O que virá após o sábado?

O que virá após o sábadoQualquer criança em idade escolar responderá facilmente à pergunta acima com a resposta: “Domingo”, sem se dar conta da mensagem que a expressão contém. Manchando muros em Jerusalém, aliás, a frase ganha tons ameaçadores, afirmando: “Depois do sábado virá o domingo”, num código que precisa ser decifrado. O que se escreve sobre as pedras da Cidade Santa nada mais é do que um alerta feito por terroristas, apontando um futuro de perseguição aos cristãos, aqui representados pelo dia de domingo, após as atuais ações contra judeus, representados pela referência ao shabat. O anúncio não está desconectado de ações passadas em outros tempos de crescente antissemitismo, partindo de diferentes grupos ou nações, quando o ódio que incitou massas contra os filhos de Israel logo estendeu seus tentáculos a outros grupos, a exemplo da perseguição sofrida pelos ciganos no decorrer da campanha nazista, uma vez que o ódio ao semelhante, desde que fomentado, desconhece a razão, enquanto engendra motivos.

A operação do preconceito parece carecer de novos tons, repetindo-se como ferramenta de destruição quase que idêntica no modo e no discurso. Aqui e ali alguma variação oferecida pela tecnologia, uma recolocação de termos, um novo apoio dito ‘histórico’, ‘científico’ ou mesmo ‘humanitário’ finge soprar alguma novidade que alimente a mídia e aplaque consciências. A forte impressão de que algo está se repetindo deve envolver aquele que acompanha o curso da História das nações e de seus momentos mais críticos.

Agora chamado de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), um crescente movimento contra Israel vem chamando a atenção. Com a bandeira de “justiça aos oprimidos”, os ativistas vêm estimulando festivais de ódio aos judeus em diversas universidades do mundo, incentivando a demissão ou a recusa à contratação de professores judeus em importantes instituições, onde ser pró Israel passou a ser entendido como sinônimo de “racismo”. Na área comercial, o movimento atinge a restrição nas compras de produtos israelenses, de maneira a atingir o Estado Judeu em suas finanças. Uma foto tirada num supermercado da Inglaterra mostra jovens vestindo camisetas com as inscrições “FREE PALESTINE” e “BOYCOTT ISRAELI”, enquanto retiram das gôndolas produtos cujas origens seriam de ‘territórios ocupados’ por Israel.

Por trás das manifestações estão as marcas da Autoridade Palestina e da OLP. Segundo As’adAbukhalil, professor da Universidade Estadual da Califórnia, “o verdadeiro objetivo do BDS é derrubar o Estado de Israel”. Assim, artistas modificaram recentemente suas agendas, suspendendo shows que fariam na região, cedendo às pressões sofridas pelo movimento. Produtos da Ahava, água Eden, produtos da Stanley Black & Decker, Calvin Klein, Motorola, apenas para citar alguns, estão na lista do boicote.

Na edição 2459 da revista Veja (janeiro de 2016), o artigo de Nathalia Watkins ajuda a conhecer as conexões que vão se formando na política internacional, em particular nas relações Brasil-Israel, diante dessa onda. O triste incidente envolvendo a rejeição pelo Brasil do embaixador apontado por Israel, Dani Dayan é emblemático da situação. Destarte o erro da diplomacia israelense, de anunciar o nome do embaixador via twitter, fato que fere a cartilha diplomática, a recusa do Brasil a Dayan apenas ganha sentido como uma franca rejeição ideológica. O diplomata foi líder de colonos na Cisjordânia e mora no assentamento de Maale Shomrom. Acontece que nem Dayan e suas escolhas representam Israel, nem o atual governo resume o Brasil em sua visão para com Israel. Conforme citação de uma fonte diplomática, “o Brasil não está de acordo com posições de vários países, como Irã, Arábia Saudita e Estados Unidos. Nem por isso rejeitou embaixadores”. Nathalia acrescenta: “para o governo de Jerusalém, não há dúvida: a negativa brasileira faz parte da campanha internacional liderada pelo grupo Boicote… Casa-se coma decisão, da União Europeia, de não rotular como israelenses produtos de assentamentos da Cisjordânia”. Para a jornalista, inaugura-se, no caso brasileiro, uma rotulação e uma rejeição a indivíduos, como uma nova modalidade. Conforme já dissemos, por outras palavras, não tão nova.

Vale ressaltar a postura do Conselho das Universidades do Reino Unido, o qual rejeitou as ações do BDS, declarando sua oposição a qualquer restrição acadêmica a professores ou instituições israelenses. Já nos Estados Unidos, a propaganda antissemita vem ocupando espaço na mídia, alcançando igrejas (inclusive evangélicas) e fazendo enfraquecer o apoio que seus membros ofereciam ao Estado Judeu. Ainda é possível retroceder da postura equivocada, lembrando, sobretudo, de que “Deus salvará Sião e edificará as cidades de Judá, a ali habitarão e hão de possuí-la” (Salmos 69.35).

De qualquer maneira, se não formos convencidos pelo Espírito de Deus através da Palavra que nos alerta sobre o dever de amar os judeus e desejar sua vida e prosperidade, que possamos deixar o mesmo Espírito nos lembrar através da História da humanidade que o caminho que se inicia com a perseguição à descendência de Abraão finda por também alcançar aqueles que foram tornados seus filhos mediante a fé em Jesus Cristo. O ódio aos judeus finda em ódio aos cristãos. O ódio à Casa de Israel transmuda-se rapidamente em ódio à Igreja. Cuidemos em não afiar a ferramenta que poderá voltar-se contra nós. Oremos para que o sábado seja véspera não de morte, mas de ressurreição.

Por, Sara Alice Cavalcanti.

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