Perspectiva de vitória para Israel

Perspectiva de vitória para Israel“E acontecia que, quando Moisés erguia as mãos, Israel prevalecia” (Êxodo 17.11a) O Tratado Mishnah ensina que a vitória de Israel sobre os amalequitas no vale de Refidim não foi alcançada por alguma ação externa e milagrosa operada pelas mãos de Moisés. A tradição judaica não atribui aqui, ao homem que foi o instrumento através do qual o Eterno operou tantas maravilhas, qualquer poder especial, como um gesto mágico que fizesse depender dele próprio a vitória do povo do Senhor, a Quem seja toda a honra, a glória e o louvor para sempre. Para a Mishnah, a guerra conduzida por Josué, tendo as figuras de Moisés, Arão e Ur sobre o cume do outeiro, foi vencida no campo interior, a partir daquilo que ocorria dentro do coração de cada um dos filhos de Israel. As mãos erguidas do filho de Joquebede fizeram com que aquela que foi a primeira batalha enfrentada recém libertos tivesse um direcionamento correto. Moisés apontou para o alto, para os céus, único lugar de onde pode vir o socorro, a esperança, a força e a vitória. Assim, nos corações, todo o tempo em que prevaleceu a certeza de que o Senhor estava no controle, houve vitória na peleja. Quanto essa convicção desfalecia, os amalequitas prevaleceram. Arão e Ur ajudaram o líder na tarefa, por vezes árdua, de manter clara a melhor direção para os olhos do povo.

A despeito das várias explicações que se possa dar ao episódio, a força da tradição judaica está em reconhecer exclusivamente o Eterno como fonte da vitória, sem deificar o instrumento. Mesmo que se compreenda que houve uma importância implícita no ato de erguer as mãos, não foram elas que outorgaram força àquele mínimo exército de combatentes diante de adversários fortes, preparados e numerosos. Não foram as mãos, não foi o cajado, não foram os cooperadores, menos ainda a pedra ou a pequena elevação – em Refidim, o Senhor venceu por seu povo, mais uma vez, ensinando-os a olhar além das circunstâncias, para além e para mais alto.

O olhar dos “avadim” (escravos, servos), estava acostumado a contemplar as pedras e os tijolos com os quais deveriam trabalhar. As grandes construções egípcias perdiam em tamanho diante da grandeza do deserto, como acontece até hoje com o que restou delas. Num primeiro momento, parecem imensas; depois, aquela vasta extensão de areia como que as absorve e diminui, relativizando as pretensões humanas de glória e ostentação. Da mesma forma, na caminhada peregrina, os hebreus deveriam ficar atentos muito mais ao solo e aos pequenos e mortais inimigos, como serpentes e escorpiões, do que com perigos maiores. Ainda hoje, em cada vigília promovida pelos irmãos da Embaixada Cristã em Israel, na região próxima ao Mar Morto, o deserto de Ein Gedi, uma equipe de médicos fica de prontidão para prestar socorro aos intercessores em caso de algum acidente sofrido pelo ataque desses animais. A cada ano, conta-se com alegria o testemunho da proteção de Deus aos seus servos. De qualquer maneira, o perigo desses ataques é motivo de atenção constante. Acrescente-se a isso a grande quantidade de pedras no solo, o que torna a caminhada difícil e até dolorosa para alguém mais distraído. No deserto, olhar para baixo é questão de sobrevivência. Quando muito, olha-se o horizonte, na expectativa do lugar de destino ou da pausa refrescante de um oásis.

Ainda assim, Israel é um povo chamado a lançar seus olhos para o alto. Erguer os olhos, contar as estrelas, comparar sua descendência com o número delas, assim Deus chamou Abraão. Se o povo caminha na terra, o testemunho de sua existência como fruto amoroso da determinação divina está registrado nos céus e sempre pode ser consultado – basta olhar para o alto. Olhando para cima, seus rostos são iluminados, não são confundidos. Ainda que a confusão tente lançar suas setas a cada passo que a nação dá em direção ao propósito do Senhor para ela, basta redirecionar o olhar para não ser atingido.

Vivemos tempos de relativização dos conceitos e proliferação de enganos e, por vezes, fica difícil ler, no emaranhado das notícias – em grande maioria cópias vergonhosas de outras notícias – algum fundo de verdade. Quem acompanhou ou desejou acompanhar os eventos relativos à inauguração da embaixada norte-americana em Jerusalém decepcionou-se com a parcimônia dos relatos, com a ausência deles ou com a sua mais completa distorção. Os tristes eventos na fronteira de Gaza pareceram ofuscar o histórico reconhecimento e grande parte dos comentários procurou desviar-se do assunto. Salvo raras exceções, as reportagens focaram nas pedras, nos ataques e na resposta israelense, por sinal, a esperada resposta diante da invasão deliberada de seu território e no resultado, terrível, dos mortos que atravessaram as fronteiras, incitados pelas vozes dos líderes do Hamas.

Israel tenta olhar para o alto, para revigorar-se e prosseguir em tudo o que ainda precisa ser realizado, dentro de seu lugar no projeto de Deus para seu povo e nação. A partir do soerguimento de seus olhos, outros olharão também. Que dizer da postura do Paraguai, declarando um compromisso de adesão ao reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel? É notável que poucos e pequenos países estejam tomando a mesma resolução, numa batalha que, a não ser pela presença dos Estados Unidos, guarda semelhança com aquela comandada por Josué contra os homens de Amaleque.

Somos desafiados a ler além dos textos e compreender além das notícias. Temos a possibilidade de simplesmente fazer uso de um botão e, num clique, responder à mídia contrária a Israel com a nossa decisão de não oferecermos nossa audiência. Talvez assim, com a parte sensível da mídia, ou seja, a parte financeira, atingida, possa ficar claro que existe um não pequeno número de pessoas que não está focada no espetáculo montado das pedras, mas em contemplar para além dos antagonistas, a perseverança de um povo que continua a caminhar a despeito delas.

A Israel não faltam pedras. Sobre uma delas Moisés sentou-se para, a partir dali, num cume de outeiro em Refidim, fazer-se de bússola, cujo ponteiro era o mesmo cajado que conduziu os filhos de Sião através das águas do mar. Acima da elevação, o Senhor convida à fé, como que a dizer: retira os olhos dos desafios da caminhada e contempla o alvo, a vocação, o chamado e a promessa. A vitória, então, virá.

Shalom, Israel! Haja paz em teus muros, Jerusalém!

Sara Alice Cavalcanti.

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