Os muros de Jerusalém

muro_titoTito deu a Jerusalém o seu muro mais famoso. O general romano, porém, não o construiu, mas escolheu uma parede para sobreviver ao Templo de Jerusalém. Foi o humilhante suvenir da vitória romana no ano 70, quando as tropas invadiram a Cidade de Davi para sufocar mais uma rebelião. O nome do arquiteto do muro não demolido é a ironia involuntária que arremata essa dor. Tito quer dizer “acredita em Deus”.

O muro que os romanos deram a Israel sobreviveu ao império que o legou. Vão-se dois mil anos desde que o Templo veio ao chão, e o muro ficou em pé. Teve quase essa idade a dádiva romana aos hebreus: depois de tirar-lhes o Templo, o Império removeu-lhes da terra. A diáspora fez da maioria dos filhos de Abrão, tão orgulhosos de sua eugenia, judeus de outras partes, de outros povos. Romanos, gregos, etíopes, espanhóis, judeus de todos os lugares, judeus sem lugar.

Mas, no século 19, a milenar dispersão começou a volver. Precisava. Afinal, 2 mil anos longe de casa era tempo demais, e muitos judeus já não se incomodavam. Se o próximo ano não pudesse ser em Jerusalém, que fosse, então, em qualquer lugar. Qualquer um serviria. Theodor Herlz reconheceu que o sionismo precisava de filhos para sobreviver: “A fundação de um Estado depende do desejo de um povo por um Estado”. Estava certo. Aflitivamente certo. Aos judeus do leste europeu interessava muito mais o socialismo revolucionário que a construção de uma pátria. Parecia-lhes mais fácil tentar um governo judeu russo que um Estado judeu na Palestina. Como se dizia à época: eram sionistas com medo do mar.

Sabe-se, o Kremlin nunca foi judeu, a não ser por Karl Marx. A Palestina, por seu turno, passou de terra prometida à promessa em andamento, e finalmente a esperança cumprida. O sionismo agradou, empolgou, convenceu e venceu. Levou um século desde os primeiros movimentos consistentes, mas finalmente chegou o dia em que o Estado judeu nasceu. E com ele veio o segundo muro de Jerusalém; afinal, o sionismo venceu, mas aqueles sobre quem foi campeão se renderam.

De Hamalah a Jerusalém

Em 2001, os israelitas começaram a cercar o quintal de casa. Os mais de 700 quilômetros de extensão do novo muro de Jerusalém, quando pronto, contornarão a Cisjordânia. Em um de seus postos de checagem mais concorridos, milhares de palestinos atravessam a Hamalah para o lado judeu diariamente. São trabalhadores, operários e funcionários que dependem da economia judaica para sobreviver. Infelizmente, com eles também passa o terrorista, o guerreiro covarde de Alá, que queima bandeiras e explode pessoas, que se insulta com um filme mambembe qualquer, e aí queima mais bandeiras e explode mais pessoas.

Para os amantes da causa terrorista do Hamas, Israel está produzindo um fato, forjando a verdade, simulando a história. Mas, no conflito israelo-palestino se explodem por falta de opção. É a maior inversão de valores, a maior distorção histórica de todos os tempos: os súditos de Davi se tornam o sanguinário Golias, enquanto os filisteus encarnam o ruivo Davizinho. Assim, o novo muro de Jerusalém, por ora, é a solução que há, pois Israel é uma ilha de prosperidade cercada por 400 milhões de inimigos viscerais. Muitos deles dispostos a implodir os judeus e os dois muros que agora eles têm – o muro que ganharam de Tito e aquele que tiveram que construir.

A barreira física de oito metros de altura separa dois mundos, isola duas gentes, mas não divide a terra. A muralha não poderia esquartejar o território israelita nem defenestrar-lhe o coração. A “cidade da paz” é recortada por inteiro e para dentro do território judeu por ser seu novo muro. Lamentação palestina! Mas, tem que ser assim, pois Jerusalém é uma cidade só, única e indivisível, e só pode ser a capital de Israel.

Todos os governos israelenses atuaram para manter Jerusalém como seu território nacional, sem intervenções ou internacionalizações. Aliás a história ensina: as duas únicas vezes que a cidade foi capital nacional, o foi de Israel, só de Israel. De Davi a Herodes, de Ben-Gurion a Netanyahu, além dos judeus, nenhuma nação fez de Jerusalém sua capital – os árabes e os mamelucos reinaram de Damasco, os otomanos regeram em Constantinopla. Jerusalém é israelense, judaica, hebreia.

Do céu a terra

Vem o dia em que Jerusalém não terá os muros de Tito ou Barak. Vem o dia em que ela não precisará resguardar-se de terroristas ou inimigos. Neste dia, não haverá um muro sobre o qual lamentar, ou um sobre o qual vigiar. Mas haverá uma para dentro do qual se fará festa.

Naquele dia, não será a mesma cidade, mas uma nova e santa Jerusalém. Não será a cidade das colinas da Judeia, espremida entre o Jordão e os palestinos. Será uma cidade descendo de Deus. Do céu à terra. Tão reluzente quanto a mais preciosa pedra de jaspe, como o mais brilhante cristal. Mas, ainda será uma cidade murada.

A Nova Jerusalém é íntima figura da Noiva de Cristo, e como esta, deve ser casta. Por isso, ainda haverá um muro que separará o que não é de Deus daquilo que é Dele. O muro segregará o profano e obrigará o santo. As suas portas serão vigiadas cada uma por um anjo do Senhor, para manter afastados todos os que rejeitaram a salvação. Aos pecadores será negada entrada, não porque destruíram a cidade, mas porque não têm parte nas promessas de Deus. Mais que terroristas, o muro impedirá a entrada dos infiéis e inconversos de todas as partes, de todos os tempos.

A Nova Jerusalém será o corolário de todas as promessas. Será mais valiosa e duradoura que armistício qualquer. Mesmo assim, ela ainda não é o que desejam os judeus, pois seus corações se lamentam pela terra, pelo chão, pelo pó. No muro de Tito, em orações embaladas, reclamam as paredes que caíram e ignoram as que descerão do céu. Entre uma e outra súplica, imaginam como um dia foi, sem o consolo do que um dia há de ser. Lamentam o passado e tentam defender seu presente, mas não sabem o que esperar do futuro, pois o futuro que esperam não é o que terão.

No passado, um muro para chorar. No presente, um muro para proteger. No futuro, um para acolher aquele que acreditou em Cristo.

Por, Gunar Berg de Andrade.

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