Os “últimos dias” já tiveram início?

Podemos afirmar que os “últimos dias” já iniciaram, tendo em vista o que diz Atos 2.17-21, ou eles ainda estão por vir, conforme sugere 1 Timóteo 3.1-5?

Os “últimos dias” já tiveram inícioPara interpretarmos corretamente o que Pedro quis dizer no que tange temporalmente aos “últimos dias” em Atos 2.17-21, precisamos atentar para uma pequena sutileza, quando ele fez menção, na sua pregação, do texto escrito pelo profeta Joel no Antigo Testamento, com o objetivo de explicar aos seus ouvintes o que estava acontecendo naquele dia (Atos 2.1-4, 12). De acordo com o texto de Joel 2 (nosso grifo), Deus diz “… derramarei o meu Espírito” (v. 28); e, em seguida, no versículo 29, reafirma: “…naqueles dias derramarei o meu Espírito”. O apóstolo, porém, modificou as palavras registradas pelo profeta, ao dizer em Atos 2.17 (nosso grifo): “… diz Deus, que do meu Espírito derramarei”, reiterando no versículo seguinte: “E também do meu Espírito derramarei…”. Crendo que a mesma mente divina inspirou tanto um quanto outro (2 Pedro 1.21 – lit. “conduzidos”, “movidos”), entendemos que a alteração feita por Pedro foi proposital. E por quê?

O artigo definido utilizado por Joel indicava um derramamento pleno, total, sem medida, que, mesmo para nós, no século 21, ainda é futuro, ou seja, ainda acontecerá, enquanto que a preposição utilizada por Pedro, embora estivesse se referindo ao mesmo derramamento, indicava somente o seu início, o seu começo. Em outras palavras, naquela oportunidade, por volta de 30 AD, o que estava sendo presenciado pela multidão era somente o surgimento de uma nascente, que num tempo glorioso futuro tornar-se-á um rio caudaloso e avassalador. Isso acontecerá no Milênio, quando o Senhor reinará na Terra (Apocalipse 20.4), então restaurada (Romanos 8.20-23), e o Diabo será preso no abismo (Apocalipse 20.1,2). Neste tempo, o Espírito Santo será derramado sem medida, de forma plena e completa (Ezequiel 39.29). Quanto ao paralelismo verbal em Atos 2.17,18 e 2 Timóteo 3.1-5, a mera repetição de uma palavra ou expressão em diversas passagens da Bíblia não significa que obrigatoriamente o seu sentido será sempre o mesmo. A título de exemplo, em Mateus 2.1 e Apocalipse 21.10, a palavra Jerusalém é a mesma, mas os lugares são diferentes. A palavra igreja em Atos 5.1 é local, regional, mas em Mateus 16.18 é universal como Corpo místico de Cristo. Os contextos imediato e remoto são fundamentais neste campo.

Os protestantes puritanos do século 17, quando pregavam o seu entendimento (interpretação) acerca dos “últimos dias”, em meio às terríveis perseguições movidas pela igreja estatal anglicana contra aqueles que rejeitavam o seu ritualismo e organização episcopal, não fizeram diferente do que outros grupos perseguidos em outras épocas da igreja. Ainda nos dias da Igreja Primitiva, algo semelhante aconteceu com os irmãos na igreja de Tessalônica (1 Tessalonicenses 2.14,15; 3.1-4; 4.11ss). Indiscutível é o iminente cumprimento das profecias bíblicas, quanto às “coisas que brevemente devem acontecer” (Apocalipse 1.1). O desafio maior proposto pelas Escrituras para a Igreja do século XXI é viver cada dia como se fosse o último da Noiva de Cristo na Terra (Efésios 5.25-27), e o primeiro da Esposa do Cordeiro no Céu (Apocalipse 21.9).

Por, Gil Monteiro Silva.

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