Quem é a Noiva de Cristo?

Afinal, a Noiva de Cristo é a Igreja, ou a Nova Jerusalém conforme Apocalipse 21.9,10? Como entender os textos bíblicos que identificam a Igreja (os crentes) como Noiva de Cristo sem contradizer com este?

Quem é a Noiva de CristoAo se referir à Igreja e à Nova Jerusalém como Noiva, estaria a Bíblia se contradizendo? Quem de fato é a Noiva? A Bíblia é a Palavra inspirada de Deus, servindo de ensino aos cristãos (2 Timóteo 3.15-17; Romanos 15.4; 1 Coríntios 10.11). Sendo Deus sua fonte, as Escrituras possuem Sua natureza, portanto, ela é inerrante, infalível e imutável, não havendo nela uma contradição sequer.

Os textos bíblicos com certo nível de aparente “contradição” devem ser submetidos a critérios interpretativos, principalmente considerar a abordagem geral que a Bíblia faz a respeito do assunto. Este recurso deve ser usado para explicar o uso que as Escrituras fazem da figura de uma Noiva para referir-se à Igreja e à Nova Jerusalém.

Em toda a Bíblia é possível encontrar a relação matrimonial como analogia para sinalizar os aspectos envolvidos na relação entre Deus e Seu povo. No Antigo Testamento, Deus se dirige a Jerusalém chamando-a de Noiva (Jeremias 2.1,2), entre outras referências (Isaías 61.10; 62.59; Ezequiel 16.8-14).

Assim neste texto como em outros no Antigo Testamento, ao tratar Jerusalém como Sua Noiva, Deus objetivava mostrar ao Seu povo sua posição privilegiada, estabelecer exigências básicas. Quanto ao uso do termo Noiva no Novo Testamento, ele refere-se à Igreja do Senhor, possuindo os mesmos objetivos destacados anteriormente.

Além disso, a figura de Jesus é associada a do Noivo, a dos apóstolos aos amigos do Noivo, e sempre com a expectativa da Noiva ser apresentada. O apóstolo Paulo também utiliza-se da imagem de uma Noiva para apontar os padrões exigidos à Igreja como povo de Deus e Corpo de Cristo.

No conceito apresentado pelo apóstolo dos gentios, o comportamento da Igreja (esposa) deve ser como uma resposta positiva ao grande amor de Cristo (Esposo), demonstrado na entrega de Sua vida por ela. Esse comportamento é apresentado em forma de qualificações da esposa, sendo elas, submissão e santificação (Efésios 5.22-33).

Em Apocalipse 21.9 e 10, que é uma ampliação do verso 2, a Nova Jerusalém é apresentada a João como a Noiva do Cordeiro, tratando-se de uma cidade santa, em que todos os males que corromperam os céus e a antiga terra foram eliminados, exaltando o fato de que nela habita somente a santidade divina (Hebreus 12.14; Romanos 3.21).

As características da cidade vista por João (Apocalipse 21.9-27) aplicam-se simbolicamente às qualidades exigidas àqueles que são partes do povo de Deus. Sendo assim, a expressão Noiva trata-se de uma referência simbólica que visa sinalizar para o perfil daqueles que fazem parte do povo de Deus e que poderão herdar a Nova Jerusalém, que nesta passagem assume o caráter de seus habitantes, isto é, os redimidos.

Portanto, não há contradição, mas complementação, e juntas objetivam demonstrar a glória da Igreja e da Nova Jerusalém que estão intimamente ligadas. A Nova Jerusalém e sua glória descerão da parte de Deus para se unirem a Cristo e Sua Igreja (Sua Noiva), pois nele habitará toda a plenitude de Deus (Colossenses 1.19; 2.9), de forma que a figura da Noiva se atribui tanto à Igreja como à Nova Jerusalém.

Por, Elias Rangel Torralbo.

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