Pregação bíblica, genuína e eficaz, e a dignidade do púlpito

Pregação bíblica, genuína e eficaz, e a dignidade do púlpitoPara se obter êxito na propagação da Palavra do Senhor, é necessário que observemos alguns pressupostos que se tornam indispensáveis ao bom termo da ministração. O primeiro é a importância da organização.

Quem se propõe a preparar e aplicar um sermão deve estar cônscio de que essa atitude carece de um toque de organização. É básico e primário a apresentação conhecermos que um sermão possui três partes principais que norteiam a sua linha lógica de raciocínio e ajudam na compreensão por parte dos ouvintes. Essas partes são introdução, conteúdo e conclusão.

É fato comum ouvirmos pregadores, até mesmo ditos renomados, cujo sermão não têm, começo, nem meio e muito menos fim. Fazemos um esforço mental sobremodo elevado para tentarmos nos situar durante a explanação do mesmo e não conseguimos devido à falta dessa organização. São verdadeiros embrulhos mal feitos,  amarrados com um “nó cego” cuja ponta para desatar não encontramos por mais que procuremos. Mergulham numa completa digressão (desvio do tema) afogando os seus ouvintes no mar de dificuldades criadas pela falta de organização.

A pregação do Evangelho é algo que tem como característica principal a simplicidade. Pregar a Palavra de Deus é comunicar. E o processo de comunicação se tornará difícil, incompreensível até, se não for feito com a devida clareza de ideias e pensamentos por parte do pregador.

Deus é o ser mais organizado do universo. Basta lermos a Bíblia Sagrada e prestarmos um pouco de atenção nos seus grandes projetos nela registrados para constatarmos essa grande verdade. Cada um dos projetos foram devidamente planejados e postos em execução, tudo dentro de uma sequência de nos causar admiração. Como, pois, poderíamos prescindir desse princípio quando estivermos realizando algo para Ele? Portanto, partindo desse princípio de que Deus prima pela organização, devemos procurar fazer uso também dela quando da preparação do sermão.

A organização do sermão proporcionará essa boa comunicação do Evangelho, dirimindo as possíveis dúvidas existentes, trazendo solução para os males que afligem a vida daqueles que nos ouvem e esperam de maneira ansiosa que o homem de Deus tenha uma palavra do Senhor para o seu coração.

Outro fator importante que deve ser observado no sermão é a interação que deve haver entre as personagens que estão envolvidos nesse processo. São três os componentes que atuam nessa bendita experiência: o pregador, o ouvinte e Deus. Eles interagem durante a aplicação de uma sermão. Deve haver uma sintonia entre os  mesmos no sentido de que a prédica atinja os fiéis objetivos espirituais para os quais se propõe.

O padre Antonio Vieira,o maior orador sacro do século XVII, no belíssimo Sermão da Sexagésima, declara com toda a sapiência que lhe era peculiar:

“Fazer pouco fruto a Palavra de Deus no mundo pode proceder de um de três princípios: ou da parte do pregador, ou da parte do ouvinte, ou da parte de Deus. Para uma alma se converter por meio de um sermão, há de haver três concursos: há de concorrer o pregador com a doutrina, persuadindo; há de concorrer o ouvinte com o entendimento, percebendo; há de concorrer Deus com a graça, alumiando”.

Os “concursos” ressaltados pelo erudito pregador mostram a necessidade da interação entre esses elementos que acompanham cada um dos personagens de um sermão para que o mesmo tenha o desejado sucesso. Notamos que dois deles dependem de nós: “o pregador com a doutrina” e “o ouvinte com o entendimento”, ou seja, precisamos cooperar com o nosso esforço para termos o esperado êxito.

Os aplicados estudiosos da Homilética afirmam serem sete os elementos gerais do sermão. Também chamados de elementos funcionais, são eles: o título, o tema, o texto, a introdução, o corpo, a aplicação e a conclusão. De nada valerá toda essa organização se o mesmo não vir adornado com inspiração divina, através da ação poderosa e sobrenatural do Espírito Santo.

O apóstolo Paulo, orientando o jovem obreiro Timóteo, discorre sobre a eficácia da Palavra de Deus na vida do ser humano. Ela é divinamente inspirada e é proveitosa para ensinar, redarguir, corrigir e instruir em justiça, com o objetivo sublime de aperfeiçoar os servos de Deus para a mais relevante das atividades que é o serviço cristão (1 Timóteo 3.16). Sendo a Bíblia o poderoso Livro de inspiração divina, a sua explanação através do sermão deve também ser de caráter inspirado para que o nome do Senhor seja glorificado na vida de quem prega e na vida de quem ouve a Palavra.

Carecemos, mais do que nunca, de sermões inspirados por Deus como o ápice de nossos cultos. Mensagens que verdadeiramente exprimam a vontade de Deus aos homens com base sólida, arraigada na Palavra do Altíssimo.

Não precisamos de discursos vazios, aulas sobre temas seculares, debates filosóficos ou sociológicos, ou ainda de pregações que explorem apenas o lado emocional dos ouvintes levando-os a momentos de êxtase sem sentido; necessitamos, sim, de mensagens verdadeiramente bíblicas, que discorram sobre o conteúdo das Sagradas Escrituras de forma clara e objetiva, orientando as pessoas a terem uma vida digna da aceitação do Senhor. Só assim nosso culto será melhor para a glória de Deus e estaremos cumprindo as exigências da Palavra de Deus quando cobra sinceridade e honestidade na transmissão da Palavra do Senhor.

A ministração da Palavra de Deus é uma tarefa de elevada honra para aquele que recebe tal incumbência, constituindo, portanto, uma grande responsabilidade o uso do púlpito para executar esta missão outorgada por Deus à sua igreja. Sendo assim, é de preponderante necessidade que haja íntima relação entre o sermão e a dignidade que deve ser dada ao púlpito.

Infelizmente, tem se avolumado a cada dia o mau uso do púlpito no que diz respeito ao ato de exposição da Palavra. A falta de postura em vários aspectos por parte dos ministrantes tem provocado verdadeiros “sacrilégios” e cooperam decisivamente para o desvirtuamento tão sublime que as Sagradas Escrituras representa dentro do contexto cristão evangélico.

A falta de conhecimento da Bíblia, aliada a uma vaidade marcante nos corações de determinados “obreiros”, com falsos epítetos de “pregadores itinerantes”, tem transformado os nossos púlpitos em locais de apresentações teatrais grotescas e irreverentes que maculam de forma grosseira e irresponsável o verdadeiro papel que deve ser desempenhado por aquele que recebe o título de ministro do Evangelho. Os tais, na sua presunção exacerbada, criam a sua própria Hermenêutica e dão as mais extravagantes e equivocadas interpretações para as Escrituras Sagradas, sendo inda fato notório na conduta dos mesmos um completo desprezo pela Homilética.

O púlpito é um local que carece do mínimo de reverência por parte de quem usa para a ministração da Palavra. Não simplesmente porque nós, pobres mortais, o afirmamos, mas pelo fato de Deus, soberano e tremendo, se manifestar, e onde Ele se torna sagrado. Portanto, nele é onde se deve ministrar a santa e poderosa  Palavra de Deus. A íntima relação entre o sermão pregado e a dignidade que o púlpito merece deve ser preservada. Atitudes irreverentes, sermões extravagantes e irônicos, e ainda palavreado dúbio e vulgarizado devem ser evitados pelo pregador.

Aos que demonstram interesse financeiro e caracterizam alguma espécie de mercantilização do sagrado brutalizam o objetivo da pregação do Evangelho e são incompatíveis com a vocação ministerial nas páginas da Bíblia Sagrada. Portanto, a consagração do púlpito pelo pregador visa muito mais do que um compromisso com um ritual religioso, mas significa que a presença divina no momento da adoração deve ser reputada por aquele que recebeu o chamado de Deus como uma tarefa séria e da maior responsabilidade.

Por, Reimundo Leal Neto.

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