Perseguição intensa a cristãos na Eritreia

Todos os dias cristãos eritreus arriscam a vida em cultos subterrâneos

eritreiaA Eritreia é um país localizado na África e, apesar do grande contingente de cristãos misturados entre os nativos, as autoridades locais são responsáveis por implacável perseguição religiosa. Segundo o Ministério Portas Abertas, a Eritreia ocupa o 10º lugar no ranking dos países onde a hostilidade é mais intensa contra a comunidade cristã em todo o mundo. Por esse motivo, os crentes locais arriscam a vida todos os dias quando se reúnem nos subterrâneos no intuito de adorar o Senhor. Repentinamente, os cristãos podem ser detidos e enviados para prisões por causa de seu testemunho de fé em Cristo.

No rastro das denúncias sobre a Eritreia, o Ministério Portas Abertas divulgou uma entrevista com Misgana, uma cristã que mora no país africano. O relato dela exibe um panorama sombrio para a comunidade cristã autóctone. Como já foi divulgado no Mensageiro da Paz nos últimos dez anos, por conta de uma lei promulgada em 2002, as igrejas evangélicas tiveram que fechar as suas portas. Estima-se que mais de 2,8 mil cristãos perderam a liberdade e os familiares não sabem o que lhes aconteceu há meses e anos.

“Como você sabe, as nossas igrejas estão fechadas, dessa forma somos obrigados a nos reunir no subsolo das casas. Alguns irmãos cedem seus lares voluntariamente para que possamos adorar a Deus. Nós prestamos culto ao Senhor em quartos e cozinhas baixo do chão. O que sinto falta de quando éramos livres para exercer nossa fé em Cristo publicamente é de poder cantar com alegria, em voz alta. Agora, só podemos sussurrar. Imagine o quão difícil é para nós! Queremos expressar nossa felicidade  no Senhor, mas não podemos. Mesmo assim, Ele ouve o nosso sussurro, Ele está sempre conosco”, afirma Misgana.

As autoridades locais consideram crime grave ser integrante de uma igreja subterrânea ou participar de uma reunião cristã. Os fieis sabem que podem ser detidos a qualquer momento e não verem mais seus parentes e amigos, apesar disso eles não abrem mão de dizer o quanto eles amam Jesus.

Perseguição aumentou como nunca antes

Portas Abertas também divulgou que as constantes arbitrariedades efetuadas pelo governo da Eritreia chamou a atenção da Anistia Internacional, que expediu em maio um relatório em que existem provas de “detenção e prisão arbitrária, sem julgamento e em larga escala a fim de conter toda oposição real e suspeita, calar os críticos do governo e punir qualquer um que se recuse a cumprir com as restrições de direitos humanos impostas pelo governo”.

Por sua vez, o governo eritreu repudiou o documento e o classificou como sendo um relatório de “acusações ferozes” e “totalmente infundadas”. Mas quem teve que sair do país para salvar a vida confirma o conteúdo da entidade internacional. Selam Kidane, diretora da Release Eritreia, uma organização de direitos humanos sediada no Reino Unido, afirma que a perseguição religiosa “tem se intensificado” desde janeiro. “Não podemos ligar tal crescimento a qualquer incidente que tenha acontecido, mas é fato que tem ocorrido muitas prisões”, destaca ela.

Selam disse ainda que o governo tem conseguido informações e prisões por seguir os líderes das igrejas clandestinas. Segundo ela, a perseguição religiosa não está limitada aos cristãos, mas a igreja clandestina padece muito mais.

Apesar da exigência do governo de os grupos religiosos se registrarem, o próprio governo não aprova, desde 2002, nenhum registro além dos quatro principais grupos religiosos: a Igreja Ortodoxa da Eritreia, a Igreja (luterana) Evangélica da Eritreia, o Islã e a Igreja Católica Romana. Os demais ficam relegados ao obscurismo, uma vez que não têm permissão para reuniões ou agir livremente. Evangelismo também é proibido.

“O fechamento das igrejas, desde 2002, fez com que os cristãos se reunissem em igrejas subterrâneas para adorar a Deus em segredo. Reuniões ou qualquer outra atividade religiosa sem autorização do governo são a causa de um número assustador de cristãos ser enviado à prisão. Eles são mantidos em condições desumanas, presos em contêineres de metal ou em celas subterrâneas. Veja o caso da cantora Helen Berhane, que já veio ao Brasil. Devido à intolerância religiosa na Eritreia, Helen ficou presa por mais de dois anos em um contêiner de metal porque não aceitou assinar um documento desistindo de sua fé em Cristo. Ainda hoje, cerca de três mil prisioneiros estão encarcerados em condições subumanas naquele país. Desses, acredita-se que 2 mil são cristãos. É em prol desses que sofrem por amor a Cristo que a Portas Abertas trabalha”, enfatizou Marco Cruz, secretário-geral da Portas Abertas Brasil.

Como os evangélicos não têm personalidade jurídica e os registros para suas igrejas não foram concedidos, eles costumam reunir-se igualmente nas casas. As escolas que eram cristãs são monitoradas pelo governo que reluta em registrar outras. O governo do presidente Isaías Afworki fechou as 12 igrejas protestantes independentes da Eritreia, sem permitir reunirem-se nas casas. A intolerância não conhece classe social ou faixa etária quando os cristãos são surpreendidos em reuniões, lendo a Bíblia e em oração.

A Igreja do Evangelho Pleno, uma das maiores denominações pentecostais da eritreia, teve seus dois líderes detidos às 6h da manhã de 23 de maio de 2004, em Asmara. No dia da prisão os agentes também levaram as chaves dos gabinetes pastorais, além de ameaçar verbalmente suas esposas. Desde então as famílias de Haile Naizgi, que exerce o cargo de presidente da Igreja do Evangelho Pleno, e do doutor Kifle Gbremeskel, como presidente da aliança evangélica na Eritreia, estão sem nenhum contato com eles.

“Qualquer religião que não esteja disposta a ficar sob o controle do governo está sendo perseguida”, disse ela. “Isso não é exclusivo aos cristãos. Mas, em termos de ser completamente oprimido, são as igrejas minoritárias que sofrem mais, como as igrejas pentecostais e as igrejas evangélicas. Elas têm sido rotuladas e acusadas de toda sorte de crimes por suas comunidades e por outros grupos religiosos”.

As estatísticas confirmam que quase a metade da população do país é cristã e cerca de 9 entre 10 cristãos são fieis da Igreja Ortodoxa e os demais são católicos ou protestantes. O destino dos cristãos aprisionados são os contêineres em acampamentos militares. Pelo menos 105 cristãos foram presos em 2012 e 32 destes teriam morrido na prisão.

Por, Eduardo Araújo.

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