O que verdadeiramente é a fé?

O que verdadeiramente é a féA Bíblia nos mostra diferentes aspectos da fé, como para a salvação (Efésios 2.8), como um dom (1 Coríntios 12.9) e ainda como meio para ser curado (Marcos 5.34); nos ensina ainda a respeito do que verdadeiramente é a fé, e nesse sentido, a sua função na vida do crente em Jesus.

Muitos, voluntariamente ou não, têm corrompido o verdadeiro sentido da fé. A chamada “Teologia da Prosperidade”, de forma bem sutil, faz de Deus um “servo” da fé, já que seu jargão predileto é: “Se você tem fé, declare e Deus fará o que você deseja”.

O escritor aos Hebreus escreve, dizendo: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem” (11.1). Nesse ponto, façamos uma breve análise do texto, partindo dos seguintes princípios:

A fé dá ao crente condições de possuir uma postura firme, mesmo antes que chegue o que se espera, ou mesmo sem saber se vai chegar de fato; a fé dá ao crente condições de possuir uma postura firme, mesmo sem ver o que se deseja, ou mesmo sem saber se de fato verá; no que diz respeito ao fator tempo, a fé não lida com o momento que se recebe ou se vê o que deseja, nem tampouco depois disso acontecer, mas antes que isso ocorra.

Diante disso, a fé fala mais a respeito de postura frente a determinado desafio do que de sentimentos relacionados a Deus. Mas, além disso, devemos considerar que, de acordo com as palavras de Paulo, a fé possui uma função fundamental e vital para aqueles que desejam ser fiéis a Deus. Em Efésios 6.16, o apóstolo afirma, dizendo: “Embraçando sempre o escudo da fé, como qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno”. Ele levanta a questão a respeito da natureza da fé e o que ela é capaz de realizar em nosso favor.

O texto sagrado deixa claro que, em tratando-se de fé, é necessário uma atenção contínua, e isso é evidenciado na expressão “embraçando sempre”. Além disso, é possível notar que, ao se referir à fé, Paulo diz que ela cumpre a mesma função de um escudo ao chamá-la de “o escudo da fé”.

Como bem sabemos, escudo é instrumento de defesa, o que nos leva a pensar a respeito de seu papel dentro do contexto da batalha espiritual na qual estamos inseridos, quer dizer, de acordo com a declaração de Paulo, a fé nos guarda de “todos os dardos inflamados do Maligno”, e não para atacá-lo ou determinar alguma coisa, mesmo porque, ele mesmo afirma, dizendo: “… e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus” (v. 17).

Conforme vemos, a fé nos defende dos ataques do Diabo, e geralmente esses ataques fundamentam-se em questionar a bondade e fidelidade divinas. É nesse ambiente de ataque, questionamentos e batalha que frequentemente floresce a fé, guardando assim aqueles que estão firmados em Deus e Sua Palavra.

O profeta Habacuque é um exemplo disso, pois grande parte de seu livro registra seus questionamentos a respeito de seu tempo, incluindo problemas como injustiça social, violência e decadência espiritual. No entanto, após ter buscado a Deus, o profeta teve sua fé renovada (Habacuque 3.17-18). As declarações do profeta deixam claro que, a verdadeira fé não consiste em mudar situações e nem tampouco determinar aquilo que se deseja.

Em Filipenses 4.11-13 podemos aprender algo indispensável sobre esse assunto, pois seu contexto é de gratidão de um líder espiritual pela generosidade de seus liderados, além de ser também de conscientização acerca da necessidade do cristão não estar ansioso por coisa alguma (v. 6). Paulo usou a expressão “contente” para tornar conhecida a forma como lidava com as diferentes circunstâncias que envolvem a vida humana, palavra que significa conter-se, ou melhor, comportar-se com equilíbrio, independente da situação.

É interessante o fato de Paulo dizer que havia aprendido a conter-se em qualquer situação, pois encerra-nos a lição de que, se ele aprendeu é porque não sabia e, reconhecendo isso, desejou e decidiu aprender, denotando ainda a ideia de alguém que tinha condições de ensiná-lo. Mas, afinal de contas, quem ensinou o apóstolo e de que forma isso foi feito?

Quando lemos a história do apóstolo Paulo, podemos concluir que foi o próprio Senhor quem o ensinou a ter um bom comportamento frente as diferentes condições de sua vida, e, além disso, podemos ainda afirmar que o método usado pelo Senhor foi o de proporcionar ao apóstolo aquilo que chamamos de “altos e baixos”, isto é, em alguns momentos ele tinha o que precisava em abundância, já em outros tinha de enfrentar a escassez, contribuindo assim para desenvolver em seu interior a convicção de que, as coisas desta vida não lhes servia como base para determinar seu humor, e principalmente o nível de sua confiança em Deus.

Esse comportamento resultante da fé que Paulo tinha em Deus é demonstrado em outras referências bíblicas, por exemplo em Romanos 14.17, quando ele afirma: “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”.

A alegria a que Paulo se refere não se trata de um sentimento produzido por algo que se ganhou, mas aquela produzida pela união entre o crente e o Espírito Santo, pois observemos o que está escrito: “alegria no Espírito Santo”, isto é, a alegria que está nele, e não somente a que Ele pode conceder.

A alegria divina não se desenvolve à partir de conquistas humanas e passageiras, mas pelo Espírito Santo no interior do fiel, como fruto de sua confiança em Deus que é fruto da verdadeira fé. Jesus usou o grão de mostarda como exemplo para dizer os discípulos o tipo de fé que o agrada (Mateus 17.20). Ele não se refere ao tamanho, mas à qualidade da fé, porque, embora seja pequeno, o grão de mostarda é inquebrável, tratando-se desta fé que Deus espera dos seus filhos.

Sendo assim, a verdadeira fé não é a certeza de que tudo dará certo, mas a certeza de que Deus é Senhor, mesmo quando tudo está errado. Biblicamente falando, a verdadeira fé está ligada à fidelidade do crente a Deus.

Por, Elias Torralbo.

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