Por que e para que um reavivamento?

Por que e para que um reavivamentoEm Apocalipse 2.1-5, nós lemos as seguintes palavras de Jesus ao líder e aos crentes da Igreja de Éfeso: “Escreve ao anjo da igreja de Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro: Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos. E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste. Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres”.

Pentecostais gostam de falar de avivamento. Afinal, muitas denominações pentecostais e o próprio Movimento Pentecostal, como tal, são o resultado de avivamentos.

Alguns de nós temos experimentado um verdadeiro avivamento, e a maioria de nós deseja avivamento. Aliás, talvez a maioria das nossas igrejas, e não apenas de nós, precisa de reavivamento. Só que, ao expressarmos esse desejo, nós, na verdade, já estamos fazendo uma confissão – a de que não estamos em pleno alinhamento com o que Deus pretende que sua Igreja seja. Estamos aquém; estamos em falta; não somos biblicamente “normais”.

Por que precisamos de um reavivamento?

Por que precisamos de reavivamento? Qual o motivo?

Algo ou alguém só pode reviver se ele foi vivo antes e agora está morto ou morrendo. Portanto, não faz sentido orar pelo reavivamento da nossa nação, mas pelo reavivamento dos crente e da igreja ou das igrejas.

Como sabemos quando uma igreja precisa de avivamento?

Apocalipse 2.4,5 nos diz: quando perdemos nosso “primeiro amor”. Quando não estamos fazendo “as primeiras obras”. Quando abandonamos as “primeiras coisas”, as básicas.

Como se mede isso? Simples. Compare a sua igreja com a Igreja em Atos dos Apóstolos. Ou compare a si mesmo com os primeiros discípulos.

Há uma lei natural que qualquer coisa quente gradualmente esfria – até mesmo o sol. Obviamente, a única entidade imutável é o próprio Deus, Aquele que é a fonte de toda a vida. Ele nunca vai ser seco, esvaziado, esgotado.

A aplicação espiritual desse princípio é que qualquer renovação, qualquer movimento de Deus entre o Seu povo, infelizmente, também tende a “esfriar”.

Eu não conheço avivamento ou renovação espirituais na história que tenham continuado infinitamente. Parece ser uma “inevitabilidade histórica”.

O desafio sempre vem com a segunda geração e as seguintes. Há muitos exemplos na história, inclusive na Bíblia. Leiamos, por exemplo, Juízes 2.7,10-13. Leia atentamente esse texto bíblico:

“E serviu o povo ao Senhor todos os dias de Josué, e todos os dias dos anciãos que ainda sobreviveram depois de Josué, e viram toda aquela grande obra do Senhor, que fizera a Israel. (…) E foi também congregada toda aquela geração a seus pais, e outra geração após ela se levantou, que não conhecia ao Senhor, nem tampouco a obra que ele fizera a Israel”.

“Então fizeram os filhos de Israel o que era mau aos olhos do Senhor; e serviram aos baalins. E deixaram ao Senhor Deus de seus pais, que os tirara da terra do Egito, e foram-se após outros deuses, dentre os deuses dos povos, que havia ao redor deles, e adoraram a eles; e provocaram o Senhor à ira. Porquanto deixaram ao Senhor, e serviram a Baal e a Astarote”.

A segunda geração e as seguintes após a morte de Josué e dos anciãos que sobreviveram após ele já “não conhecia ao Senhor, nem tampouco a obra que ele fizera a Israel”. Logo, “deixaram ao Senhor, e serviram a Baal e a Astarote”.

Atentemos agora novamente para a Carta de Jesus à Igreja em Éfeso, registrada no livro do Apocalipse. Ele foi escrita aproximadamente 43 anos após a fundação daquela igreja na Ásia Menor, ou seja, depois de passada uma geração de crentes daquela igreja.

Diz Jesus: “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor” (Apocalipse 2.4).

Considere agora a história da Igreja Primitiva e, em seguida, a história da Igreja Pós-Apostólica. Não é diferente.

Cada movimento de renovação em curso na história passa por isso.

Portanto, por que precisamos de reavivamento?

Devido à aparente tendência ao esfriamento, à aparente inevitabilidade histórica de as igrejas e/ou movimentos perderem o primeiro amor, o entusiasmo original, o fogo e a paixão iniciais.

Talvez, nesse sentido, o maior perigo para as igrejas pentecostais é a aparência – o ter forma sem conteúdo.

Nós muitas vezes tentamos uma nova “forma”, mas a forma não determina o conteúdo. É exatamente o contrário: é o conteúdo que determina a forma.

Há muitos exemplos na Bíblia nesse sentido. Vejamos:

1) O Tabernáculo, que representava a glória de Deus;

2) O Templo (2 Crônicas 5), que algumas vezes era somente a forma sem o conteúdo (Ezequiel 11.23);

3) O caso dos fariseus e a lei, denunciado por Jesus, especialmente no Sermão da Montanha (Mateus 5);

4) A mulher no poço de Jacó (João 4), que, no quesito adoração, buscava uma nova forma, quando o problema era o conteúdo (Deus é Espírito!);

5) Temos ainda o caso da Igreja de Laodiceia (Apocalipse 3.20). A forma pentecostal sem o verdadeiro conteúdo é apenas um movimento humano sem o Espírito Santo.

Mas, vejamos agora para que a igreja precisa de reavivamento. Falamos até agora sobre o motivo, o porquê. Falaremos agora sobre o “para quê”, sobre o objetivo.

Para que a igreja precisa de um reavivamento?

A igreja precisa de reavivamento para ser uma igreja “normal” novamente.

Quando a igreja se torna “subnormal”, ela precisa de tratamento divino, algo “anormal”, para voltar ao “normal” novamente.

O tratamento de emergência para alguém que sofre de hipotermia grave é uma analogia perfeita para um reavivamento: o corpo congelado é coberto e aquecido para recuperar a sua temperatura normal.

Reavivamento é necessário quando um crente ou uma igreja sofrem hipotermia espiritual. Reavivamento implica um tratamento divino de emergência. Ela é um reaquecimento emergencial para trazer de volta a normalidade à igreja, quando a temperatura espiritual da igreja se torna “subnormal”.

Uma igreja “normal” irá refletir as qualidades da Igreja em Atos, e mais ainda: a vida e o ministério de Cristo.

Portanto, reavivamento não é um estado “normal” das coisas. É “anormal”; é um estado de emergência.

O “calor” pode estar acima do normal. A questão é que, no reavivamento, um aquecimento forte é feito apenas para trazer a igreja de volta à normalidade.

Porque reavivamento, volto a insistir, é um “tratamento de emergência”, é um estado “anormal” de coisas. E justamente por ser assim, ele tem um período de tempo limitado, um prazo de validade.

Tal como acontece com o tratamento médico de uma pessoa congelada, quase morta, nenhum reavivamento pode continuar incessantemente e sem fim. A carne e o sangue humanos simplesmente não podem suportar isso.

O objetivo do reavivamento, portanto, é trazer a igreja de volta ao “normal”.

Em muitos lugares, nós nos tornamos tão acostumados ao estado subnormal do cristianismo e da igreja de hoje, que a “normalidade” parece “anormal” para muitos.

O objetivo, acima de tudo, é que Cristo possa ser claramente reconhecido por todos – dentro e fora do prédio da igreja.

Por, Isak Burger.

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