Pecando por excesso: não crie filhos mimados

Pecando por excesso - não crie filhos mimadosA construção do homem se dá a partir de seu nascimento. Ele traz consigo a natureza pecaminosa, uma disposição para dar os desejos pecaminosos, e o vazio de conceitos e valores bons que nortearão suas escolhas e condutas ao longo da vida. Mediante aprendizagens múltiplas advindas do meio onde está inserido e dos responsáveis por darem informações vitais à sua sobrevivência e convivência em sociedade, desenvolve a crença e a fé maduras e os valores afetivos, tão importantes para a construção da identidade, caráter e de uma maturidade sadia do indivíduo.

A família é a principal responsável por esse processo e isso tem sido um desafio cada vez maior para os pais. Hoje, vemos muitos jovens experimentando a paternidade precocemente, cheios de conceitos mundanos e distorcidos sobre criação de filhos, transbordando de si mesmos e dessa cultura consumista, negligente e egocêntrica que valoriza mais o ter do que o ser, trazendo ao mundo crianças cuja educação será terceirizada.

A escassez de tempo, a correria desenfreada, a valorização do supérfluo e conflitos emocionais são apenas alguns dos motivos que têm levado pais ao fracasso familiar, tanto no relacionamento entre marido e mulher, como no relacionamento com filhos.

É fundamental que haja harmonia entre o casal para que o processo de criação e educação dos filhos seja frutífero. Se não há concordância, não haverá autoridade respeitada. A criança percebe quando os pais divergem em questões que lhe dizem respeito e tirará proveito disso. Os pais possuem posição elevada sobre os filhos. Se há falhas no desempenho como orientadores, essa hierarquia será burlada e a criança tomará as rédeas da situação. Hoje, vemos muito isso. Vemos crianças que mandam nos pais, que determinam o que querem ou não fazer ou comer, ou vestir. E os pais se portam de forma impotente diante dessa situação. Perderam a autoridade em algum lugar no caminho e não lembram mais quando ou onde foi. São guiados pelos desejos dos filhos e sofrem com a rebeldia e a insubmissão.

E onde tudo isso começou? Toda essa problemática tem início na permissividade. No sentimento equivocado de que a disciplina prejudicará a criança, no pensamento corrompido de que regras e orientações demais traumatizam. O que se prega em alto e bom som é que a liberdade da criança deve ser respeitada, que não pode ser podada e que sequelas surgirão da proibição dos seus desejos. Com esse cenário, surgem as crianças sem afeto e egoístas. Crianças órfãs de pais vivos! Crianças largadas e regidas pelas próprias vontades, que clamam pela paternidade, clamam pela participação efetiva dos pais em seu desenvolvimento. A ausência de limites definidos e de regras claras é prejudicial à criança. Essa falta traz sentimentos de abandono e rejeição ao coração dos filhos e desorienta sua percepção de valores. Produz angústias e afeta suas escolhas tornando-as mais suscetíveis ao uso de drogas e ao desenvolvimento de doenças como déficits de atenção, síndrome de pânico, hiperatividade, depressão, dentre outras.

Não só a família sofre com a imaturidade do indivíduo, mas toda a sociedade. A má educação em casa refletirá na escola, na faculdade, na igreja, no trabalho e na futura família que se constituirá a partir desse homem ou mulher. O desrespeito às regras na infância procedido de apatia dos pais tornará a vida dessa criança, mesmo na fase, adulta, desagradável tanto para si como para os que a rodeiam. Quantos empregadores, pastores e educadores sofrem com adultos melindrosos? Comportamentos rebeldes e egocêntricos trazem desconforto e confusões e exigem paciência e tato para que situações não saiam do controle. Problemas originados na falta de correção, nos “mimos” exagerados, descontextualizados, na procura de “pagar” a falta de tempo e de amor. As tentativas de suborno em troca de obediência e as trocas combinadas em busca da paz são situações onde o pecado de raiz não foi confrontado e as reais motivações que levaram à malcriação não foram expostas a fim de serem sanadas.

Muitos pais estão negociando com os filhos. Esses, por sua vez, perderam a admiração e o respeito por seus genitores. Não veem nas atitudes dos filhos o que lhes é exigido, e sentimentos de frustração e raiva tomam lugar no coração da criança, distanciando-a cada vez mais da família. Por outro lado, a imposição do medo e o autoritarismo dos pais agride o emocional dos filhos e frustra ainda mais a tentativa de êxito na paternidade. O uso da vara, indicado como meio eficaz de disciplina se usado corretamente, segundo as Escrituras Sagradas (Provérbios 13.24; 22.15; 23.13), tem se tornando instrumento de tortura e violência em alguns lares, e falta de diálogo e compreensão, acentuando o distanciamento. Pais que não conhecem os filhos e suas dificuldades, e mães que não conhecem suas necessidades, revelam a lastimável situação das famílias atuais.

É nessa relação delicada que os conceitos bíblicos se perdem. Com que autoridade ou em que contexto a Bíblia será ensinada? Como os pais ensinarão sobre o Deus que corrige porque ama profundamente (Hebreus 12.6)? Como os pais ensinarão sobre o Deus que está atento às nossas necessidades (Filipenses 4.19)? O Deus Protetor, Cuidador, Atencioso e Preocupado que nos atende em qualquer momento? Os filhos transferirão a Deus o mesmo tipo de relacionamento que possuem com os pais. Tratarão as coisas de Deus da mesma maneira como são tratados. A insegurança gerada de uma educação apática e negligente afetará diretamente a fé da criança. É na infância que parâmetros são assimilados e aceitos e a  Palavra de Deus torna-se guia de conduta (Provérbios 22.6); mas se o cenário contradiz o que é pregado, os objetivos se frustram. Os filhos precisam ver Deus nas atitudes dos pais (Romanos 2.21), na correção sábia e coerente movida pelo amor, na participação compromissada dos pais no seu dia-a-dia, na postura ética e cristã frente às intempéries da vida.

Criar filhos requer tempo, desprendimento do que não é importante e foco naquilo que é fundamental. A educação dos filhos é um caminho longo, cheio de curvas, vales e precipícios. Manter-se na estrada requer concentração, determinação, posicionamento e dependência de Deus. Suas atitudes como pais afetarão seus filhos por toda a vida. Dê o seu melhor e tenha certeza que Deus fará o restante!

Por, Susana Ciqueira.

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