados à internet. Mas, como estamos conectados às pessoas e coisas realmente importantes de nossas vidas? Qual deve ser a atitude de um cristão para com as mídias sociais? Será que as verdades imutáveis da Bíblia podem colocar alguma luz nestes assuntos?

1) Neutralidade – Não há dúvida de que as redes sociais, como o Facebook, possuem atributos positivos. Podemos nos conectar com familiares e amigos distantes com os quais há muito tempo não tínhamos contato. Pais de filhos artistas ou mães de recém-nascidos podem fazer parte de comunidades em que há troca de experiências e ajuda mútua, como indicações de serviços, profissionais e vendas de produtos de interesse comum. Pedidos de oração podem ser feitos e, embora muitos não se comovam, muitos outros o podem, e assim poderá haver uma mobilização de oração por algo específico ou uma experiência.

Ao baixarmos fotos de viagens missionárias ou quando testemunhamos das bênçãos e milagres de Deus em nossas vidas, além de glorificarmos o nome de Jesus, podemos encorajar outros a se dedicarem mais à obra do Senhor e estimular a fé e a confiança delas Naquele que tudo pode. Até mesmo na divulgação dos trabalhos de nossas igrejas este meio tem sido fundamental por causa da rápida difusão e pelo número cada vez maior de pessoas conectadas que podem saber com precisão acerca desses eventos. Além disso, os sites de redes sociais têm se tornado fontes importantes para que os consumidores conheçam mais sobre produtos e serviços. Percebendo isso, as empresas usam estes sites como uma ferramenta efetiva e de baixo custo.

O Facebook é algo neutro. Como uma faca que pode ser usada para preparar uma refeição ou para ferir alguém, é meramente uma ferramenta. Pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal. Mas até onde é bom para o cristão ficar “mexendo” no Facebook? Um princípio norteador está em 1 Coríntios 6.12: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas”. Portanto, explore e utilize os benefícios que as redes sociais têm, sem deixar “se dominar por nenhuma delas”. Rejeite tudo que não presta, como se envolver com postagens que denigrem pessoas, instituições ou mesmo polêmicas que não levam a nada.

Além disso, é bom estar conectado com as pessoas, mas melhor ainda e mais importante é se relacionar com elas no mundo real. Ao preferir se encontrar com as pessoas, em vez de que se comunicar com elas à distância, o apóstolo João escreveu: “Embora tenha eu muitas coisas para vos escrever, não o quis fazer com papel e tinta; mas espero visitar-vos e falar face a face, para que o nosso gozo seja completo” (2 João 1.12).

2) Público e perigoso – Mesmo aqueles que são tímidos conseguem se expressar facilmente através das redes sociais. Esta disposição em abrir pode gerar, de fato interesse e amizades. Porém, nem sempre se expressar ou abrir algo sobre sua vida é algo positivo. Temos que nos conscientizar que no momento que publicamos algo sobre nós isso será permanente e será visto por mais pessoas que imaginamos. É muito melhor compartilharmos certas coisas pessoais com um amigo em particular. Ademais, os comentários que surgem disso também podem ser prejudiciais e acabar polemizando uma situação ou sua própria pessoa.

Outro grande perigo em redes sociais como o Facebook tem sido o desenvolvimento inconveniente entre usuários. Por causa da alta exposição das pessoas, da sensualidade de muitos e por falta de prudência, pessoas comprometidas estão sendo seduzidas por outras gerando consequências terríveis para suas próprias vidas e para aqueles ao seu redor. Alguns resultados desse “envolvimento cibernético” afetam diretamente o estado de santidade de um crente. Relacionamentos indevidos e até traições e separações podem acontecer. Nesse quesito, toda a prudência é pouca, e o domínio próprio é indispensável. Como cristão, devemos ser primeiramente fieis a Deus e sermos fieis também ao nosso cônjuge, noivo(a) ou namorado(a). Mas o solteiro deve se resguardar das  tentações que surgem das redes sociais atentando todos para o que Jesus disse: São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu  corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas” (Mateus 6.22, 23).

3) Guardiões – Em certo sentido, somos todos guardiões. Como sentinelas, vigiamos o que vemos, ouvimos e pensamos. Somos nós os responsáveis pelo que entra através de nossos ouvidos e olhos para a nossa mente para descer ao coração. Assim sendo, precisamos gastar mais tempo no “Faith Book” (“Livro da Fé”, as Sagradas Escrituras) e menos no Facebook. Quando ouvimos a Santa Palavra, recebemos direção para o caminho (Isaías 30.21); quando conhecemos a Palavra, não erramos (Mateus 22.19); quando meditamos na Palavra dia e noite, somos felizes (Salmos 1.2); e quando a guardarmos em nossos corações, não pecamos contra o Senhor (Salmos 119.11). Charles Swindoll, em seu livro “Firme seus Valores”, é muito feliz quando diz: “Os preceitos e princípios da Bíblia atingem fibras que nenhum bisturi e cirurgião podem alcançar: a alma, o espírito, os pensamentos, as atitudes e a própria essência do ser”.

4) Remindo o tempo – Paulo nos adverte em Efésios 5.15, 16: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus”. Esta palavra “remindo”, no grego original (“eksagoradzõ”) significa “resgatar de perda ou prejuízo”. Ou seja, quando estamos remindo nosso tempo, estamos livrando-o de perda ou de nos prejudicar. Vamos ser honestos: as horas do dia passam rapidamente em razão de nossas atividades no trabalho, estudo etc. O tempo que nos sobra deve ser bem aproveitado com nossa família, igreja, tempo pessoal com Deus ou com pessoas no mundo real. Mas, o tempo voa quando estamos “hipnotizados” à frente de um computador, de maneira que o tempo que deveria ser gasto com as coisas que realmente importam é deixado para segundo plano.

Hoje em dia, já existem estudos e pesquisas para o que chamam de “Viciados em Facebook”. O neuropsicólogo, Dr. Nivashinie Mohan, do Hospital de Gleneagles, Malásia, afirma: “Esta desordem continua sem ser detectada porque a maioria dos viciados não percebe ou quer admitir que tem um problema”.

5) Conectados com o Pai – Utilizarmos os aspectos positivos das redes sociais não significa que temos que passar horas na frente de um computador. Ironicamente, neste mundo altamente conectado, menos pode ser mais. Ao colocarmos limites em nosso uso, desprenderemos mais tempo ao que realmente importa em nossas vidas.

Não precisamos estar conectados às redes sociais o tempo todo, mas precisamos estar sempre conectados com o Pai. Só Ele, através da presença de seu Santo Espírito, pode nos dar verdadeira paz, alegria, consolo e propósito de vida. Só Ele, e não as redes  sociais, possui as bênçãos que ansiamos. Quando verdadeiramente O tememos e guardamos Seus preceitos, podemos ter a verdadeira sabedoria, que é superior ao conhecimento, mesmo nessa era da informação. Que possamos não perder o foco de nossas  prioridades e estar sempre na presença e conectados com o Pai.

Por, Henrique Pesch.

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