O retorno dos Anussim para casa (parte 2)

O retorno dos Anussim para casa (parte 2)Os Anussim não são necessariamente praticantes do judaísmo. Também não conseguem ver, muitos deles, em sua experiência familiar, a prática religiosa romana em sua inteireza, ainda que, em muitas casas houvesse oratórios, tal presença devia-se mais a uma propaganda da fé exigida do que a realidade de sua disposição íntima. Alguns desses pequenos oratórios eram adornados, inclusive, com uma estrela de Davi, ou com a letra hebraica “shim”, para lembrar que as orações ali feitas eram em honra a “El Shadday”, e não aos ídolos representados.

Conforme a palavra do profeta Obadias, “os cativos de Jerusalém que estão em Sefarade possuirão o Neguev (as cidades do sul)” (Obadias 20). Sim, nos tempos finais, que já são hoje, os dispersos que chegaram a Sefarade, os sefaridim ou sefaraditas, cujos ancestrais saíram de Jerusalém quando a cidade foi tomada no ano 70 de nossa era, habitando na Espanha, Portugal, norte da África, especialmente o Marrocos, daí partindo para outros lugares ao calor da grande perseguição que se levantou contra eles, sim, eles retornarão a Jerusalém, são povo do Senhor, são remanescente de Israel e parte da promessa de restauração. Seu lugar, uma vez que os séculos mesclaram sua herança tribal e poucos conseguem ainda identificá-la, será o Sul, as terras áridas do Neguev, que esperam seus filhos retornarem para florescer. Pernambucanos, acreanos, rio-grandenses, mineiros, paraenses,… habitarão o sul de Israel.

Retornar, porém, não se limita a uma mobilização geográfica, mas, sobretudo, ao entendimento do que isso significa. Pois há um perigo a mais a rondar os Anussim. Enquanto procuram romper 400 anos de silêncio de sua história, enquanto procuram suas raízes e afinal conseguem compreender uma variedade de sentimentos, são alvo dos movimentos religiosos que tentam moldá-los a suas formas, esquecendo-se de que retornar a Jerusalém não significa abraçar o judaísmo histórico, mas retornar à essência da relação de Deus com Seu povo. Retornar é de novo assentar-se à entrada da tenda de nosso pai Abraão e conversar com o Eterno. Retornar é abraçar Espírito da Lei. Retornar é recusar-se a ser, novamente, forçado. Tal retorno já divide líderes religiosos em Israel, havendo já os que aceitam os Anussim, desde que convertidos ao judaísmo, e os que, entendendo que o retorno dos judeus após o Holocausto não exigiu postura ideológica ou de fé, apenas a confissão de ser judeu, igualmente consideram a possibilidade de recebê-los como irmãos dispersos, voltando para casa.

Talvez o entendimento, pelas igrejas, do mover profético ocorrendo em nossa nação e arredores, nos permita compreender a sede de conhecimento e a atração por Israel, cada vez mais crescente, de maneira a integrar-nos nas palavras de Obadias e não pelejar contra elas. Sem a postura equivocada da Teologia da Substituição e sem a perigosa força judaizante, precisamos encontrar lugar em nossos corações e em nossas comunidades para a redescoberta de famílias inteiras que se definirão como judias, cristãs, pentecostais, livres em Cristo de todo o jugo da Lei, uma vez que foi cumprida na cruz do Calvário, aguardando a história que o Senhor ainda tem preparada para os Seus. Outrora forçados, são hoje livres para crer em Jesus como Messias de Israel – não menos judeus por causa disso, despidos do medo de séculos de perseguição, conscientes de sua presença e contribuição para termos hoje o Brasil que conhecemos. Querer fazer do Anussim um judeu segundo a forma do judaísmo do leste europeu, segundo as práticas do judaísmo talmúdico, é esquecer a variedade acrescida a um povo através das dores e alegrias de suas jornadas durante os longos anos de diáspora. Aos que retornam, sejam eles bem-vindos. Nossa mais sincera oração é de que conservem a fé no Deus de Abraão, Isaac e Jacó, no Deus de seus pais, no Criador, que cumpriu Suas promessas e enviou Seu Ungido, Jesus Cristo, Senhor Nosso, e nos selou com Seu Espírito Santo, o Mesmo que não permitirá que uma só de Suas Palavras caia por terra. A Ele Glória eternamente!

Por, Sara Alice Cavalcante.

3 Responses to O retorno dos Anussim para casa (parte 2)

  1. francico disse:

    minha familia tem sobre nomes azevedo lopes pinheiro araujo alves emendes todos consta na lista de nome sefaradita nao tenho como comprova se sou anussim porque alguns deles nvieram do ceara como acarati

  2. francico disse:

    ceara aracati azevedo

  3. francico disse:

    gostaria de mais informaçao deste assunto no estado do acre ainda nao foi feito um censo quanto descendente de judeus somos a maioria tem sobre nome de sefaradita como e o caso de minha familia onde bisovos paterno azevedos e mendes materno lopes pinheiro araujo e todos consta na lista de nome lusio brasileiro se eu tenho descendençia de judeu isto e uma grande honra para mim sempre tive muito desejo de ir a israel e um sonho

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