Orar por conversão: e o livre-arbítrio?

Quando um cristão ora pedindo salvação para alguém que estima muito, ele está concordando com o a ideia do calvinismo?

Orar por conversão - e o livre-arbítrioAo ser indagado por esta questão, sou levado a fazer um resgate do conceito de livre-arbítrio para que possamos contribuir e não determinar ou finalizar a questão em tela, que aparentemente traz uma complexidade à variedade de compreensões a ela atribuídas.

Livre-arbítrio, segundo o Dicionário Aurélio significa resolução, determinação dependente apenas da vontade. Faculdade de decidir, de escolher, de determinar, dependente apenas da vontade.

Agostinho trabalha a ideia de que o livre-arbítrio é a possibilidade de escolher entre o bem e o mal; portanto está relacionado com a vontade.

Segundo os cristãos, ele é a condição que Deus dá ao homem para agir e ser livre, com capacidade para fazer as suas próprias escolhas, inclusive aquelas que não estão de acordo com a vontade divina. Deus tem pleno poder para proibir que o homem realize o bem e o mal, no entanto dá ao homem a liberdade de escolher, qual caminho tomar na realização de seus atos, que o mesmo possa decidir com responsabilidade.

A Bíblia deixa claro que nós podemos agir livremente, ao invés de sermos robôs projetados apenas para seguir comandos de uma divindade no Céu. Pedro diz: “Vivam como pessoas livres, mas não usem a liberdade como desculpa para fazer o mal” (1 Pedro 2.16 – NVI).

Os calvinistas defendem a ideia que Deus escolhe aqueles que serão salvos antes da criação. Partindo deste princípio, há uma determinação e não escolha. Se somos livres como a Palavra nos afirma em na Epístola de Pedro, então Deus nos dá a condição de seguir a nossa vontade de escolher, portanto, ao pensar que se orarmos intercedendo a Deus pelos nossos familiares para que sejam salvos estaríamos fazendo uma escolha, independente da vontade de Deus salvar ou não nossos familiares, estamos utilizando nosso livre-arbítrio para suplicar a Deus que possa a Sua Palavra se revelar aos nossos entes queridos. A Bíblia nos relata: “Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” (Tito 2.11).

Tito, ao expressar essa palavra, demonstra que a graça salvadora é na pessoa de Cristo Jesus, e para isso encontramos em João 3.16 o que afirma as Escrituras: “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”. Novamente olhamos a liberdade que Deus nos dá em escolher: “todo aquele que nele crer”, ou seja, não é “todos devem crer”. A Bíblia nos apresenta uma palavra bem especifica que demonstra esse cuidado: “E conheceis a verdade, e a verdade os libertará” (João 8.32).

Finalizando essa compreensão, poderíamos ainda trazer o exemplo de Abel e Caim. Deus aceitou a oferta de Abel e rejeitou a de Caim, porque este não ofertou como seu irmão. Então, a Bíblia diz: “Por isso Caim se enfureceu e o seu rosto se transtornou. O Senhor disse a Caim: ‘Por que você está furioso? Por que se transtornou o seu rosto? Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo’” (Gênesis 4.6,7). Este exemplo bíblico mostra que Caim possuía livre-arbítrio. Ele não foi obrigado a pecar. Ele pecou porque ele quis. Deus não determinou o pecado de Caim, senão, de modo nenhum teria dito que poderia fazer o bem e seria aceito.

Prezado leitor, a Bíblia nos diz que devemos amar e orar pelos nossos inimigos e os que nos perseguem: “Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos” (Mateus 5.44-45). Se a Bíblia nos orienta a orar assim, então devemos orar para que Deus alcance nossos amigos, familiares e todos quantos amamos, pois o Reino de Deus é para todo o que crer.

Que possamos nos ater mais à Palavra de Deus e pedir ao Espírito Santo que nos ilumine a cada dia para contemplarmos as benesses da graça de Deus.

Por, Agissé Levi da Silveira.

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