Para que serve a fé?

Para que serve a féO escritor aos Hebreus afirma que “… a fé é a certeza das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem” (11.1).

Após apresentar esta clara e objetiva definição acerca do significado da fé, o escritor inicia uma série de relatos a respeito de personagens que, de acordo com suas palavras, “… o mundo não era digno…” (v.38), que nós conhecemos como a galeria dos heróis da fé. Entretanto, é necessário que seja levantada a seguinte questão: “Com qual objetivo o escritor acrescenta esta lista após definir a fé?”

O que se percebe, é que esta lista visa ampliar o conceito levantado, possibilitando-nos uma compreensão, não somente do significado, mas também da função da fé, isto é, trata-se de uma exposição teórica e prática do assunto. Ao falar da fé e de alguns personagens que viveram por ela, o escritor faz uma pequena pausa para deixar ainda mais claro quanto ao objetivo maior da fé, ao escrever: “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (v. 6), e, então, recomeça sua extensa relação de nomes de pessoas que honraram a Deus.

Diante disso, destaco algumas verdades:

  • Para agradar a Deus é necessário que haja fé;
  • A fé dá ao homem condições de crer na existência de Deus;
  • A fé concede ao homem a certeza de que Deus é recompensador, ou seja, Ele é justo;
  • De acordo com o texto citado, a recompensa prometida é para aqueles que buscam ao Senhor.

Destaquemos o fato de que o galardão aqui prometido é para aqueles que buscam a Deus. A pergunta a se fazer é: “Que busca seria essa, isto é, do que realmente se trata essa busca?”

De acordo com o próprio texto e todo o capítulo onze de Hebreus, é evidente que essa busca diz respeito a agradar a Deus. Aliás, a vida cristã está fundamentada na intenção daqueles que servem o Divino Mestre em agradá-lO, cumprindo Sua vontade, e o caminho para isso é a fé.

Diferente do que temos visto, a fé não serve aos propósitos humanos, mas os divinos. Ela não está para que, por meio dela, alcancemos nossos ideais, mas que aceitemos, voluntariamente, os de Deus. De uma forma mais clara, a fé propõe-se a cumprir a vontade de Deus de tal forma, que dá ao homem condições para aceitá-la, mesmo que isso contrarie sua própria vontade.

A fim de fundamentar ainda mais a verdade elucidada acima, consideremos que a fé é apresentada como um dom de Deus (1 Coríntios 12.9); como resultado do ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10.17); e tem em Jesus sua origem e seu objetivo final (Hebreus 12.2). Com isso, destaco algumas lições:

  • A fé vem de Deus, é Ele quem dá;
  • A fé é produzida pela Palavra que é o próprio Senhor Jesus (João 1.1);
  • A fé origina-se em Cristo, está fundamentada nEle e objetiva Sua glória.

A chamada Teologia da Prosperidade – que tem causado danos terríveis à fé cristã – fundamenta-se basicamente no fato de que a fé é um instrumento por meio do qual a vontade daquele que supostamente a tem, tem condições de impor a Deus aquilo que deseja, prometendo que ela será cumprida. Segundo tal teologia, é obrigação de Deus fazê-lo. Entretanto, fica claro que o propósito e o papel da fé – em hipótese alguma – é de manipular Deus ou pressioná-lO a fazer alguma coisa, muito pelo contrário, seu alvo é dar ao homem condições de confiar em Deus ao ponto de aceitar Sua vontade, ainda que a mesma o contrarie.

Jó: um exemplo de verdadeira fé – A história de Jó é tão impressionante que tem levado pessoas a duvidarem de sua veracidade, alegando tratar-se de uma ficção. Todavia, cremos que a Palavra de Deus é a verdade (2 Timóteo 3.16), ademais, é possível que alguém confie em Deus ao ponto de amá-lO acima de tudo, inclusive de sua própria vida.

Sem saber do que se tratava, repentina e inesperadamente a vida de Jó teve uma drástica e traumática virada. O que ele mesmo, seus amigos e nós também costumamos chamar de provação de Jó, na verdade se tratava do resultado de sua aprovação diante de Deus, afinal, tudo o que ocorreu se deu porque Deus permitiu, garantido a Satanás que Seu servo não lhe negaria (1.1-12).

É verdade que em alguns momentos o provado Jó questionou a respeito de tudo o que estava sucedendo a ele, contudo, devemos destacar que a verdadeira fé sempre florescerá em ambientes em que a dúvida parece dominar, principalmente em tempos de angústia. E esta história nos firma ainda mais nesta verdade, porque no auge de seu sofrimento, sem saber também que Deus não permitira Satanás tocar em sua vida, Jó abriu o coração e a boca para expressar algo que revela a função da verdadeira fé: “Ainda que ele me mate, contudo nele esperarei…” (Jó 13.15).

As palavras de Jó expressam uma confiança irrestrita. Neste ponto sou levado a destacar algumas lições:

  • Mesmo diante da possibilidade de Deus tirar sua vida, Jó confessou esperar no Senhor;
  • A declaração de Jó sinaliza para uma confiança irrestrita que ultrapassa a própria vida;
  • Essa atitude de Jó foi resultado de uma fé verdadeira que lhe dava condições de continuar acreditando na bondade de Deus, mesmo em meio à tragédia extrema;
  • A verdadeira fé vai além daquilo que se resume a esta vida e ao que é visível.

Fé como fidelidade – A partir do que já vimos, podemos concluir que uma das formas que a Bíblia define a fé, é por meio da fidelidade. Não há dúvida de que nossa maior referência de fidelidade é Deus, conforme lemos em 2 Timóteo 2.12,13: “se perseverarmos, com ele também reinaremos, se o negarmos, também ele nos negará; se somos infiéis, ele permanece fiel; porque não pode negar-se a si mesmo”. Com base neste texto, podemos concluir que, dentre outras verdades, fidelidade quer dizer constância, firmeza, lealdade e perseverança a alguma missão ou pessoa. É exatamente nesse sentido que a fé verdadeira opera na vida do cristão, ou seja, ela dá a ele condições de permanecer firme em suas convicções a respeito de Deus, independente das circunstâncias que o envolve temporariamente.

De uma forma bem prática e objetiva, em Romanos 14.17, o apóstolo Paulo definiu em quê de fato o Reino de Deus está fundamentado, ao dizer: “Pois o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo”. Partindo deste texto, podemos extrair algumas lições:

  • Ao falar que o Reino de Deus não é comida nem bebida, Paulo quer dizer que as bases desse Reino não são passageiras e nem têm prazo de validade;
  • Ao falar que justiça, paz e alegria no Espírito Santo são manifestações desse Reino, o apóstolo quer dizer que estas manifestações independem das coisas desta vida;
  • Os que têm fé continuam a confiar na justiça de Deus, mesmo quando há injustiça nesta vida;
  • Os que têm fé desfrutam de paz verdadeira, mesmo em meio à guerra;
  • Os que têm fé gozam da verdadeira alegria, mesmo em meio à adversidade.

Não esqueçamos que, assim como Habacuque, devemos continuar nos alegrando e confiando em Deus e Sua bondade, independente do que ocorra à nossa volta (Habacuque 3.17-19). E, do ponto de vista bíblico, o único meio pelo qual isso é possível é a fé.

Por, Elias Torralbo.

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