O trato com as heresias e os hereges

O trato com as heresias e os heregesA Igreja do Senhor existe há mais de dois mil anos, passando por provações, lutas, perseguições e vitórias. Desde a sua fundação, surgiram várias linhas teológicas, doutrinas, pensamentos, interpretações e heresias, cada uma mais absurda que a outra. Tentativas de inserir livros não canônicos como regra de fé aos cristãos e argumentos baseados em experiências espirituais pessoais estão entre os problemas enfrentados. Sempre que surgia uma nova doutrina, era quase sempre para se adequar aos interesses do povo ou do líder em geral.

O judaísmo cristão, ou judaizante, por exemplo, considerava que eles tinham privilégios especiais como o povo escolhido de Deus. Eles diziam que era necessário se tornar primeiro judeu através da observância dos ritos da lei para depois se tornar cristão salvo, ou seja, a pessoa tinha que se tornar legalista no sentido judaico para receber a graça e viver de forma legalista, apesar da graça. Os gnósticos ensinavam que Cristo era uma emanação panteísta, inferior a Deus, e que a Sua aparição em carne era apenas semelhante a uma visão. Eles ensinavam um sistema de doutrinas que era além do já citado, um dualismo básico entre o espírito e a matéria, que necessitava do pleroma (a cadeia de coisas emanadas que conectam o Grande Deus a matéria); uma divisão no pleroma que resultou na criação das coisas materiais e do homem por um Demiurgo, uma faísca de Deus implantada no homem em sua criação, a redenção e a libertação dessa faísca divina por meio do esclarecimento, resultando na autoconsciência (algumas vezes chamada de despertar do sono ou sair da embriaguez), um Cristo que redime por ser revelador ou iluminador, e não salvador-sofredor e a salvação por meio do conhecimento, basicamente pelo autoconhecimento. Os gnósticos também ensinavam que o ser humano, por ser matéria e esta ser mau, poderia fazer todo ato de libertinagem.

Os sincretistas tentaram fazer uma síntese entre a revelação e a filosofia. Filo, anterior à época de Cristo, tentou combinar a religião judaica com o conceito estóico de um logos imaginado com base na “ideia das ideias” de Platão.

Ainda existiam ensinamentos que falavam que se Cristo levou nossos pecados, logo não existia mais pecado, tendo o homem liberdade de pecar. Dentre outros falsos ensinamentos e doutrinas estes eram os que mais perturbavam as igrejas, sendo necessário um grande combate e rejeição de seus líderes por parte dos apóstolos.

No combate às heresias e aos heréticos, o apóstolo Paulo escreve na Carta aos Romanos, capitulo 16, versículos 17 e 18: “E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples”. Aos Gálatas 1.6-8, escreve o apóstolo: “Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema”. E ainda: “Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído” (Gálatas 5.4). Na carta a Tito, capítulo 3, versículos 10 e 11, lemos: “Ao homem hereje, depois de uma e outra admoestação, evita-o, sabendo que esse tal está pervertido, e peca, estando já em si mesmo condenado”.

O apóstolo Pedro escreveu: “E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade” (2 Pedro 2.1, 2). E mais: “Vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza; antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém” (2 Pedro 3.17, 18).

Em sua Primeira Carta Universal, o apóstolo João escreveu: “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já agora está no mundo” (1 João 4.1-3).

Judas escreve: “Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos. Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo” (vv. 3, 4).

Assim como no início da Igreja, para a manutenção da sã doutrina na atualidade precisamos de homens cheios do Espírito Santo e conhecedores da Palavra de Deus, pois não deixaram de existir homens hereges tentando deturpar a graça de Deus e as bênçãos do Senhor.

Hoje se fala muito em bênçãos materiais como sendo um principio da presença de Deus na vida do crente. Se chegarmos a uma congregação e perguntarmos qual o irmão mais abençoado, logo nos apresentarão o irmão mais rico da igreja. Temos perdido os sentidos da verdadeira benção de Deus e de prosperidade. Na verdade, nem sempre o mais abastado financeiramente é aquele que detém a benção de Deus, pois o mais abençoado pode ser o que se esmera pelas coisas espirituais e as possui. A teologia da moda, a do momento, está deturpando e invertendo os reais valores da Igreja. Consideremos, pois, como bênção de Deus não apenas as coisas que conseguimos ver. “Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas” (2 Coríntios 4.18). Se assim considerarmos, combateremos essa falsa teologia, com a sã doutrina do Senhor.

Por, Randolfo Sousa Barroso.

4 Responses to O trato com as heresias e os hereges

  1. Amanda disse:

    DEUS CONTINUE ABENÇOANDO O SENHOR PASTOR RANDOLFO

  2. Amanda disse:

    DEUS CONTINUE ABENÇOANDO O SENHOR PASTOR RANDOLFO

  3. Josie Ramos disse:

    excelente e esclarecedora reflexão. parabéns pastor Randolfo.

  4. josue moreira disse:

    Que Deus abençoe sua vida pastor.
    Este é o meu pastor.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Google Translate »