Os pais e o futuro profissional dos filhos

paisinspiracaodosfilhosNão são poucos os pais que, com os filhos ainda pequenos, começam a projetar a escolha profissional deles. Médico, engenheiro, piloto, atleta, administrador, pastor, sucessor de sua empresa etc. À medida que eles vão crescendo, aquele desejo de criança de ser veterinário, advogado, professor etc., se modifica e são poucos os que realmente escolhem aquilo que imaginaram quando criança. A juventude chega e a dúvida vem com tudo no pré-vestibular. Que curso seguir? Há as perspectivas de crescimento na empresa onde trabalha, o desejo dos pais… Esse momento de escolha profissional soma-se a um período de inúmeras outras mudanças para os adolescentes, e isso gera medo e ansiedade. É fundamental que os pais ajudem para que esses e outros sentimentos não os paralisem, mas sirvam apenas para motivá-los a analisar, pesquisar e agir sobre as possibilidades de sua escolha profissional.

Conselho aos pais

Comece a formar seu filho trabalhando a auto-estima dele, ou seja, desde pequeno o elogie, ressalte suas conquistas, incentive-o tanto na vitória quanto na derrota. “Você é bom nisso”, “Você é capaz”, “Você é inteligente”, “Confio em você”. Ou quem sabe: “Realmente, você não foi bem, mas você vai conseguir melhorar”; “Você é bom em muitas coisas, mas não precisa ser o melhor em tudo”. Essas frases acima contribuem para uma personalidade confiante perante a vida. Muitas vezes os pais fazem justamente o oposto achando que a crítica os desafiará ou motivará a serem melhores. Porém, isso não é eficaz à longo prazo e muito menos saudável.

Aquilo que você plantar em seu filho ficará na mente dele até a fase adulta. Se escolher fortalecer sua auto-estima mesmo com medo, ele enfrentará as barreiras e irá em busca da tão sonhada profissão, terá determinação para estudar e acreditará que é capaz. Ao contrário, temos o modelo daquele filho, cujos pais só se utilizam da motivação negativa (porque sofreram isso de seus pais, na empresa ou em outras áreas da vida). Neste modelo a mensagem passada é: “a vida é dura, e por mais que você se esforce ainda não é o suficiente. Nota nove é pouco porque você poderia ter tirado dez. O filho do vizinho e sua prima tiram nota dez, porque você tira ‘só’ oito? Você não vai ser ninguém na vida desse jeito”.

O resultado do excesso desse tipo de modelo é baixa auto-estima e por consequência, a escolha de cursos “mais fáceis”, ou até mesmo a fuga de um curso superior, mesmo com muita vontade de fazer uma faculdade.

Conselho aos filhos

Vamos combinar que não dá para você jovem, que dorme até meio-dia, joga vídeo game até cinco da tarde, só vai estudar de noite, “mata” as duas últimas aulas, volta para casa e fica conversando na internet de madrugada, ler a primeira parte dessa matéria e dizer: “Está vendo mãe, a culpa é sua. Eu não preciso ser o melhor em tudo”. Não é bem assim e você sabe!

É verdade que a auto-estima vem de dentro para fora, mas também é importante saber que ela pode ser modificada. Não permita o conformismo de usar o tempo todo frases do tipo: “Isso não é para mim; eu não consigo; a culpa é dos meus pais que me criaram assim; ser médico é para rico”. Você já está crescido e pode mudar a sua história! Peça a Deus em oração, tenha fé e acredite. Se você se esforçar, conseguirá. Deus o honrará! E eu te garanto, o gosto da vitória é maravilhoso!

Recentemente a mídia mostrou a formosura do do jovem Esaú, da cidade de Jaboatão dos Guararapes, que passou em primeiro lugar na rede pública, e andava a pé 40 minutos para ir  e mais 40 para voltar, todo dia, mas se esforçou, acreditou e venceu. Lembre-se ainda da linda história de vida da ex-ministra Marina da Silva, que em meio aos seringais achou tempo para estudar e ir longe na vida. A uto-estima, que gera dedicação e perseverança, determina o sucesso ou o fracasso de uma pessoa, pois ela é o resultado do que percebemos de nós mesmos, como nos vemos. Visto que baixa auto-estima dificulta não apenas a escolha profissional, mas o futuro exercício da profissão. Entrevista de emprego, relacionamento com colegas de trabalho e com superiores exige uma boa auto-estima.

O que fazer?

A família poderá ajudar ou dificultar na escolha profissional. O papel deve ser de orientador, expressando a sua opinião, dando informações, porém respeitando os desejos dos filhos, assim como as suas habilidades. Os pais  precisam estar atentos aos sentimentos, pois é bem comum reviverem os seus conflitos e as suas escolhas ou não escolhas. Infelizmente muitos pais projetam uma escolha para o filho que beneficie a eles, pai e mãe. Outro conflito comum nesse contexto é o dos pais que desejam que os filhos sigam a sua história e deem continuidade à sua história. Lindo, desde que seja uma escolha legítima do filho. Existem aqueles que desejam que os filhos realizem  tudo o que eles não conseguiram e projetam nos filhos os seus sonhos, não raramente famílias grandes projetam em um só todo um peso de responsabilidade de toda a família.

Mas fica claro que na verdade um acaba influenciando o outro, pais e filhos. Pela própria história tem filhos que querem seguir os caminhos profissionais e vocação dos pais, ou o contrário, repelindo a profissão dos pais, até porque inconscientemente culpam a profissão dos pais pelo relacionamento não tão saudável. No processo de socialização a história familiar é o ponto de partida do conceito que se tem de si mesmo. Os pais devem conversar com seus filhos em todos os momentos da vida e também quando estiverem inseguros em suas escolhas, você pai deve encorajá-lo, orar com ele para que possa adquirir fé e confiança para enfrentar não só a escolha profissional, mas também um mundo contraditório e tão cheio de opções.

Muitas pessoas questionam que os sonhos com os ideais financeiros se confrontam, mas costumo dizer que quando fazemos algo com prazer, com dedicação e amor, o dinheiro deixa de ser foco, a prioridade, e passa a ser a consequência. Procure ajuda profissional de um psicólogo, que fará teste para a orientação vocacional, mas já lhe adianto, ele não escolherá por você. Informe-se antes e leia sobre diversas profissões, tradicionais e novas, converse com profissionais de sua área de interesse. Outra dica: observe as suas habilidades, veja se é apenas um hobby ou pode se traduzir em profissão. Veja que caminhos seguiram as pessoas que se deram bem nessa área e se este caminho serve para você. “Vai nesta tua força!” Deus é contigo!

Por, Valquíria Salinas Goulart [psicoterapeuta e psicopedagoga].

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