O que são os “anos de jornaleiros” de Isaías 16?

“O que o texto de Isaías 16.14 quer dizer com a expressão ‘tais como os anos de jornaleiros’?”

O que são os “anos de jornaleiros” de Isaías 16Em primeiro lugar, precisamos entender que este registro está inserido dentro de uma profecia de juízo contra o povo moabita, profecia esta tão extensa e tão séria que ocupa dois capítulos inteiros (15 e 16). Somente o Egito e a Babilônia são alvos de profecias mais longas do profeta Isaías.

A nação estava localizada a leste do Rio Jordão e do Mar Morto, e embora Moabe, assim como Israel, fosse descendente de Tera, pai de Abraão (Gênesis 11.27), foi um rei moabita chamado Balaque quem contratou Balaão para seduzir os israelitas e conduzi-los à prática da idolatria (Números 25). Além do mais, os moabitas oprimiram Israel por 18 anos durante o período dos Juízes (Juízes 10.6-9). Os moabitas sempre foram inimigos de Israel e quando alcançavam independência, faziam incursões militares contra o povo de Deus (2 Reis 13.20).

O verso 14 de Isaías 16 é a conclusão de uma longa profecia iniciada no capitulo 15, que contém detalhes interessantes dos juízos que Deus está para cumprir sobre Moabe, mencionando todas as cidades importantes do país que sofrerão sérias consequências por haverem sido violentas e soberbas contra o povo de Deus: “Ouvimos da soberba de Moabe, a soberbíssima, e da sua altivez, e da sua soberba, e do seu furor, e a sua jactância é vã” (Isaías 16.6). Os moabitas se vangloriavam de sua enorme população e de seu numeroso exército, mas o Senhor sentenciou a nação e predisse que Moabe passaria por uma varredura, tendo a sua glória abatida. O remanescente que ficaria seria fraco e pequeno: “… será envilecida a glória de Moabe, com toda a sua grande multidão; e o resíduo será pouco, pequeno e impotente” (Isaías 16.14b).

Aí, lemos: “Dentro de três anos, tais como os de jornaleiros…”. Esta é a advertência final de Deus contra aquele povo e equivale a dizer que cada dia seria contado como o jornaleiro conta cada dia do período pelo qual é contratado para trabalhar, não aceitando trabalhar um dia sequer a mais. O empregador, por sua vez, também conta o tempo do trabalho contratado sem dispensar nenhum dia daquele período. A mensagem divina é que nenhum dia seria diminuído do tempo de misericórdia e com fins de arrependimento (como em Nínive) concedido por Deus a Moabe, e também nenhum dia seria acrescentado além dos três anos outorgados pelo Senhor como tempo para arrependimento àquela nação soberba.

Observamos, portanto, que a expressão “tais como os anos de jornaleiros” não se refere, em hipótese alguma, aos dias do jornaleiro serem três anos, mas apenas ao fato de que o período em que Deus executaria os seus juízos contra a nação moabita seria um tempo certo, exato e seguro.

Por, Sérgio Luiz Bastian.

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