Os contrastes da Mensagem da cruz

Os contrastes da Mensagem da cruzÉ na cruz que o pecado se contrasta com o perdão; a morte, com a vida; a dor com o prazer; e a idolatria com a lembrança. Partindo desse último contraste, entendemos que a cruz significa uma lembrança. É na cruz que nos lembramos do sacrifício e do amor do nosso Senhor Jesus. Havia um desejo de Jesus de haver lembrança da cruz. Foi assim que antes de Ele enfrentá-la, toma pão e vinho, simbolizando seu corpo e  sangue, e ao servir aos discípulos pede solícito, “fazei em memória de mim” (Lucas 22.19). Mas isso não nos dá o direito de adorar a cruz, de reservar um espaço físico para ela e de se praticar a idolatria.

A cruz nos lembra o pecado, o pecado em Cristo, o pecado em quem nunca pecou. A culpa de todos os pecados, mas também na cruz ouvimos o brado do perdão ao meio aos algozes que o feriam, o Senhor Jesus brada: “Pai, perdoa-lhes” (Lucas 23.34). O perdão está na cruz, o perdão está representado na cruz, no sangue do Cordeiro imolado.

A cruz foi o palco da dor. Da dor de sofrer os cravos, os espinhos, as chicotadas, o vitupério da vida dolorosa. Mas a cruz também foi o ápice do prazer. Do prazer de poder dizer àquele delinquente arrependido: “hoje mesmo estarás comigo no paraíso” (Lucas 23.43). O prazer de representar ali a recompensa da dor.

Na cruz, olhamos a morte, morte do Cristo, mas vemos também a vida. A vida na ressurreição que começa no último suspiro do Cristo. A ressurreição não começa no terceiro dia. No mundo espiritual,a vida vence a morte e o nosso Cristo prega aos espíritos em prisão, mostra a Satanás quem é o dono de tudo; e o “Vivo entre os mortos” aguarda o desfecho da Vida no domingo de manhã. Retoma o Seu corpo e se apresenta às testemunhas; sobre aos céus e retorna ao Seu estado original de glória e poder dando à Mensagem da cruz do seu real sentido.

Portanto, assim como a cruz é vista em seus contrapontos, a Mensagem da Cruz herda esses contrastes através dos que a verbalizam. Há muitos que pregam a Mensagem da cruz como a mensagem do “só vitória”, onde só há alegrias. Uma mensagem da cruz fantasiada de sorrisos e de uma perene felicidade. Uma mensagem da cruz com ausência de enfermidades, de dificuldades financeiras e uma mensagem impregnada pela naturalidade, superficialidade e pelo conformismo mundano. Uma Mensagem da cruz que não produz transformação de vida, onde as pessoa apenas a apreciam e a escolhem como mais uma entre tantas filosofias de vida.

Mas os contrapontos da Mensagem da cruz verdadeiramente são paradoxais. Os seus contrastes, como pecado e perdão, morte e vida, dor e prazer possuem dimensões diferentes, a serem vividas ao seu tempo. A questão é apresentar a mensagem da cruz pelas vias do imediatismo, da mudança radical, do estado perfeito em uma dimensão imperfeita. A ausência das enfermidades, a vitória das dificuldades financeiras, a dificuldade da vida no estalar de dedos, não são daqui, são experiências celestiais, que a mercê da Soberania divina podem ser degustadas aqui, mas, apenas serão vividas plenamente nos céus. Porém, enquanto esse tempo não chega, o homem precisa entender que aqui na Terra se vive a mensagem da cruz na sua dimensão dolorosa e fatídica das consequências dos pecados perdoados; na dimensão do pecado, da morte e da dor.

A verdadeira mensagem da cruz está concentrada nos evangelhos, dentre eles em Marcos 8.34b, Jesus diz assim: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me”.

Esta é a Mensagem da cruz. Negar a si mesmo é travar uma luta constante contra o pecado, é passar a vivenciar a luta contra os desejos da carne, negar a si mesmo é crucificar o seu ego, é fazer morrer os seus desejos. Quando eu nego a mim mesmo, eu me firo, eu me cravo na cruz, o meu orgulho é ferido, a minha alma é humilhada, o meu ego é judiado, é esbofeteado, é chicoteado. Quando eu nego a mim mesmo, eu dou o meu direito a outrem para não-escandalizar o Reino. Quando eu nego a mim mesmo, eu vivo a dimensão do pecado, da luta contra o pecado, do esforço para não pecar. É extremamente brutal, lutar contra aquilo que é natural na vida do ser humano, pecar. Pecar na sua essência é prazeroso. E nós não aceitamos, negamos a nossa própria natureza. Essa é a Mensagem da cruz.

Tomar a sua cruz é aceitar a morte para o mundo, apesar de ao mesmo tempo viver nEle. E quando morremos, perdemos a sensibilidade para o mundo material, e aguçamos essa sensibilidade no mundo espiritual. Aquele que está morto para o mundo, agora vive para Cristo e ele se desconecta de todo o vão-costume, de todos os maus hábitos, ele muda radicalmente de dimensão, ele não vive mais para esse mundo e aí não concebe a ideia de adaptação, do se adequar as velhas práticas coma nova vida. É o que muitas pessoas fazem, não há mudança de comportamento, de opinião: muitas pessoas abraçam a mensagem da cruz, mas não morrem; elas querem continuar vivendo intensamente os seus desejos e sua vida social permanece inalterada de quando não tinha Jesus. E se esquece de que quem toma a cruz de Cristo, morre. A mensagem da cruz aqui é morrer, é desconectar. E isso não tem haver com alienação, com radicalismo, o fanatismo ou coisa parecida. Quando eu morro para o mundo, isso não quer dizer que não o conheço, pelo contrário, é por conhecer e saber como o mundo se degrada moralmente, que mais nos fechamos para ele e suas ideias modernistas.

E por fim, Jesus diz: “siga-me”. Até parece redundância nas expressões “vir após mim” e “siga-me”. Mas não! Na expressão vir após mim, se visualiza uma compreensão mais superficial e descomprometida, como a multidão que vinha após Ele. E foi exatamente para segregar os que estavam vindo após Ele, à espera dos “milagres dos pães”, dos que queriam verdadeiramente segui-lo. Então, seguir Jesus tinha uma conotação da dor, do sofrimento, da tribulação. Segui-lo é de fato, viver o contraponto do prazer, a dor. É aceitar e conviver com as tribulações. Porque seguir a Jesus, nada tem a ver com fama, aplausos e estrelismo. Nada tem a ver, com o se dar bem financeiramente à custa do Evangelho. Seguir Jesus significa sofrer, ser solidário, altruísta, ser abnegado, doar-se, partilhar o que tem. Seguir Jesus não é ter uma carteirinha de membro de uma igreja apenas, e rotular-se como um de Seus discípulos, ou, fazer parte do “grupo de Cristo”. Cuidado, porque esta era uma das anomalias da Igreja de Corinto, o grupo de Cristo (1 Coríntios 1.12). Cuidado! Seguir Jesus tem a ver com aceitação e convivência com todas as pessoas independentemente de suas fraquezas; é amar aquele que o fere, é desejar o bem ao teu algoz.

Isso é seguir Jesus. É pregar que Jesus cura e ser canal de ministração da cura divina mesmo possuindo enfermidades. É alegrar-se na tribulação, pela esperança de que um dia viveremos os contrapontos da Mensagem da cruz no lugar certo: as Mansões Celestiais. É lá que o pecado, a morte e a dor, estão aniquiladas e substituídas pelo perdão, pela vida e prazer eternos.

Por, Marcos Vinícius Souza do Nascimento.

One Response to Os contrastes da Mensagem da cruz

  1. Lucas disse:

    Excelente texto! Superou minhas expectativas sobre textos nesse tema. Para ficar mais claro, fiz uma pesquisa e pouco se fala claramente o que Deus quer transmitir através da mensagem da cruz e o foco passa a ser nas alegrias, etc. Deus abençoe tramendamente sua vida!
    Abs

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