Radicais matam 148 cristãos no Quênia

Cristã lê em rádio carta evangelística e de perdão aos terroristas

Radicais matam 148 cristãos no QuêniaNo dia 2 de abril, atiradores da milícia islâmica Al-Shabaab invadiram uma universidade no nordeste do Quênia e deixaram 148 mortos e 79 feridos. O episódio se tornou o mais terrível da história do país desde 1998, quando a Al Qaeda matou 224 pessoas ao explodir caminhões-bomba contra a embaixada dos Estados Unidos no país, atacando também a embaixada na Tanzânia.

A Universidade de Garissa foi invadida por militantes da facção somali da Al-Shabaad por 15 horas, que colocaram terror no campus “atirando indiscriminadamente”, conforme relatos do chefe policial local Joseph Boinet. Relatos da imprensa local afirmam que eram quatro o número de atiradores que invadiram as salas, e que eles pouparam os estudantes muçulmanos, matando somente os cristãos ou os fazendo de reféns.

A cristã Cynthia Cherotich, de 19 anos, sobreviveu ao massacre usando um armário como refúgio. Ao ser encontrada pelos policiais, ela estava assustada a se recusava a sair do esconderijo, desconfiando dos próprios policiais quenianos. Cynthia contou que matou a fome e a sede bebendo hidratante corporal que encontrou no armário. “Eu apenas orava ao meu Deus”, relatou a jovem após sair do esconderijo.

A polícia cercou o campus e conseguiu matar os quatro atiradores. A Al-Shabaad tem ligações com a Al Qaeda e já realizou outros ataque no Quênia, como o ocorrido em 2013, quando quatro atiradores invadiram o Shopping Westgate, deixando 67 mortos.

O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, declarou três dias de luto nacional e realizou um discurso condenando o ataque e prometendo “fazer todo o possível para defender nosso estilo de vida”, se referindo à forma pacifica como os cristãos e a maioria dos muçulmanos convivem no país.

O cérebro do ataque foi identificado como Mohammed Kuno, que é líder de Al-Shabaad na região somali de Juba. As autoridades ofereceram uma recompensa de 215 mil dólares para quem fornecer informações que levem à prisão do terrorista.

Em carta, cristã evangeliza e perdoa terroristas

Até o fechamento desta edição do jornal Mensageiro da Paz, o governo queniano já havia identificado pelo menos 80 corpos. As autoridades quenianas avisaram que o trabalho estava sendo dificultado pela violência do ataque. No necrotério montado para receber parentes, as cenas eram de desespero. Mas, em meio a esse terrível cenário, uma cristã trouxe uma mensagem de evangelismo e perdão.

Colaboradores da agência Portas Abertas visitaram Garissa durante o fim de semana da Páscoa. Depois do ataque, muitas celebridades do país condenaram o ato hediondo e enviaram mensagens de condolências às famílias afetadas. Entretanto, a apresentadora da rádio Nations FM, a cristã Ciku Muriuki, decidiu publicar uma carta dirigida ao Al-Shabaad. Durante o incidente, os militantes separavam os estudantes cristãos, que foram mortos, dos estudantes muçulmanos, que foram liberados para ir embora. A seguir, leia a carta de Ciku Muriuki para o Al-Shabaad, que impactou os ouvintes de seu programa no Quênia:

“Caro Al-Shabaad, vocês reivindicaram a responsabilidade pela morte de 147 estudantes cristãos. Estou triste pelas famílias deles, que têm de viver com a perda, mas eu não estou triste pelos próprios alunos. A morte deles em nome de Jesus é bela. Eu suponho que vocês escolheram este momento para o ataque porque é Páscoa, quando celebramos que Cristo deu a sua vida por todos nós, até mesmo por vocês. Fizeram isso para zombar dEle?”

“Bem, eu tenho uma notícia para vocês, Al-Shabaad: vocês não são os primeiros. Neste dia, mais de dois mil anos atrás, houve uma multidão enfurecida que zombava dEle, que fazia piada do sacrifício dEle, sedenta pelo sangue dEle. Soldados romanos cuspiram nEle, bateram nEle, puxaram sua barba e o chicotearam; colocaram uma coroa de espinhos em sua cabeça, e cruelmente o pregaram na cruz. Eles o rejeitaram como seu Messias, embora sabiam exatamente quem Ele era. Eles tinham visto seus milagres, ouviram as suas palavras. Quem pode contar tudo o que aqueles homens fizeram?”

“Eles escolheram deliberadamente o caminho do mal? Eu não sei. Tudo o que sei é que Jesus olhou para os criminosos ao lado dEle, para a multidão, para os soldados e líderes religiosos, e disse: ‘Pai, perdoa-os, pois eles não sabem o que fazem’”.

“A cruz não matou Jesus. Os romanos não mataram Jesus. Os saduceus e fariseus não mataram Jesus. Jesus voluntariamente entregou a sua vida terrena. Ele pagou o preço pelos pecados que cometemos na nossa ignorância, mesmo os que ainda podemos cometer”.

“Então eu digo para todos vocês, militantes do Al-Shabaad, que mataram meus irmãos e irmãs cristãos: eu perdoo vocês. Sim, é isso mesmo. Eu perdoo vocês. Da mesma forma que vocês encheram seus corações de ódio, assim como aquela multidão enfurecida fez há dois mil anos, eu vou encher meu coração com amor – como Jesus fez –, porque vocês realmente não sabem o que fazem”.

“Eu não estou de luto. Tenho alegria em meu coração e eu vou dizer a vocês o porquê: Jesus morreu e ressuscitou! E será assim com os estudantes que vocês mataram. Sim, eles também irão ressuscitar. A vida eterna é prometida a todos os que nEle creem. Mesmo que vocês matem a todos nós, vamos ressuscitar”.

Vocês planejavam silenciar a Páscoa, mas sua atitude apenas serviu para me lembrar porque eu devo celebrar esta data em primeiro lugar: por causa de pessoas como vocês. Vocês são a razão pela qual Jesus morreu na cruz: foi para dar a vocês a salvação, se realmente se arrependeram de seus atos maus. Eu não os odeio. Eu amo vocês. E perdoo vocês”.

“Feliz Páscoa a todos! Que Deus abençoe o Quênia!”.

Por, Mensageiro da Paz.

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