O significado da proclamação das Boas-Novas no Antigo e no Novo Testamentos

O significado da proclamação das Boas-Novas no Antigo e no Novo TestamentosO anjo anunciou aos pastores: “Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo” (Lucas 2.10). Outra versão traz a expressão “…trago uma boa notícia…”. No original, a palavra em grego aqui é euangelizomai.

O substantivo grego euangelion significa “boas notícias” e, muitas vezes, aparece como “evangelho” nas traduções. Essas informações são do conhecimento de quase todos os crentes. O que não é do conhecimento geral é que o verbo grego euangelizomai significa sempre “carregar boa notícia”, conquanto, infelizmente, ele apareça em algumas traduções não poucas vezes apenas como “pregar”. Ora, o Novo Testamento grego emprega outros verbos para transmitir a ideia geral de proclamar ou anunciar.

Meditemos sobre o conceito de euangelizomai.

Antecedentes no Antigo Testamento

Euangelizomai ocorre inúmeras vezes na Septuaginta, uma tradução para o grego do texto hebraico do Antigo Testamento. Esse vocábulo é usado, por exemplo, para referir-se à notícia do nascimento de Jeremias transmitida ao seu pai, o que fez este muito feliz (Jeremias 20.15); e é usada também em referência ao anúncio da boa notícia de uma vitória sobre os inimigos, como no caso da vitória dos filisteus sobre o rei Saul (1 Samuel 31.9).

Para os nossos propósitos, as ocorrências são mais importantes no livro de Isaías. Sião/Jerusalém é chamada a assumir a boa notícia do Reino do Senhor em Isaías 40.9. Seu Reinado é novamente a mensagem na conhecida passagem de Isaías 52.7: “Quão suave são sobre os montes os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!”. Em uma passagem profética, o profeta falou de camelos que “ouro e incenso trarão e publicarão os louvores do Senhor” (60.6). Existiria aqui uma ligação com a história dos magos registradas em Mateus 2.1-11?

Mas a mais óbvia passagem messiânica utilizando o verbo euangelizomai é Isaías 61.1: “O Espírito do Senhor Jeová está longe de mim; porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos mansos…”. Jesus aplicou essa passagem a si mesmo quando leu-a na sinagoga em Nazaré (Lucas 4.16-18).

Uso do vocábulo entre os gregos

Nossa palavra “anjo” é uma transliteração do caule da palavra grega para mensageiro – angelos. Essa mesma raiz é encontrada no substantivo euangelion e no verbo euangelizomai. O prefixo eu nestas duas últimas palavras tem o mesmo significado do advérbio “bem”. Dela advém a ideia de “boa”, quando prefixada às palavras.

Os gregos antigos utilizavam euangelizomai para proclamar a notícia da vitória, da captura ou da morte do inimigo. Quer vitória na batalha ou em alguma outra base, as notícias veiculadas pelo mensageiro eram motivo de alegria. A expressão, porém, adquiriu um significado religioso, quando passou a ser usada em conexão com o surgimento de homens divinos (theios anthopos), cuja vinda é anunciada com alegria.

No pré-Novo Testamento e no Novo Testamento, a palavra euangelion adquiriu significado religioso em conexão com o culto imperial. “Alvissareira” era a notícia do nascimento de um governante, a chegada da idade para governar, a sua coroação, seus discursos e os seus decretos. Especialmente interessante para os leitores do Novo Testamento é uma proclamação (euangelion) emitida na província romana da Ásia sob o ano 9 a.C. Ela homenageou o aniversário de César Augusto, declarando que o tempo seria contado agora a partir da data de seu nascimento. O decreto também exalta o aniversário desse “deus”, como era tratado, como sendo um início alvissareiro para o mundo. Só podemos pensar que Lucas tinha isso em mente quando lemos que foi durante o reinado de Augusto que nasceu Jesus (Lucas 2.1).

Cumprimento do Antigo Testamento

A boa notícia do plano redentor de Deus foi predita no Antigo Testamento e cumprida no Evangelho de Jesus Cristo (Romanos 1.1-4 e 1 Coríntios 15.1-5). Essas passagens dão a essência daquilo que constitui o Evangelho: o cumprimento das promessas do Antigo Testamento (Atos 13.32). É interessante que a palavra grega para prometer (epangelia) está relacionada com a origem etimológica de euangelion.

As duas primeiras ocorrências de euangelizomai na cronologia do Novo Testamento são significativas, uma vez que os anjos são arautos da boa nova. O anjo Gabriel disse a Zacarias: “…fui enviado a falar-te e dar-te estas alegres novas” (Lucas 1.19). No caso, a boa notícia era o nascimento de João Batista, o precursor do Redentor. E foi ele próprio um prenúncio da maior boa notícia de todos os tempos – a Vinda do Redentor. No tempo do nascimento de Jesus, um anjo disse aos pastores: “Eis que vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo” (Lucas 2.10).

Curiosamente e significativamente, a última ocorrência no Novo Testamento do verbo euangelizomai também tem um anjo. João viu “outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo” (Apocalipse 14.6). Podemos inferir que os anjos estão no início e no final das proclamações das Boas-Novas de Jesus Cristo, mas que, entre o seu primeiro e o seu segundo adventos, são os crentes que tem a responsabilidade de sustentar essa Boa Notícia para todo o mundo. Jesus ordenou aos discípulos: “Ide e pregai (kerusso – sinônimo de euangelizomai) o evangelho (euangelion) a toda criatura…” (Marcos 16.15).

Proclamadores do Evangelho

Uma pesquisa dentro do Novo Testamento mostra que os proclamadores do Evangelho incluem, além dos anjos, João Batista (Lucas 3.18), Jesus (Lucas 4.18 e Mateus 11.5) e os discípulos (o Livro de Atos onde encontramos um comentário sobre essa matéria, o termo euangelizomai ocorre 15 vezes). Registramos, contudo, que Jesus foi tanto Proclamador das Boas Notícias como o próprio assunto dessa proclamação.

No Novo Testamento, as passagens onde se utiliza o verbo euangelizomai mostram o conteúdo das diversas proclamações dadas, como: o Reino de Deus (Lucas 4.43; 8.1; 16.16; Atos 8.12); Jesus como o Cristo (Atos 5.42); Jesus (Atos 8.35); o Senhor Jesus (Atos 11.20); o Filho de Deus (Gálatas 1.16); as incomensuráveis riquezas de Cristo (Efésios 3.8); o nome de Jesus (Atos 8.12); a Palavra (Atos 8.4; 15.35; 1 Coríntios 15.2; Hebreus 4.2 e 1 Pedro 1.25); coisas boas (Romanos 10.15); a fé (Gálatas 1.23); e a palavra Evangelho em si (1 Coríntios 15.1; 2 Coríntios 11.7; Gálatas 1.11 e Apocalipse 14.6). Essa proclamação resultará em alegria (Lucas 2.10) e paz (Atos 10.36 e Efésios 2.17).

O desafio

Proclamar as Boas-Novas é um compromisso permanente dos seguidores de Cristo.

Sobre isso, as palavras de Paulo a seguir são perfeitas para a conclusão deste breve estudo e um desafio para todos os fiéis: “Porque, se  anuncio o evangelho, não tenho nada de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!” (1 Coríntios 9.16).

Por, Anthony D. Palma.

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