Quando os filhos dizem “não”

Quando os filhos dizem “não”O que vai definir se um filho vai respeitá-lo e obedecê-lo são os limites claros, necessários desde criança. A criança ao nascer não sabe quais são os seus limites e o que é a orientação dada pelos pais. Muitos pais se equivocam ao acharem que seus filhos nascem com as normas e a regras já estabelecidas em sua mente. Existem pais que pela dificuldade de educar e colocar limites vive falando coisas do tipo: “Esse filho é mais expansivo que o outro”. Sendo que o fato de a criança ser mais expansiva ou mais passiva não se refere a limites, pois existem crianças, adolescentes e jovens que aparentam ser muito quietos, não implicando necessariamente em obedecer às regras.

Já houve vários casos em que pais me procuram desesperadamente, pois os filhos que obedeciam completamente vivenciaram episódios de agressividade extrema, chegando a quebrar móveis. O que na verdade havia acontecido era que esse filho a vida toda tinha “obedecido” por medo do autoritarismo, guardando os sentimentos negativos de raiva, o que culminou em uma explosão. Aqui entra o que a Palavra de Deus diz: “E vós, pais, não provoqueis a ira dos vossos filhos, mas educai-os de acordo com a disciplina e o conselho do Senhor. Caminhando como servos” (Efésios 6.4).

Os pais precisam entender que o fato da criança dizer “não” não significa necessariamente que ela é mal educada. Pode ser que essa criança simplesmente está colocando sua opinião. O importante é que os pais saibam identificar, dialogar e mostrar sua autoridade e, quando for o caso, até mudar de opinião, eventualmente, desde que tenha havido um bom e saudável diálogo, em que o filho tenha respeitado aos pais.

Muitos pais na verdade não conseguem colocar limites, sentem-se frustrados e sempre dão/fazem tudo o que os filhos querem, tornando-se até reféns dos desejos de seus filhos. Alguns devido a traumas de sua própria infância, onde foram totalmente frustrados e amedrontados em sua criação. Falta para esses pais, buscar o equilíbrio e entender que limites são necessários, sendo também uma das formas de amor. Quando se possui diálogo e normas claras desde criança, além de uma hierarquia respeitada, as relações familiares são muito mais saudáveis.

Costumo dizer: aquele filho que nunca questionou nada, pode um dia gerar uma grande surpresa para você, não tão agradável. Por exemplo: houve um caso em que uma garota era vista como perfeita pelos pais, contudo, contou a eles que iria casar faltando apenas dois dias para a data. A mãe que sonhou a vida toda com o casamento da filha ficou desesperada.

Um dos grandes problemas é que muitos pais tentam colocar limites, mas não percebem que ao não cumprir o que falaram, estão fortalecendo em seus filhos a falta de autoridade para com eles. Exemplo disso são as mães que dizem ao filho: “Você vai ficar uma semana sem videogame porque me desobedeceu”. Passados dois dias, ela libera o videogame, mostrando assim que é melhor que determinasse um dia de castigo e cumprisse do que mais dias não cumpridos. Quando um filho está sendo castigado é importante que ele saiba o motivo, pois desde criança é necessário que se introduza pequenas responsabilidades para eles, como, por exemplo, guardar os brinquedos, fazer as atividades da escola etc.

Outro fator que precisa estar claro nas crianças é a noção da importância de respeitar os pais, avós, professores, pastores etc. A criança bate no rosto de alguém quando bebê e não é corrigida pelos pais. Há pais que começam a rir. Dessa forma, ela não entenderá depois que não é certo bater. Sendo assim, se faz necessário repreender com autoridade para que dessa forma ela aprenda. Um filho bem educado entrará e sairá dos lugares com dignidade e será mais seguro de si, respeitado e muito mais feliz.

Outra coisa que observo em famílias em que os filhos não obedecem e não aceitam “não” como resposta é a forma dos pais os tratarem. Não são poucos os pais que não se comunicam na mesma linguagem entre eles para depois replicar aos filhos. Isso faz com que o filho torne-se uma pessoa com cisão de personalidade, sempre indo até um dos pais apenas para pedir autorização, sendo esse o mais permissivo, geralmente. Em outros momentos, o filho acaba ficando indeciso e confuso, por esse fator.

Uma coisa importante é saber que na fase da adolescência questionar faz parte, uma vez que o adolescente está definindo sua personalidade, gerando normalmente um autoquestionamento e consequentemente, certo questionamento aos outros. Sendo essa uma forma de buscar sua identidade, o que em parte é bom, pois o jovem questionador poderá se proteger de propostas perigosas, ilegais e perversas.

Quando o jovem começa questionar o sistema familiar, os pais precisam ter uma visão de águia e serem fortes ao ponto de detectarem imediatamente a busca da autonomia e das necessidades do filho, evitando se abaterem ou reagirem de maneira raivosa, compreendendo assim o motivo do questionamento. Se os pais forem flexíveis, irão proporcionar ao adolescente um ambiente mais afetuoso e agradável, benéfico para a relação familiar. Contudo, muitos pais acabam se perdendo nesse processo e dificultando o relacionamento. Infelizmente ocorrem casos de agressão verbal e ameaças aos filhos, gerando muito mais sofrimento ao filho e a toda família, além de um ambiente com desajustes familiares, onde muitas vezes os castigos se tornam desproporcionais, adoecendo toda a família, podendo até mesmo culminar em pais se sentindo impotentes e filhos que se sentem violentados, pelo grande nível de agressividade.

O filho precisa entender que existirão consequências por conta das atitudes incorretas. Muitos pais brigam ou fingem que nada aconteceu, ignorando a necessidade de mostrar ao filho que aquele comportamento desagradou. É preciso os pais conscientizem o filho a respeito do que ele perderá com tal atitude.

Por, Valquíria Salinas.

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