Pegar em serpentes e beber veneno

“A interpretação de Marcos 16.17-18 é figurativa ou literal? É possível que alguém manuseie serpentes venenosas e beba veneno sem sofrer dano algum?”

Pegar em serpentes e beber venenoNestes tempos de tantos exageros e fanatismos, e até mesmo no meio eclesial-religioso, há ocasiões em que textos bíblicos são utilizados como pretextos para muitas ideologias, produzindo-se uma realidade esquizofrênica, sem sentido, e que produz mais descompromisso com a Verdade Divina. Diante disso, urge que o povo de Deus se entregue à oração e à reflexão genuína da Bíblia, que é a Palavra de Deus.

O Evangelho segundo Marcos foi escrito antes do ano 70 d.C. Ele foi destinado aos cristãos gentios (Marcos 1.9; 3.17; 5.41; 7.2, 3, 4 11, 34; 12.42; 14.12; 15.22, 24).

Marcos registra, em grande parte, informações que recebeu de Pedro. Marcos era judeu e revela perfeito conhecimento dos costumes judaicos (Marcos 7.2-4; 15.42). A mãe de Marcos residia em Jerusalém. A casa em que morava é tradicionalmente chamada de “O cenáculo”, onde foi celebrada a última Ceia. Marcos descreve fatos com muitos detalhes, indicando que esteve próximo dos acontecimentos (Marcos 6.30-40; 5.21-43).

É importante saber que no tempo em que o Evangelho de Marcos foi escrito a Igreja estava sendo perseguida por três vertentes: a perseguição religiosa, por parte do judaísmo; a perseguição cultural, da parte dos gregos; e a perseguição política, impetrada pelos romanos. Os cristãos preferiam morrer a adorar o Imperador, como se fosse um deus. Para os cristãos, Jesus Cristo era e é Deus, o Senhor. Não cultuar o Imperador era considerado crime.

É possível que o beber veneno fosse algo forçado por oficiais romanos, os quais execravam cristãos, perseguindo-os até à morte. Também é certo que Deus protegeu seus filhos e filhas quando perseguidos, livrando-os diante de perigos forçados e também dos perigos naturais. Deus é presente e não desampara a sua Igreja na missão de viver e proclamar a Palavra da Verdade, em qualquer época. O Deus eterno age na temporalidade, tornando a existência mais saudável. Portanto, a mensagem do Evangelho traz saúde para o ser humano integral.

A Igreja, na missão de proclamar a mensagem da Boa Nova em Jesus Cristo, apresenta-se com a sua ação terapêutica: “… e porão as mãos sobre os enfermos, e estes ficarão curados” (Marcos 16.18). Toda a ação da Igreja de Jesus Cristo tem de ser condizente com a do Senhor, que irrompeu na história humana para produzir cura e libertação total. A ação dinâmica é demonstrada pela comunidade, pelo povo que se chama pelo nome de Deus. Assim, o texto bíblico de Marcos 16.17-18 não trata de indivíduos em particular, que sobressaem diante de outros, para executar alguma forma de sobrenaturalismo egocêntrico, gerando uma realidade neurotizante. Também o texto bíblico não induz alguém a usufruir de poderes sobrenaturais, utilizando o nome do Senhor com a finalidade de fazer demonstrações portentosas diante de multidões. Caso seja assim, a Bíblia classifica como tentação a Deus (Cf. Mateus 4.1-11). “Não tentarás o Senhor teu Deus” (Mateus 4.7) é a palavra de Jesus diante da tentação de usar o poder de modo errado. O poder que Deus concede ao seu povo é o poder para servir. Voltando à pergunta; “É bíblico pegar em serpentes e beber veneno?”, é importante apontar algumas considerações:

1) Deus é poderoso para livrar seus filhos e filhas de quaisquer perigos, quer sejam impetrados por alguém, ou por perigos de natureza. O Senhor é misericordioso e conhece as intenções do mais íntimo das pessoas.

2) Deus estava presenta na vida de sua Igreja nos primeiros anos da sua existência, bem como na vida de seu povo durante todos os tempos, na missão de pregar o Evangelho e proporcionar saúde às pessoas que estão sendo resgatadas do poder das trevas.

3) A Bíblia não dá crédito a quem faz a experiência de pegar em serpente e beber veneno com o intuito de se fazer malabarismo religioso-portentoso.

Por, Germano Soares Silva.

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