O perigo de estudar seitas sem preparo

O perigo de estudar seitas sem preparoAo longo de muitos anos ensinando em igreja ou em classes de seminário, tomei conhecimento de diversos casos de irmãos que assumiram o compromisso de evangelizar adeptos de seitas, mas que acabaram se tornando vítimas delas – por falta de preparo. Os casos mais comuns se relacionam ao judaísmo, ao mormonismo, ao sabatismo e às testemunhas-de-jeová.

As causas principais desse tipo de fracasso são, geralmente, (a) o pouco conhecimento das Escrituras; (b) o desconhecimento da hermenêutica sagrada, da exegese bíblica, e do vernáculo. Outra causa, ainda, seria a falta de bom senso.

Comecemos pelo pouco conhecimento das Escrituras, que tem provocado o surgimento de movimentos do tipo da teologia da prosperidade, segundo a qual podemos ser ricos, e da Super Fé, que garante saúde perfeita e nenhuma doença, e do reino agora, segundo o qual o nosso corpo atual pode tornar-se imortal sem ressurreição ou arrebatamento, etc. Eis alguns pontos falhos dessas crenças: (a) não há uma só promessa de riqueza material no Novo Testamento, e nenhum caso de enriquecimento material; o que há é o oposto, no caso de Zaqueu; (b) uma pessoa pregadora da Super Fé adoeceu, e teve de se esconder da mídia no Brasil porque o crente não adoece; (c) acreditar no reino agora é negar a escatologia, que revela uma clara sucessão de eventos antes da manifestação do reinado de Cristo na terra, e ignorar a clara declaração de Jesus de que carne e sangue não herdam o reino de Deus.

O pouco conhecimento do vernáculo por parte de alguns líderes cristãos tem envergonhado o evangelho. Um desses “pastores” mantinha relações sexuais com mulheres da igreja – com a conivência de seus maridos – por causa do mandamento de Deus em Oséias 1.2: “Vá, tome uma mulher adúltera…”. Ele leu o adjetivo como se fosse verbo: “Vá, tome uma mulher e adultera”, supondo que Deus aprovava essa prática! Infelizmente, o Brasil é campo fértil para esse tipo de absurdo, pois está mais de 260 anos atrasado em leitura, segundo notícia recente publicada pela Rede Globo.

Questão de bom senso

Outra causa de interpretação equivocada é a falta de discernimento da Palavra de Deus, ou de bom senso. José, marido de Maria, oraria a Deus pedindo algo para Jesus como “nosso filho”? É claro que não! Por reverência ao Messias ele sequer manteve relações sexuais com a esposa enquanto grávida de Jesus. Ou Jesus diria ao Pai que aceitaria morrer pela humanidade, contanto que não se casasse? Aceitar isso é não entender a sublime missão do Filho de Deus na terra.

Outra opinião equivocada é acreditar que as duas testemunhas de Apocalipse são Enoque e Elias, pelo fato de ambos não terem provado a morte. Seria Deus tão medíocre ao ponto de presentear seus dedicados servos com o livramento da morte, e depois requerer deles a devolução da dádiva?

Fui informado em Guarujá (SP), de que uma igreja evangélica na baixada santista transformou-se numa sinagoga em razão das muitas práticas judaicas trazidas da terra santa por seus membros e introduzidas no culto. Neste caso particular a culpa é de guias evangélicos despreparados para refutar o judaísmo dos guias turísticos em Israel. Pior ainda, é ouvir a notícia de que pastores evangélicos se convertem ao sabatismo! A diferença entre a Lei e a Graça é tão brutal que quando a Lei foi proclamada pela primeira vez, três mil pessoas morreram (Êxodo 32.28); ao passo que, mediante a pregação da Graça, no dia de Pentecoste, três mil pessoas foram salvas (Atos 2.41). A propósito, meu livro O Sábado, a Lei e a Graça, já provocou a saída de muitas dezenas de pessoas do legalismo sabatista para diferentes igrejas evangélicas.

Resplandece na Bíblia a doutrina da Trindade, que é fortemente negada pelos testemunhas-de-jeová. Dois jovens adeptos dessa seita bateram à minha porta, e em nossa conversa mencionei o texto de João 1.1, que está pirateado na Bíblia usada por eles, e um dos jovens perguntou: “Você pode nos mostrar onde está a Trindade na Bíblia?” “Pois não”, respondi. Usando a própria Bíblia deles, li em 1 Coríntios 12, versículos 4 a 6, e disse: No v. 4 o Espírito Santo distribui os dons espirituais; no v. 5, Jesus distribui na igreja os dons ministeriais, e no v. 6, o Pai opera tudo em todos. Imediatamente os rapazes disseram que tinham de ir, e se foram.

Alguns absurdos relacionados ao Natal

O profeta Oséias, uns sete séculos antes de Cristo, registrou as seguintes palavras de Deus acerca de Israel: “O meu povo está sendo destruído porque lhe falta o conhecimento” (Oséias 4.6).

A história se repete hoje. Milhões se perdem pelo mesmo motivo. As mentiras se vestem de uma capa de verdade, as tradições assumem ares de doutrina, e os mitos passam-se por fatos.

A Bíblia é feita de fatos, e de promessas e profecias que um dia também serão fatos consumados. A Bíblia não apenas contém a Palavra de Deus, como ensinam os modernistas, mas é a Palavra de Deus.

Dentro do nosso propósito de separar o trigo do joio – os fatos dos mitos – no que diz respeito ao Natal de Jesus, o primeiro exemplo está em Lucas 2.14: “Glória a Deus nas maiores altura, e paz na terra, entre os homens, a quem ele quer bem”. Deus mesmo toma a iniciativa, ama o mundo de tal maneira que lhe envia o Seu único Filho. Ele prova o Seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. A salvação veio de Deus, por intermédio de Cristo. “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas” (Isaías 53.6). “Foi ele que nos fez e dele somos” (Salmos 100.3). Este é um dos maiores fatos relacionados como Natal de Jesus.

Todavia, muitos discordam de Deus e da Bíblia, e mudam a verdade divina em mentira, ao citarem o referido texto como sendo: “Glória a Deus nas alturas, paz na terra aos homens de boa vontade”. Inexiste tal versículo. Os homens nunca tiveram boa vontade para com Deus. A redenção é obra exclusiva de Deus em Cristo. O fato de o véu do templo rasgar-se de alto abaixo naquela trágica tarde de sexta-feira mostra de onde vem a salvação: de cima, de Deus.

O segundo exemplo é este: “Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do oriente a Jerusalém…” (Mateus 2.1). Esta é a verdade: uns magos. Ninguém, até hoje, conseguiu provar a historicidade dos três reis magos. A Bíblia não diz quantos eram nem os apresenta como reis, e é imprudente tirar conclusões apressadas baseando-se apenas nos presentes ofertados ao menino Jesus.

Talvez fossem eles conselheiros reais na Babilônia, pessoas ilustres, pois como tais foram recebidos em Jerusalém. Mas não se pode afirmar que eram reis, nem que eram três. Se fosse apenas três, como poderiam eles atravessar milhares de quilômetros, às vezes por desertos infestados de bandidos?

H. H. Halley, em seu Manual Bíblico, sugere mais de três e ainda acompanhados de uma comitiva composta de dezenas ou centenas de pessoas, ao ponto de alvoroçarem toda a cidade de Jerusalém. É fato histórico que uns magos, vindos do Oriente, seguiram a estrela e visitaram o menino Jesus, mas não passa de mito tudo o mais que não se pode provar pela Bíblia ou pela história.

O terceiro exemplo está em Mateus 2.11: “Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe…”

O fato bíblico é: entrando na casa. O mito é: entrando na manjedoura. São comuns as representações (até em templos evangélicos!!!) de Jesus deitado num berço de palhas, na manjedoura, recebendo os presentes dos magos. Tais insinuações não possuem respaldo bíblico. As palavras usadas para recém-nascido e menino são diferentes, e Mateus se serve exatamente da última, cujo significado é o de uma criança entre um e dois anos de idade. É o que se infere do fato de Herodes mandar “matar todos os meninos de Belém, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão informara dos magos” (Mateus 2.16).

Felizmente, mediante os recursos fornecidos pelos magos, José e Maria, “avisados por divina revelação”, fugiram para o Egito levando Jesus, para que se cumprisse Oséias 11.1: “Do Egito chamei o meu filho”.

Por, Abraão de Almeida.

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