Por que a notícia não podia ser dada?

Como entender o pedido de Davi sobre a notícia das mortes de Saul e Jônatas (2 Samuel 1.17-20)?

Por que a notícia não podia ser dadaO pedido de Davi para não noticiar a batalha em Gilboa chama-nos muito a atenção, pois ele era um grande poeta e músico da cultura oriental que narrava os falsos históricos em forma de versos e cânticos, onde as datas comemorativas traziam a lume os episódios mostrados em poemas e canções pelo povo desde os anciãos até os mais novos. O que levaria o homem que tinha como uma das funções contar a história para todos não querer que um marco importante fosse publicado? Qual seria a sua motivação para essa atitude? O que poderia provocar essa notícia?

A triste morte em batalha do rei Saul e de seu filho Jônatas não deveria ser contada. Quanto ao leal amigo, temos facilidade de compreender seu cuidado com sua memória, pois tratava-se de um nobre companheiro. A amizade deles era tão grande que o texto de 1 Samuel 18.1 diz: “E sucedeu que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou, como à sua própria alma”. Mas, e Saul que tantas perseguições e angustia lhe causou, porque não divulgar a notícia da morte do rei?

Davi proíbe a notícia fatídica de ser divulgada em Gate e Asquelom, que eram as principais cidades dos filisteus, povo historicamente rival da nação do Senhor, e que tantos malefícios causou ao Seu povo em diversas ocasiões. O “homem segundo o coração de Deus” sabia que se o fato fosse divulgado a memória do rei de Israel seria aviltada. O salmista conseguiu captar os sentimentos de um verdadeiro servo de Deus e não dar vazão a qualquer sentimento de revanchismo, ou como vemos constantemente em letras de músicas atuais, ditas como evangélicas, que despertam mágoas, rivalidades e um falso sentimento de que chegou a hora de Deus massacrar e destruir quem perseguiu, citando uma satisfação pela vingança, o que não é sentimento cristão. Todavia, esse anseio não penetrou no coração de Davi. Ele sabia que a vingança pertencia a Deus, conforme a Sua proporção.

O coração de Davi conseguiu resgatar o cântico das mulheres quando o exaltaram em detrimento a Saul. “E as mulheres dançando e cantando se respondiam umas  às outras, dizendo: Saul feriu os seus milhares, porém, Davi os seus dez milhares” (1 Samuel 18.7). Ele não se recorda disso com alegria, antes com profundo sentimento de tristeza, e essas mulheres se calariam agora. “Vós, filhas de Israel chorai por Saul, que vos vestia de escarlata em delícias, que vos fazia trazer ornamentos de ouro sobre as vossas vestes” (2 Samuel 1.24). Davi não permitiria que um cântico fosse entoado pelas mulheres filisteias falando da derrota de um rei que liderou o povo de Deus.

A proibição tem que ser vista como o amor que superou a perseguição. A lealdade aos ideais divinos não o demoveu de seu chamado; a paciência o levou a aguardar a hora divina para ser honrado. A proibição de Davi deve nos levar a entender os sentimentos do Deus que criou o homem em contraste com o deus criado pelos homens.

Por, Gilberto Corrêa de Andrade.

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