Ouvir é mais que necessário

Ouvir é mais que necessárioDiz o ditado popular: “Quem fala expõe o que sabe; quem ouve aprende”. Embora o povo evangélico habitualmente vá ao templo cultuar a Deus e ouvir ensinamentos bíblicos, profissionais da comunicação humana, garantem que de modo geral, não estamos sendo treinados para ouvir. É a nossa cultura, infelizmente. Prova disso é que não raras vezes, somos impacientes e, estamos sempre prontos para falar. Essa é a contramão do sucesso nas relações interpessoais.

Na verdade, ouvir é uma arte de difícil aprendizado, disponível para todos os seres humanos, mas na prática do dia-a-dia é explorada por poucos – apenas pelos mais inteligentes e observadores.

A Bíblia Sagrada é um excelente Manual de Vida, para quem quer aprender e aplicar esse mecanismo de sucesso, que, se alcançado como manda o bom senso, produz frutos de alegria, bem-estar e sucesso, em todas as áreas da sociedade que se possa imaginar – família e amigos, empresa e Igreja do Senhor.

Os menos preparados invertem a instrução bíblica dada pelo apóstolo Tiago (Tiago 1.19): se irritam rapidamente, porque o sangue sobe a cabeça, dizem o que não devem e ouvem somente aquilo que interessa.

A liderança secular ou mesmo a eclesiástica precisam saber ouvir corretamente e isto implica utilizar a audição, pelo menos em três níveis: ouvir com os nervos; ouvir com o cérebro; e ouvir com o coração. Regra geral quem ouve com os nervos, ouve mal, é impaciente e precipitado. O sábio Salomão no Livro de Provérbios capítulo vinte e nove, versículo vinte, pergunta: “Você já viu alguém que se precipita no falar?” E enfático arremata, afirmando na parte final do mesmo verso bíblico: ”Há mais esperança para o insensato do que para ele”.

Tem gente que ouve por um ouvido, enquanto o que acabou de ouvir já está saindo, pelo outro. São pessoas que se tornam inacessíveis e impenetráveis – insensíveis. Diferente é quem ouve com o cérebro. É racional e calculista, sempre colocam na balança as vantagens e as desvantagens, de tudo o que ouve; toma como parâmetro de ponderação, modelos e ocorrências anteriores. O administrador, por exemplo, desempenha seu papel com predominância no lógico, no estatístico e nos resultados conseguidos. Números são importantes e não há como contestar. É o mundo dos negócios que exige essa atitude. Quem ouve com o coração, coloca os sentimentos na avaliação do que lhe chega aos ouvidos. Sempre envolve as pessoas, para chegar a uma conclusão. Enxerga as pessoas como o centro do universo, o ápice das coisas. Inegavelmente isso é bom, em especial quando se olha sob a ótica de Deus, ao mesmo tempo passa a ser ruim, quando se observa com os “olhos” humanos – focando o material.

As três maneiras de ouvir oferecem vantagens e desvantagens. É só conferir. Cabe, especialmente ao líder, saber se conduzir; há um momento certo, para cada caso concreto. Etimologicamente ouvir significa: escutar; entender, perceber os sons com os sentidos dos ouvidos; escutar conselhos e atender.

Excelentes pensadores garantem que a maioria das pessoas morre falando, sem nunca ter aprendido a ouvir os outros. Precisamos nos auto-examinar para reconhecermos nossas fraquezas, para mudar. Em especial, a liderança da Igreja do Senhor, que deve ser perita na arte de ouvir – quanto mais, melhor. Desse modo, pessoas fortalecidas e estruturadas, se transformam em equipes sólidas e, no plano individual, ficam motivadas, para seguir a liderança, mesmo em condições adversas.

A triste realidade constatada em todos os quadrantes em que vivemos é que a impaciência assolou o mundo. As coisas são para ontem. Os padrões de normalidade estão sendo atropelados pelos compromissos. Velocidade é a palavra de ordem. Parece que o dia tem menos de 24 horas. Tudo passa rápido. Até os cristãos estão envolvidos nessa trama.

Aquele que lidera, em alguns momentos, se encontra envolvido com problemas onde seus seguidores esperam que fale e exprima seu ponto de vista, quando na verdade, motivado pela cautela, ouve. Nada mais. E é assim que deve agir, sempre. Caso contrário, sua jornada será mal-sucedida e inconsequente. Olhe para os lados e confira.

Permita-me fazer dois questionamentos importantes: – Você é um bom ouvinte? – Como é que você tem se comportado sobre este assunto? É importante prestar atenção às pessoas e as suas ideias. Ouvi-las é fator chave de sucesso. Há um gigantesco banco de dados na solução de problemas, na cabeça delas. Você deve ficar atento a esse detalhe espetacular e maravilhoso.

Jesus disse: “Quem tem ouvidos para ouvir que ouça” (Lucas 8.8). Ouvir também significa: guardar, obedecer, seguir as instruções, acatar, aceitar, esconder e escrever interiormente – no coração.

Um empregado que cumpre as instruções recebidas de seu superior, por exemplo, por certo, ouviu o que ele disse, porque guardou e segue os procedimentos ensinados.

O apóstolo João, no livro de Apocalipse, chama de felizes aqueles que ouvem e praticam as palavras de sua profecia. Praticam-se as instruções recebidas é porque ouviram – guardaram, observaram.

Ouvir, em conformidade como verdadeiro significado da palavra é conquistar e ter às mãos, o mapa da jornada, da caminhada. Que coisa maravilhosa.

Por, Romeu José de Assis.

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