O perdoador de “muitos pecados”

O perdoador de “muitos pecados”Lemos em Lucas 7.47 que Jesus foi convidado por uma homem chamado Simão, o fariseu, para ir a sua casa e ali se alimentar. Jesus aceita aquele convite sabendo que, naquele encontro, seria questionado por suas palavras e atitudes, porém, ele foi.

Simão era um fariseu, e os fariseus eram zelosos pela lei, tinham um conhecimento grande das Escrituras, procuravam manter-se isolados de pessoas e alimentos impuros, mas não entendiam o espírito da lei. Não conheciam a misericórdia, o amor e o perdão.

Ao decorrer da refeição, uma mulher chamada de “pecadora” invade a casa sem ser convidada. Normalmente os servos ficavam atrás dos convidados e derramavam água sobre os pés dos hóspedes que geralmente deixavam as sandálias na entrada da casa e ficavam reclinados com as pernas esticadas.

Omitir este serviço de lavagem dos pés era o mesmo que dizer que o visitante era de condição social bem inferior aos da casa. Jesus observou que além da falta de lavagem dos seus pés, a unção com óleo também foi omitida assim como Simão, o anfitrião não dera nenhum beijo em Jesus. Omitir essas formalidades era quase um insulto.

A mulher se aproxima trazendo o óleo (perfume) lava os pés de Jesus com lágrimas, o beija e ali fica a seus pés – tudo o que Simão não fizera. O unguento era uma espécie de pasta que se aplicava na pele, se derretia com o calor do corpo e se transformava em um perfume agradável. Ele era preparado “por perfumistas, ou por um sacerdote, ou por indivíduos particulares, usando uma grande variedade de substâncias aromáticas” (Novo Dicionário da Bíblia).

Sabemos que reis eram ungidos com unguento perfumado e com mirra. O unguento era guardado em vasos de alabastro e, assim como o vinho, quanto mais velho melhor e mais caro.

O que mais perturbou o dono da casa não foi tanto a presença dela, mas, principalmente, aquilo que ela fez. Ele, realmente, deixou transparecer revolta, e uma perturbação. Não sabemos se por ela estar usando em Jesus o unguento que era tão caro ou porque não achava Jesus digno de ser ungido assim como eram os reis. Jesus, que é Deus, onisciente, com certeza conhecia o seu coração e sabia o porquê da sua revolta.

Apesar das mulheres do tempo de Jesus usarem cabelos presos, esta mulher não se importou com o que iriam dizer, mas, com os próprios cabelos, que estavam soltos, enxugou os pés do nosso Senhor.

Tudo o que Simão não fez a pecadora fizera – estava instalado um clima estranho no ambiente, uma guerra surda. Todos observavam o que Jesus (o insultado) diria ou faria.

Nesse ponto e com esse clima desagradável observado por todos, pois provavelmente os demais convidados conforme a etiqueta habitual, Jesus faz uma opção amorosa e longânime e resolve contar a parábola dos dois devedores.

Essas palavras de Jesus desmoralizaram a Simão. A mulher na  verdade havia compensado todas as falhas da hospitalidade daquela casa e mesmo assim continuava desprezada. Provavelmente Simão recusava-se a aceitar o arrependimento demostrado por ela porque ele mesmo se achava pouco pecador e pouco arrependido.

O problema é que o “pouco arrependido” – o que tem baixa percepção de seus pecados – sente-se pouco perdoado, tem pouca gratidão e, por conseguinte também ama pouco e o que é pior: sente-se pouco amado.

Gostaria de definir dois termos que constantemente nos causam dúvidas que é o “Sentimento de Culpa” e o “Arrependimento”.

O sentimento de culpa é o sofrimento obtido após a reavaliação de um comportamento passado tido como reprovável por si mesmo, porém, não causa mudança, causa apenas “desconforto”.

Já o “Arrependimento”, do grego Metanóia (meta = Mudança, Nóia = Mente), quer dizer mudança de mentalidade, mudança de atitude, ou seja, atitude contrária, ou oposta, àquela tomada anteriormente.

Simão sentia-se com poucas dívidas, pouco necessitado da Graça, e tendo recebido pouca Graça demonstrava pouco amor. Na verdade quem contamina aquela causa não é a mulher pecadora, é Simão.

Podemos ver dois tipos distintos de comportamento que é a Verdadeira Adoração e a Falsa Adoração.

A Verdadeira Adoração – A ação de chorar, beijar e derramar unguento aos pés de Jesus demonstra arrependimento de pecados e reconhecimento de que Jesus era digno de ser adorado, pois Ele é santo e poderoso. Ela o reconheceu como salvador. Essa adoração pode ser considerada verdadeira pois expressou arrependimento, quebrantamento e entrega.

A Falsa Adoração – Ele abriu as portas de sua casa, permitiu que Jesus até entrasse, mas criticou quando Jesus perdoou aquela mulher. O fariseu não permitiu que Jesus operasse um milagre de salvação em sua vida. Jesus em sua casa, era apenas sinal de status.

Jesus declara que não foram os atos nem o esforço da mulher que a salvou – a atitude era consequência da sua fé. Ela é despedida da presença dos que a menosprezaram e é reconciliada com o Pai.

Por,Célio César de Aguiar Lima.

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