O malfeitor que foi para o Paraíso

O malfeitor que foi para o ParaísoÉ muito comum ouvirmos críticas acerca de pessoas que eram marginais, ladrões, assaltantes, homicidas etc., e depois correram para a igreja e viraram crentes. “Agora, elas abrem a boca com toda ousadia e dizem: ‘Estou salvo, Cristo me salvou!’”. Esse é um tipo de testemunho que incomoda as pessoas que nunca fizeram nenhum tipo de atrocidade, são cidadãos de bem e não se consideram salvos. Eles acham absurdo uma pessoa que era marginal até pouco tempo fazer uma declaração tão ousada como esta. Geralmente, se duvida que Jesus possa salvar pessoas que já praticaram tanta maldade. Por ignorância, as pessoas acabam pensando que a salvação é meritória.

Se assim fosse, como ficaria a situação do malfeitor da cruz? Ele passou sua vida roubando e praticando maldades terríveis e, quando já estava pregado na cruz, condenação aplicada na época aos maiores criminosos, ele faz seu último pedido ao Cristo crucificado, reconhecendo-o como Rei: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino” (Lucas 23.42). Então, Jesus, como resposta, lhe faz uma promessa: “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 2343).

Se a salvação fosse dada por meio das nossas boas obras, como recompensa de todo o bem que fizemos aos outros, não haveria necessidade de Jesus deixar sua glória junto ao Pai e descer à terra; se encarnar e habitar em forma humana entre os homens (João 1.14), se rebaixando ao ponto de se fazer menor do que os anjos (Salmos 8.5; Hebreus 2.7,9); experimentar nossas fraquezas e limitações (Hebreus 4.15); ser traído por aquele que lhe era íntimo e de confiança (Salmos 41.9); ser negado três vezes pelo discípulo mais corajoso; ser humilhado, desprezado, vituperado; levar chicotadas com pedaços de ossos na ponta do chicote do carrasco, que saiam arrancando pedaços de carne; levar murros e tapas no rosto ensanguentado pela coroa de espinhos que lhe feriam a fronte; ser golpeado na cabeça com uma vara, cuspido e zombado; ser forçado a carregar uma cruz pesada até o lugar da sua crucificação, quando já não tinha mais forças devido à horrenda judiação durante toda noite; ter suas mãos e pés cravados no madeiro com pregos pontiagudos e penetrantes, que geraram dores profundas no seu corpo abatido; ter recebido vinagre em lugar de água, quando a sede ressecava a garganta; ter sua carne traspassada por uma lança que derramou as últimas gotas de seu sangue purificador. Tudo isso seria em vão, se a salvação fosse meritória.

Assim, não precisaríamos do “Cordeiro, que tira o pecado do mundo” (João 1.29). Nossos méritos seriam a causa de nossa salvação. No entanto, o apóstolo Paulo diz que a salvação “não vem pelas obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2.9). É pela graça, mediante a fé. E graça significa favor imerecido. Pois, “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3.23). Nenhum de nós mereceu a vida eterna, mas se reconhecermos os nossos pecados, confessando-os, e pedirmos a Cristo para nos salvar, nós seremos salvos e “justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3.24). Todos pecaram. Não existe ser humano justo ao ponto de merecer a bondade de Deus. Por mais que alguém seja bom e justo do ponto de vista humano, ainda assim é condenável diante de Deus (Romanos 5.12). “Uma só transgressão resultou na condenação de todos os homens” (Romanos 5.16). Diz o profeta Isaías: “Todos somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia” (Isaías 64.6).

As obras boas e justas que os cidadãos de bem fazem são como uma torta deliciosa, feita por um leproso e colocada sobre mãos em chagas vivas. Você teria coragem de comer? Certamente que não! Assim são as justiças de um pecador. A única forma de alcançar salvação é através do arrependimento profundo e sincero de seus pecados (Mateus 3.2; Marcos 1.15; Atos 2.38) e o reconhecimento de Jesus como o Cordeiro que tira o pecado do mundo. De forma que não existe injustiça da parte de Deus em salvar um criminoso arrependido e condenar um cidadão que não reconhece o seu estado miserável de pecado. “Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: ‘O justo viverá pela fé’” (Romanos 1.17).

E aqui está um paradoxo: pessoas que nunca andaram na marginalidade não alcançarão a salvação e serão condenadas ao inferno, e pessoas que passaram a vida praticando maldades serão salvas. As primeiras nunca reconheceram os seus pecados e, consequentemente, nunca buscaram a remissão deles. Já as últimas sempre souberam que eram pecadoras, merecedoras do inferno, mas conheceram o Cordeiro que tira o pecado do mundo e recorreram a Ele. Muitas vezes, no último instante de suas vidas, mas ainda em tempo oportuno de se arrependerem de todos os seus pecados e os confessarem a Cristo.

Se alguém pensa que vai ser salvo porque pratica o bem e tem uma vida religiosa, está redondamente enganado e, certamente, perdido. Porém, se você já reconheceu o seu estado miserável de pecado e recorreu a Jesus para te limpar de toda a iniquidade, então não tenha medo de dizer “Estou salvo, Cristo me salvou!”, pois quem te garante é o próprio Salvador: “Estarás comigo no paraíso”. Deus diz: “Perdoarei a sua maldade e nunca mais me lembrarei dos seus pecados” (Jeremias 31.34).

Por, Erinho Vieira Ferreira.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Google Translate »