Os males do anti-farisaísmo em Tel-Aviv

Eram eles cegos em suas próprias faltas, tinham um deturpado senso de valores, superestimavam as tradições humanas, por vezes desconheciam o querer de Deus

thumbs4b6cQuando lemos que o Senhor Jesus acusou de hipocrisia os escribas e fariseus de seu tempo, dificilmente alcançamos a proximidade dos costumes e contexto geral para compreendermos o alcance de suas palavras. O vocábulo hypokrites, por exemplo, que o grego eclesiástico estabilizou com o sentido que temos no português, ou seja, o indivíduo que professa ser bom, sem verdadeiramente o ser, tem no primeiro século o sentido de ator. Mesmo nesse sentido, é difícil conciliar os registros primários sobre os fariseus com uma acusação geral de hipocrisia. Eram eles cegos em suas próprias faltas, tinham um deturpado senso de valores, superestimavam as tradições humanas, por vezes desconheciam o querer de Deus como princípio por trás das ordenanças e, certamente, amavam o exibicionismo, afirmativas facilmente confirmadas pelos evangelhos sinóticos. Ao mesmo tempo, eram eles remanescentes do hassidim, ou seja, os leais de Deus. Esses ‘separados’, como se lhes interpreta o nome, haviam exercido grande influência desde os dias de João Hircano (134-104 a.C.) e contavam com o apoio do povo. Foram perseguidos nos dias de Janeu, mas, por conselho dado pelo próprio perseguidor em seu leito de morte, posteriormente assumiram posição privilegiada no sinédrio.

 Decepcionados com o objetivo de um governo espiritual através de meios políticos passaram a apoiar a dominação romana, o que os levou a uma condição favorável nos dias de Vespasiano. No ano 135 d.C., após a derrota de Bar Kochba e sua revolução contra Roma, os saduceus desapareceram como grupo, os zelotes findaram desacreditados e os fariseus permaneceram, tornando-se sinônimo de judaísmo (MOORE, Judaism in the First Century o f the Christian Era). A acusação que lhes faz o Senhor, portanto, precisa ser considerada à luz desse contexto, segundo o olhar divino que sonda os corações e vai além dos atos, mesmo os atos de um dos grupos ético-religiosos mais respeitados do seu tempo. Não bastam os atos, Deus quer o coração: não basta sinceridade cega, isenta de intimidade com o Criador, pois a lealdade sem conhecimento esvazia-se em atos cerimoniais inócuos.

Chegamos, então, ao sentido que damos ao termo farisaísmo hoje, fazendo-o igualar-se às pretensões religiosas dos que, em busca de uma proclamada ‘santidade’, acrescem regra sobre regra, como carga insuportável sobre os ombros dos que desejam ser fiéis, até tornar embaraçoso o caminho que leva a Deus. Em sua defesa, levantam-se outros pregoeiros, cheios de igual sinceridade e desejando atrair alguns que talvez tenham considerada árdua demais a condição de discípulo. Vêm, então, os removedores de marcos, os alargadores de caminhos, os abaixadores de cercas, declarando fim a todo o preceito, considerando vãs todas as regras, anulando os valores, esquecendo os códigos, rasgando a ética. Portadores de um entendimento pessoal do que seja o amor de Deus, vão além da Palavra do próprio Deus, contestando-a com toda sorte de adversativas. Assim, está escrito, mas…; o Senhor falou, porém… As razões desse proceder são facilmente encontradas no antropocentrismo dos nossos dias, nos ouvidos desejosos de ouvir palavras segundo o nosso enganoso coração e resume tudo na defesa de que o homem, a qualquer preço, precisa ser feliz. Tal defesa ganha nome e é chamada de ‘misericórdia’, ‘amor’ e ‘compaixão’ e os que não a seguem são contados como herdeiros dos antigos fariseus.

Quem pensou que o oposto ao farisaísmo seria a adoração como o saudável fruto da entrega total ao Senhor percebe que caiu nas malhas da licenciosidade e da perversão dos conceitos e costumes. Nenhuma regra, esta é a regra do pecado, assim como nenhuma ética é, por si só, a ética narcisista geradora de toda a agressiva ação dos que não respeitam nada em prol de atender suas próprias concupiscências. Se a religiosidade embaraça o caminho, o anti-farisaísmo o descaracteriza, pois o verdadeiro caminho não deixou de ser o que dele foi anunciado por Jesus – estreito e apertado, conduzindo, no entanto, à vida.

Talvez alguém se recorde, baseado do caráter de Deus que se dá a conhecer em Sua Palavra, que cada ‘não’ de Sua boca revela uma enormidade de amor e de verdadeira compaixão. Ele diz não às perversões, não à violência, não à quebra de alianças, não aos altares manchados pelas lágrimas dos lares desfeitos, não a uma pequena ave abandonada num bosque e também não ao abandono de uma criança, ou mesmo sua morte, por aqueles que foram chamados para protege-la. Deus ordena ao homem a varonilidade e à mulher e feminilidade, estabelecendo princípios para ambos e abençoando-os com a possibilidade de uma união santa e indissolúvel. Ele é santo e ainda atrai a Si homens pecadores, redimindo-os e trabalhando em seus corações para fazer deles os santos em quem está o Seu prazer.

A prática anti-farisaica da aceitação, atualmente denominada ‘misericórdia’, tem em Israel seus defensores. Tudo pela ‘alegria’, tudo pelo ‘bem-estar’, tudo pela ‘autoestima’, … e Tel-Aviv prepara-se para ser declarada a capital homossexual do mundo. Lembrando a represália sofrida pelo ex-prefeito de Jerusalém que, em 2005 tentou proibir a parada gay, mas foi impedido pela suprema corte de Israel, que o obrigou a pagar do próprio bolso uma multa por sua oposição, o atual prefeito de Tel-Aviv, Ron Huldai, prefere promover o turismo e apoiar a nova titulação para a cidade, muito embora as organizações gays, exjam poder realizar seus desfiles em Jerusalém.

Todos querem Jerusalém: árabes, judeus, não-semitas e até antissemitas, fariseus ou anti-fariseus. Todos querem a cidade que o Senhor tomou para Si e onde Ele ainda reinará.

Por, Sara Alice Cavalcante

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