Precisa-se de pessoas para ir

Missões não se fazem apenas por aqueles que oram e contribuem

Precisa-se de pessoas para irCom tantas tarefas e ocupações, circunstâncias adversas da vida e o envolvimento e a preocupação com o trabalho material, o tempo escoa-se tão rapidamente, como correm as impetuosas águas de rios, que não o sentimos passar. Em razão disso não há espaço na agenda de muitos para a execução de uma das principais tarefas deixadas por Jesus a Sua Igreja, isto é, “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura” (Marcos 16.15).

Alguém poderá dizer que já se acha cumprindo essa missão através de suas contribuições voluntárias: “Faço através de contribuições especiais, para que outro vá em meu lugar, posto que não disponho tempo, nem possuo ‘dom para esta tarefa’, justificamos.

Estaríamos navegando em pensamentos equivocados? De modo algum! Dentro da igreja encontramos pessoas que pensam e sentem exatamente assim: “Missões se faz orando, contribuindo e indo”. De fato é correta esta conclusão. Todavia, há que se considerar que missão só se faz executando as três atividades, que são inseparáveis. Elas formam um princípio fundamental para o atendimento da ordem dada por nosso Senhor Jesus.

A maioria ora e contribui, mas se diz incapaz de cumprir o “ide”, alegando falta de chamada ou falta de “dom”. Todavia o crente, que tem amor e gratidão pelo sacrifício de Cristo, ora  e contribui para a obra missionária e pratica a terceira atividade do princípio missionário. Para se fazer missões não há necessidade de sair de sua cidade, do seu Estado, do seu País. É possível fazer missões mostrando a salvação em Cristo à sua família, aos seus amigos, aos seus colegas de trabalho, aos seus patrões, aos seus empregados.

Vemos-nos impedidos de praticar essa terceira atividade, como dito no início, por aplicar todo o tempo nos cuidados desta vida terrena. A Bíblia leva-nos a refletir sobre tais cuidados pela vida. Em Mateus 6.25-34 o Senhor nos mostra que toda a natureza cumpre o propósito do Criador e, em decorrência, desfrutam dos seus cuidados.

“Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? E, quanto ao vestuário, porque andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; e eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançado no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé? Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? (Porque todas estas coisas os gentios procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal”. Ora, se Ele cuida da natureza, dos pássaros, não cuidaria muito mais de nós, que somos sua imagem e semelhança? Em razão dessa promessa, recomenda-se ao crente despreocupar-se com as coisas terrenas e ocupar-se, em primeiro lugar, com as coisas que são para o Reino de Deus. Se assim se procedermos, todas as demais coisas nos serão acrescentadas, isto é, todas as coisas materiais serão supridas.

Quando o Senhor orienta a buscar primeiro (antes de tudo) o Reino de Deus, Ele não descarta a busca de vida de sucesso, de conforto, de bens materiais. Mas recomenda que, antes disso, por primeiro, seja buscado as coisas do Reino dos Céus.

A grandeza espiritual será a busca de almas para o Reino dos Céus. Lucas 15.7 e Salmo 49.8 registram que uma alma, quando se arrepende, promove uma festa no céu, pois o seu valor é inestimável e a redenção dela é caríssima. “Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove juntos que não necessitam de arrependimento”. “Pois a redenção da alma é caríssima, e cessará para sempre”.

Todos almejam uma vida espiritual vitoriosa. Para tanto, nunca deixará de ter na mente e no coração o ensino do Mestre ministrado no capítulo 25.14-23 do evangelho de Mateus, onde mostra a justiça da avaliação dos Seus servos (componentes do Seu corpo, da Sua Igreja). Todos aspiram a ser chamados de “servo bom e fiel” (v. 21). Mas a garantia de receber esse galardão está diretamente ligada à conduta da vida enquanto neste plano terrenal.

O procedimento do crente e as prioridades por ele estabelecidas é que apontam o caminho em que anda, bem assim o final dele. Final vitorioso será a adoção de conduta e eleição das prioridades aqui enfocadas e recomendadas por Cristo, com relação a missões, salientando-se que estas foram apontadas como a principal dentre as demais prioridades.

Na parábola sobre os três servos, registrada em Mateus 25.14-23, observa-se que os que deram prioridade no cumprimento das recomendações dadas pelo seu senhor, ouviram daquele mesmo senhor: “Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (vs. 21 e 23). Mas, aquele que, por medo, por timidez, não tendo cumprido as recomendações recebidas, ouviu do seu senhor: “Mau e negligente servo […] tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez talentos. Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes” (vs. 26, 28 e 39).

Conjugando o ensino sobre os procedimentos e prioridades retro apontadas com o contido em Apocalipse 21.8, o juízo sobre muitos será pesado por aquilo que poderia ter sido feito e foi negligenciado e negligenciado até por timidez.

É hora de pararmos para uma reflexão sobre o caminho escolhido, sobre as atividades prioritárias eleitas para serem desenvolvidas durante o tempo da nossa  vida, lembrando que, se estivermos na vontade de Deus, já não é mais nossa a escolha da prioridade, mas do Senhor Jesus. E esta Ele já elegeu: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura”. Mas como todas as criaturas ouvirão se não há quem pregue? (Romanos 10.14).

Por, Elizeu Martins.

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