Qual a certeza da sua fé?

Qual a certeza da sua féCerta vez em uma conversa informal na faculdade, em uma roda de amigos, fui surpreendido com a afirmação de um colega que se dizia ser agnóstico e ateu. Confesso que ao ouvir esta frase não apenas fiquei surpreso, mas pensei o quanto pessoas defendem suas ideias sem ao menos pensar no fundamento delas. Continuamos conversando e tentei lhe explicar que é impossível ser, ao mesmo tempo, agnóstico e ateu. Primeiro porque o agnóstico acredita na existência de Deus, mas reconhece que os métodos humanos são falíveis para se chegar ao pleno conhecimento de um ser tão grandioso. Segundo, o ateu desacredita convincentemente em qualquer possibilidade da existência de Deus. Ao lhe explicar isto, foi notória a surpresa que lhe causei, pois meu colega acabava de descobrir que as teorias que defendia se chocavam entre si. Infelizmente meu amigo não é o único que defende este tipo de teoria, assim como ele, que defendeu uma série de ideias infundadas, existem muitas pessoas que não creem em Deus, pois se baseiam em informações que realmente não conhecem.

Isso vem acontecendo cada dia mais, onde atualmente é crescente o preconceito contra o cristianismo, e pessoas recortam parte de passagens bíblicas e parte da história para defender suas teses e conceitos. Sendo assim, quando o cristão lida com essas temáticas, como a do meu amigo supracitado, poucos possuem respostas. Esta falta de argumentação cristã gera enfraquecimento da fé e abre oportunidade para que o ateísmo cresça cada vez mais em nosso país e no mundo. Por isso precisamos cada vez mais buscar conhecer nossa fé para saber como lidar com os mais diversos tipos de questionamentos.

Segundo o escritor de Hebreus, “a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se veem” (Hebreus 11.1). Partindo deste conceito podemos fundamentar nossa crença e obter respostas para muitas indagações. Sabemos que para nossa compreensão do texto é necessário ter o  conhecimento de todo o livro, pois o escritor progressivamente apresenta os símbolos e tradições religiosas judaicas como preparação para o cristianismo. De acordo com esse escritor, em síntese, a fé depende de duas palavras fundamentais para ser compreendida. Primeiro, a fé é a certeza, palavra originada do grego, que significa ausência de dúvidas. Segundo, a fé é convicção, palavra de origem grega, que significa crença ou opinião firme a respeito de algo, com base em provas ou razões íntimas.

Com esses dois conceitos podemos aprender o necessário para não ficarmos sem respostas e enriquecer nossa fé. A fé, de acordo com as duas palavras, é a ausência de dúvidas que gera crença ou opinião firme a respeito de algo, “o cristianismo”, com base em provas (documentos históricos) ou em razões íntimas (experiência pessoal de cada um).

É cada vez maior o índice de pessoas que se formam em universidades que desacreditam na Bíblia como livro sagrado e não reconhecem Cristo como Salvador. Normalmente as pessoas que pendem para o ateísmo e agnosticismo, são aquelas que não levam em consideração a história do cristianismo como um todo, recortam registros do Antigo Testamento para demonstrar um Deus sangrento e imerecedor de adoração e se focam em determinados momentos da história, como a inquisição, para dizer que a igreja matou mais pessoas que em qualquer guerra já existente e dizem que o racionalismo e o iluminismo foram os maiores eventos libertadores da humanidade.

O conceito de fé segundo o escritor de Hebreus é fundamental e nos faz perceber que nesses quase dois mil anos de história o que fez o cristianismo subsistir é a compreensão que o cristão tem da sua fé e da história, pois isso faz com que ele defenda sua crença acima de qualquer obstáculo.

Não se consegue compreender o cristianismo apenas com recortes de registros veterotestamentários das lutas que o povo judeu enfrentou para sobreviver. Tem-se que levar em consideração o período histórico que essas pessoas viveram e que ao descrever os textos, cada escritor não apenas esboçava registros religiosos e acontecimentos de guerra, mas também seus sentimentos, conhecimentos e crenças. A Bíblia deve ser considerada como um todo em si mesma: não conseguiremos interpretá-la sem compreender sua história. Sempre me vem à memória uma frase que minha professora ensinava no seminário, (in memorian) Ruth Doris Lemos, “A Bíblia interpreta a própria Bíblia, mas para que isso aconteça temos que estudá-la”, pois quando formos surpreendidos com perguntas, saberemos como responder.

Em Hebreus, podemos aprender que a fé é a crença ou a opinião firme a respeito de algo, com base nas provas ou razões íntimas, não conseguiremos provar nada se formos negligentes e negarmos o trabalho de muitos historiadores. No segundo séculos os apologistas usaram a filosofia juntamente com o conhecimento histórico para provar que a fé em Cristo é essencial para a salvação do ser humano. Na idade média muitos dos escolásticos se voltaram aos estudos das línguas originais da Bíblia, do conhecimento dos filósofos da Grécia e do estudo dos pais da igreja para defender o cristianismo frente às ameaças que sofreram. Cada tempo tem sua peculiar problemática que remete ao cristão buscar respostas para não deixar suas crenças serem desacreditadas.

Ainda antes de finalizar a conversa com meu amigo, ele argumentou que, se Deus existe, não haveria tantas pessoas sofrendo no mundo e milhares de pessoas não teriam morrido em nome da religião. Pude argumentar que o problema de tanta miséria e fome não é culpa de Deus, pois cabe ao homem administrar o local onde ele se encontra, e também não é um argumento plausível tentar provar que Deus não existe por causa da morte de milhares de pessoas em nome de Deus, pois as pessoas que comemoram tais atos, se quer se preocupam em obedecer o mandamento de Cristo que é o amar o próximo como a si mesmo, e mais, o apóstolo Paulo exorta que consideremos o próximo superior a nós mesmos. Deus não pode ter culpa quando as pessoas usam sua palavra indecentemente fora do seu contexto.

Portanto, quando a instituição cristã estiver se desviando das ideias de seu fundador, Cristo, devemos sempre nos remeter a ele, pois é através dEle que o cristianismo se torna cristalino.

Por fim, é muito importante termos argumentos para defesa de nossa fé, não devemos confiar na interpretação que muitos fazem a respeito das palavras de Cristo, quando disse aos discípulos que, não precisariam se preocupar para falar diante das pessoas, pois antes de Jesus afirmar isso, tinha passado quase três anos ensinado-os. Destarte, para não termos dúvidas e adquirirmos firmeza sobre nossa crença, devemos conhecer profundamente nossa religião e termos experiências pessoais com Deus, isso é fé.

Referências

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GEISLER, Norman L & TUREK, Frank. Não tenho fé suficiente para ser ateu. Editora Vida. São Paulo, SP: 2006.
GEISLER, Norman; NIX, William. Introdução bíblica: como a Bíblia chegou até nós. São Paulo: Vida, 2000.
GEISLER, Norman L. e FEINBERG, Paul D. Introdução à Filosofia: uma perspectiva cristã. São Paulo: Vida Nova, 1983, 1996.
GONZÁLEZ, Justo. Uma história ilustrada do Cristianismo. 10 vols. São Paulo: Vida Nova.
STROBEL, Lee. Em defesa de Cristo. Editora Vida. São Paulo, SP: 2001.

Por, Daniel Santos.

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